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sexta-feira, 1 de setembro de 2017
Até sempre Mestre das Neves
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Maíra e Das Neves
Talento e mais talento!
Momento singelo e íntimo entre a Maíra Freitas e o mestre Wilson das Neves. Vídeo publicado ontem que mostra o carinho e o respeito que partilham duas gerações e dois estilos musicais bastante distante mas, ao mesmo tempo, cheios de intersecções musicais e pessoais que são o que permitem a riqueza deste momento. É um dom invejável que consegue tornar momentos simples em ocasiões inesquecíveis. Ôh sôrte!
São três as músicas apresentadas neste vídeo, "Pousa" da Maíra e "Estava faltando você" e o clássico "O samba é meu dom" os dois da autoria de Wilson das Neves, o primeiro em parceria com Délcio Carvalho e o segundo com Paulo César Pinheiro.
Momento singelo e íntimo entre a Maíra Freitas e o mestre Wilson das Neves. Vídeo publicado ontem que mostra o carinho e o respeito que partilham duas gerações e dois estilos musicais bastante distante mas, ao mesmo tempo, cheios de intersecções musicais e pessoais que são o que permitem a riqueza deste momento. É um dom invejável que consegue tornar momentos simples em ocasiões inesquecíveis. Ôh sôrte!
São três as músicas apresentadas neste vídeo, "Pousa" da Maíra e "Estava faltando você" e o clássico "O samba é meu dom" os dois da autoria de Wilson das Neves, o primeiro em parceria com Délcio Carvalho e o segundo com Paulo César Pinheiro.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Casando o samba com o rap, ô sorte!
O mestre Wilson das Neves está prestes a completar 80 anos de idade e irá comemorá-los num espetáculo no Rio onde convidará diversos amigos.
É mais uma figura incontornável no samba que não tem qualquer tipo de preconceito em apadrinhar novos valores de outros estilos musicais e de acolher naturalmente esses formatos em plena sintonia nos seus sambas mais clássicos.
Este maravilhosos tema, "O dia em que o morro descer e não for Carnaval" é mais um belo exemplo da virtuosa parceria que o mestre Wilson e o sambista Paulo César Pinheiro granjeiam há longos anos e que gerou tantos magníficos frutos.
Nesta interpretação, o rapper Emicida junta-se no embalo e consegue agregar à musica original uma nova dimensão que, provavelmente, até está mais próxima da essência do próprio tema e, especialmente do seu poema. na versão original a triste estória de uma realidade social que existe e perdura há muitos anos no Brasil de pobreza e criminalidade é meio atenuada pela candura da melodia do samba canção mas nesta versão a crueza das palavras em forma de rap acentuam a agrura da mensagem.
É mais uma figura incontornável no samba que não tem qualquer tipo de preconceito em apadrinhar novos valores de outros estilos musicais e de acolher naturalmente esses formatos em plena sintonia nos seus sambas mais clássicos.
Este maravilhosos tema, "O dia em que o morro descer e não for Carnaval" é mais um belo exemplo da virtuosa parceria que o mestre Wilson e o sambista Paulo César Pinheiro granjeiam há longos anos e que gerou tantos magníficos frutos.
Nesta interpretação, o rapper Emicida junta-se no embalo e consegue agregar à musica original uma nova dimensão que, provavelmente, até está mais próxima da essência do próprio tema e, especialmente do seu poema. na versão original a triste estória de uma realidade social que existe e perdura há muitos anos no Brasil de pobreza e criminalidade é meio atenuada pela candura da melodia do samba canção mas nesta versão a crueza das palavras em forma de rap acentuam a agrura da mensagem.
terça-feira, 14 de junho de 2016
80 anos do mestre Wilson
Hoje é o aniversário do grande sambista Wilson das Neves, um aniversário redondo, 80 anos, oh sôrte!!
Não podia deixar de lhe fazer esta homenagem pois é um dos meus sambistas favoritos e, tendo a sorte de já ter estado duas vezes conversando com ele, um excelente ser humano.
Um artista bastante versátil e talentoso, baterista há longos anos do Chico Buarque e, em boa hora, decidiu, já com muitos anos e desafios em cima, tornar-se cantor, transformando-se automaticamente no maior crooner do samba do Rio de Janeiro.
Não podia deixar de lhe fazer esta homenagem pois é um dos meus sambistas favoritos e, tendo a sorte de já ter estado duas vezes conversando com ele, um excelente ser humano.
Um artista bastante versátil e talentoso, baterista há longos anos do Chico Buarque e, em boa hora, decidiu, já com muitos anos e desafios em cima, tornar-se cantor, transformando-se automaticamente no maior crooner do samba do Rio de Janeiro.
Na Veia!
Há uns tempos descobri este disco, "Na veia", uma colaboração do bamba Arlindo Cruz e do cantor e sambista Rogê e que conta com colaborações de pesos pesados da música brasileira e todos eles icons da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo D2, Maria Rita, Seu Jorge, Zeca Pagodinho, Luiz Melodia, Jorge Aragão, Xande de Pilares e o mestre Wilson das Neves.
É um disco do final de 2015 e que reúne alugmas das partilhas e colaboraç~oes que resultaram de um programa de rádio criado pelo Rogê e pelo Arlindo Cruz na rádio carioca MPB FM e que tinha o nome de "Música na veia". Nesse programa os autores resolveram levar o clima, as sensações e a envolvência das rodas de samba e dos batuques com amigos que costumam fazer parte das suas vida e dos seus percursos musicais.
Felizmente o programa correu também que possibilitou a criação deste seleção musical bem caprichada valorizada pela cumplicidade entre eles que se percebe em cada tema e pelo ambiente descontraído que acompanhou, certamente, as gravações e que se consegue sentir ao ouvir disco.
O disco entra mesmo na veia, dá vontade de entrar numa dimensão virtual, pegar num tamborim e pedir licença para entrar na roda. Foi a trilha sonora do nosso fim de semana de santos populares a sul.
Não existem clips deste disco, apenas um vídeo acerca do programa de rádio, uma gravação da música que dão nome ao disco, "Na veia", que já tinha sido gravado em 2013 pelo Marcelo D2 no disco "Nada me pode parar" e também pelo Rogê em 2012, no disco "Breguelé" onde já tinha a participação do Arlindo Cruz. E ainda uma gravação de uma canja do Marcelo D2 numa atuação do Rogê no bar da Lapa, Carioca da Gema. Oh sôrte!
É um disco do final de 2015 e que reúne alugmas das partilhas e colaboraç~oes que resultaram de um programa de rádio criado pelo Rogê e pelo Arlindo Cruz na rádio carioca MPB FM e que tinha o nome de "Música na veia". Nesse programa os autores resolveram levar o clima, as sensações e a envolvência das rodas de samba e dos batuques com amigos que costumam fazer parte das suas vida e dos seus percursos musicais.
Felizmente o programa correu também que possibilitou a criação deste seleção musical bem caprichada valorizada pela cumplicidade entre eles que se percebe em cada tema e pelo ambiente descontraído que acompanhou, certamente, as gravações e que se consegue sentir ao ouvir disco.
O disco entra mesmo na veia, dá vontade de entrar numa dimensão virtual, pegar num tamborim e pedir licença para entrar na roda. Foi a trilha sonora do nosso fim de semana de santos populares a sul.
Não existem clips deste disco, apenas um vídeo acerca do programa de rádio, uma gravação da música que dão nome ao disco, "Na veia", que já tinha sido gravado em 2013 pelo Marcelo D2 no disco "Nada me pode parar" e também pelo Rogê em 2012, no disco "Breguelé" onde já tinha a participação do Arlindo Cruz. E ainda uma gravação de uma canja do Marcelo D2 numa atuação do Rogê no bar da Lapa, Carioca da Gema. Oh sôrte!
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terça-feira, 10 de maio de 2016
Datas redondas do samba
No dia 8 comemorou-se, em simultâneo os magníficos 80 anos do mestre Wilson das Neves e os 100 anos do samba que deu origem a um evento especial, o Wilsamba, realizado na Lona Cultural Municipal João Bosco, no Rio de Janeiro. Ô sorte!!! Para quem assistiu. O samba é mesmo o seu dom, felizmente para nós. E feliz o dia quando já com 70 anos, resolveu dar uma revirada na sua carreira e, além de baterista, ter decidido virar cantor também.
"O samba é meu dom
Aprendi bater samba ao compasso do meu coração
De quadra, de enredo, de roda, na palma da mão
De breque, de partido alto e o samba-canção
O samba é meu dom
Aprendi dançar samba vendo um samba de pé no chão
No Império Serrano, a escola da minha paixão
No terreiro, na rua, no bar, gafieira e salão
O samba é meu dom
Aprendi cantar samba com quem dele fez profissão
Mário Reis, Vassourinha, Ataulfo, Ismael, Jamelão
Com Roberto Silva, Sinhô, Donga, Ciro e João
O samba é meu dom
Aprendi muito samba
Com quem sempre fez samba bom
Silas, Zico, Aniceto, Anescar, Cachinê, Jaguarão
Zé com Fome, Herivelto, Marçal, Mirabô, Henricão
O samba é meu dom
É no samba que eu vivo
Do samba é que eu ganho o meu pão
E é no samba que eu quero morrer
De baqueta na mão
Pois quem é de samba
Meu nome não esquece mais não"
O samba é meu dom - Wilson das Neves
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Carnaval no Rio, ô sorte!
A data começa a aproximar-se e todos o anos acontece o mesmo. O desejo de estar lá cresce exponencialmente e a vontade de, pelo menos acompahar o que vai acontecendo na cidade, torna-se verdadeiramente irresistível. Como têm sido os blocos de rua, como estão a decorrer os ensaios técnicos das escolas de samba, em especial a minha Estação Primeira, como está o sol, praia, o Jobi, o Braseiro da Gávea, são perguntas inevitáveis e recorrentes.
A verdade é que o samba é a essência e o pilar imperioso do Carnaval do Rio e de toda a sua história. Essa história que, muitas vezes, se confunde irrmediável e inevitavelmente com a história da própria cidade e até do país. Por isso, lembrei-me deste tema "Os Cinco Bailes Da História Do Rio" que mistura o samba com factos históricos fundamentais quer da cidade, quer do próprio país. Para quem quiser saber os 5 bailes que este samba fala são (segundo o Extra da Globo), 1 - Os 20 anos de fundação da Cidade, em 1585; 2 - A grande festa de mudança de capital do vice-reino do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763; 3 – A aclamação de Dom João VI como Rei de Portugal, Brasil e Algarves, em 1818; 4 - O grande baile da Independência do Brasil, em 1822; 5 - O último baile do Império, ocorrido na Ilha Fiscal, em 1889.
O tema é também, nele próprio, um pedaço importante desta história convergente pois, foi criado para ser samba enredo da escola de samba Império Serrano em 1965, ano ano do quarto centenário do Rio de Janeiro, é interpretado, aqui, por um dos marechais do samba do e da escola Império Serrano, o grão mestre do samba e de todos os carnavais, Wilson das Neves e, além disso, o tema foi popularizado e co-composto por outra imperatriz incondicional do samba, Dona Ivone Lara e consta do seu disco de homenagem lançado em 2015 e que faz parte da coleção Sambabook.
Salve o samba, todos os bambas e todos os que gostam de samba pois bons sujeitos serão, de certeza. Ô sorte!!!
A verdade é que o samba é a essência e o pilar imperioso do Carnaval do Rio e de toda a sua história. Essa história que, muitas vezes, se confunde irrmediável e inevitavelmente com a história da própria cidade e até do país. Por isso, lembrei-me deste tema "Os Cinco Bailes Da História Do Rio" que mistura o samba com factos históricos fundamentais quer da cidade, quer do próprio país. Para quem quiser saber os 5 bailes que este samba fala são (segundo o Extra da Globo), 1 - Os 20 anos de fundação da Cidade, em 1585; 2 - A grande festa de mudança de capital do vice-reino do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763; 3 – A aclamação de Dom João VI como Rei de Portugal, Brasil e Algarves, em 1818; 4 - O grande baile da Independência do Brasil, em 1822; 5 - O último baile do Império, ocorrido na Ilha Fiscal, em 1889.
O tema é também, nele próprio, um pedaço importante desta história convergente pois, foi criado para ser samba enredo da escola de samba Império Serrano em 1965, ano ano do quarto centenário do Rio de Janeiro, é interpretado, aqui, por um dos marechais do samba do e da escola Império Serrano, o grão mestre do samba e de todos os carnavais, Wilson das Neves e, além disso, o tema foi popularizado e co-composto por outra imperatriz incondicional do samba, Dona Ivone Lara e consta do seu disco de homenagem lançado em 2015 e que faz parte da coleção Sambabook.
Salve o samba, todos os bambas e todos os que gostam de samba pois bons sujeitos serão, de certeza. Ô sorte!!!
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
O rap e o samba
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
O desejo de ouvir o "Último desejo"
quinta-feira, 12 de junho de 2014
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Já passou demasiado tempo
E eu continuo sem ter o disco novo da "minha" Orquestra Imperial, continua a não estar no Itunes português, já encomendei inúmeras vezes a amigos que tiveram a sorte de ir ao Brasil, este ano. Já me queixei a agente deles que tenho o prazer de conhecer e que inclusivamente me trouxe e ofereceu o disco de um dos mais prestigiados integrantes, o padrinho e mestre Wilson das Neves mas o "Fazendo as pazes com o swing" é que não aparece de lado nenhum! Nem sequer no Spotify, a minha mais recente companhia musical, o disco está, é mole?! Para quem quiser ouvir o disco completo sem andar a procurar musica a musica no youtube pode ir aqui ouvirmusica.com é o melhor que s arranja.
"Pode ser que a gente se veja outra vez
Pode ser que o tempo me ensine o que eu já sei
Tudo que eu toco tem você
Em tanto que você me fez tocar
O toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
Deve ser que aquele que eu fui já não quer saber
Deve ser que esse que eu sou não te esquece mais
Eu vejo com o tempo que ficou de você
Em tanto que eu insisto em não lembrar
O toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
Ah! não me entenda errado
Eu não quero não
Túnel do tempo
Perfume roubado em vão
Vai madrugada
Eu não sou mais teu
Aceite a visita que eu ôoo
Com esse batuque te fez
Pode ser que a gente se veja outra vez
Pode ser que o tempo me ensine o que eu já sei
Tudo que eu toco tem você
Em tanto que você me fez tocar
O toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
E o toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
E digo o toque quem?"
Pode ser - Orquestra Imperial
"Pode ser que a gente se veja outra vez
Pode ser que o tempo me ensine o que eu já sei
Tudo que eu toco tem você
Em tanto que você me fez tocar
O toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
Deve ser que aquele que eu fui já não quer saber
Deve ser que esse que eu sou não te esquece mais
Eu vejo com o tempo que ficou de você
Em tanto que eu insisto em não lembrar
O toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
Ah! não me entenda errado
Eu não quero não
Túnel do tempo
Perfume roubado em vão
Vai madrugada
Eu não sou mais teu
Aceite a visita que eu ôoo
Com esse batuque te fez
Pode ser que a gente se veja outra vez
Pode ser que o tempo me ensine o que eu já sei
Tudo que eu toco tem você
Em tanto que você me fez tocar
O toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
E o toque de quem?
Que presente eu ganhei?
Se o futuro ficou pra trás
O que o passado tem pra dar?
E digo o toque quem?"
Pode ser - Orquestra Imperial
terça-feira, 26 de março de 2013
Novas do Mestre Wilson
Novo disco do Mestre Wilson das Neves está para breve!! Chama-se, "Se me chamar, ô sorte!".
quinta-feira, 14 de março de 2013
Mestre Wilson
Faltava aqui uma homenagem ao grande show do Mestre Wilson das Neves no Espaço Brasil. Foi incrível, digno de um crooner à séria, com uma intimidade e uma cumplicidade incrível, além de uma resistência notável para quem já tem 76 anos!
Teve momentos incríveis, apresentou sempre o parceiro de composição de cada música, fazendo questão de os homenagear, contou estórias da sua ligação ao Chico Buarque (é seu baterista há muitos anos) e, com bastante humor e respeito, disse que estava ali para cantar as músicas dele pois se não fosse ele a promover-se não haveria ninguém que o fizesse. Estou certo que, à excepção da inconsciente periguete que pediu para que ele cantasse Zeca Pagodinho, a esmagadora maioria estava ali para ouvir o seu trabalho e ficava mais tempo, ainda, se o mestre quisesse.
Espero voltar a vê-lo mais vezes, ô sorte!
Para fechar cantou uma das duas únicas músicas que não são dele e que eu já não ouvia há muito tempo, ao ponto de não me lembrar dela. E uma vez que me apercebi que, muito injustamente, não tinha nunca feito referência à Dona Ivone Lara neste blog, fica aqui a reparação possível.
"Acreditar.......eu não
Recomeçar.......jamais
A vida foi.........em frente
E você simplesmente
Não viu que ficou pra trás
....... .Não sei se você me enganou
Pois quando você tropeçou
Não viu o tempo que passou
...Não viu que ele me carregava
E a saudade lhe entregava
O aval da imensa dor
E eu que agora moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me trás
E eu que agora......moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me trás"
Acreditar - Ivone Lara e Nilze Carvalho
"O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)
No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval
O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual
Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval"
O dia em que o morro descer e não for carnaval - Wilson das Neves
Teve momentos incríveis, apresentou sempre o parceiro de composição de cada música, fazendo questão de os homenagear, contou estórias da sua ligação ao Chico Buarque (é seu baterista há muitos anos) e, com bastante humor e respeito, disse que estava ali para cantar as músicas dele pois se não fosse ele a promover-se não haveria ninguém que o fizesse. Estou certo que, à excepção da inconsciente periguete que pediu para que ele cantasse Zeca Pagodinho, a esmagadora maioria estava ali para ouvir o seu trabalho e ficava mais tempo, ainda, se o mestre quisesse.
Espero voltar a vê-lo mais vezes, ô sorte!
Para fechar cantou uma das duas únicas músicas que não são dele e que eu já não ouvia há muito tempo, ao ponto de não me lembrar dela. E uma vez que me apercebi que, muito injustamente, não tinha nunca feito referência à Dona Ivone Lara neste blog, fica aqui a reparação possível.
"Acreditar.......eu não
Recomeçar.......jamais
A vida foi.........em frente
E você simplesmente
Não viu que ficou pra trás
....... .Não sei se você me enganou
Pois quando você tropeçou
Não viu o tempo que passou
...Não viu que ele me carregava
E a saudade lhe entregava
O aval da imensa dor
E eu que agora moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me trás
E eu que agora......moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me trás"
Acreditar - Ivone Lara e Nilze Carvalho
"O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)
No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval
O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual
Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval"
O dia em que o morro descer e não for carnaval - Wilson das Neves
sexta-feira, 1 de março de 2013
Salve Mestre Wilson, sempre bom voltar a ouvi-lo!
Mais logo no Espaço Brasil, mestre Wilson das Neves. Vamos lá wilsonear!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Carta aberta ao mestre Wilson das Neves
Meu querido Mestre Wilson das Neves,
Estou a escrever-lhe desde Portugal e espero que não leve a mal este meu atrevimento. Só ontem soube, deste lado do Atlântico, a feliz notícia de que o disco 'Pra gente fazer mais um samba' foi considerado o melhor disco de samba nos Prêmios da Música Brasileira. Foi uma grande felicidade conferir essa legitimidade oficial para algo que eu já sabia há muito tempo. Você merece mestre. Já tive o prazer de conversar com o senhor, duas vezes, depois de dois magníficos concertos da Orquestra Imperial aqui em Lisboa. E na última vez que conversámos na concerto do baile da República, em Outubro do ano passado, disse-lhe que já tinha o seu novo cd. Você me amavelmente me agradeceu e chamou o seu agente e lhe disse que eu deveria ser o primeiro comprador, que nem seus parentes tinham comprado ainda. Fico agora muito feliz de ter sido o primeiro de muitos a apreciar, mais uma vez o seu talento, mesmo que tenha sido primeiro em sentido figurado. Continue por muitos anos Mestre. J
"Pra gente fazer mais um samba
Precisa, meu bem, quase nada
Às vezes um vago desejo
De alguma paixão já passada
Às vezes um breve perfume
De alguém que passou na calçada
Às vezes um gosto de orvalho
Que cai na poeira da estrada
Às vezes a doce lembrança
De um nome na folha rasgada
Às vezes a mágoa sem jeito
Que tem toda a alma guardada
Às vezes somente a vontade
Que bate em meu peito calada
O resto já tem no meu peito
Saudade, violão, madrugada"
Pra gente fazer mais um samba - Wilson das Neves
Estou a escrever-lhe desde Portugal e espero que não leve a mal este meu atrevimento. Só ontem soube, deste lado do Atlântico, a feliz notícia de que o disco 'Pra gente fazer mais um samba' foi considerado o melhor disco de samba nos Prêmios da Música Brasileira. Foi uma grande felicidade conferir essa legitimidade oficial para algo que eu já sabia há muito tempo. Você merece mestre. Já tive o prazer de conversar com o senhor, duas vezes, depois de dois magníficos concertos da Orquestra Imperial aqui em Lisboa. E na última vez que conversámos na concerto do baile da República, em Outubro do ano passado, disse-lhe que já tinha o seu novo cd. Você me amavelmente me agradeceu e chamou o seu agente e lhe disse que eu deveria ser o primeiro comprador, que nem seus parentes tinham comprado ainda. Fico agora muito feliz de ter sido o primeiro de muitos a apreciar, mais uma vez o seu talento, mesmo que tenha sido primeiro em sentido figurado. Continue por muitos anos Mestre. J
"Pra gente fazer mais um samba
Precisa, meu bem, quase nada
Às vezes um vago desejo
De alguma paixão já passada
Às vezes um breve perfume
De alguém que passou na calçada
Às vezes um gosto de orvalho
Que cai na poeira da estrada
Às vezes a doce lembrança
De um nome na folha rasgada
Às vezes a mágoa sem jeito
Que tem toda a alma guardada
Às vezes somente a vontade
Que bate em meu peito calada
O resto já tem no meu peito
Saudade, violão, madrugada"
Pra gente fazer mais um samba - Wilson das Neves
sábado, 5 de março de 2011
Porque é Carnaval...
E Carnaval para mim é samba e Rio de Janeiro aqui vai um suspiro sentido de saudade através de um samba de um dos famosos amantes da Estação Primeira, Chico Buarque na companhia do meu padrinho do samba, Wilson das Neves, seu parceiro inseparável.
"Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Quando o samba começava você era a mais brilhante
E se a gente se cansava você só seguia a diante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você me assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade por favor não de na vista
Bate palma com vontade, faz de conta que é turista"
Quem te viu, quem te vê - Chico Buarque
"Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Quando o samba começava você era a mais brilhante
E se a gente se cansava você só seguia a diante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você me assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade por favor não de na vista
Bate palma com vontade, faz de conta que é turista"
Quem te viu, quem te vê - Chico Buarque
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010
"Não ache nada, deixe os outros achar..."

Magnífica entrevista do mestre Wilson das Neves, deliciosa e inspiradora.
Mr. Wilson é o maior baterista brasileiro do século XX
Hoje a Orquestra Imperial toca em Lisboa e entre os grandes nomes desta big band está um dos maiores músicos do Brasil, Wilson das Neves. Um baterista que gravou com Tom Jobim e Sarah Vaughan, um brasileiro que toca há 27 anos com Chico Buarque, um homem para quem Elizete Cardoso costumava cozinhar. Wilson diz que não foi ele que escolheu o samba, foi o samba que o escolheu a ele. Ainda bem.
Quem é Wilson das Neves?
Pergunte a Ed Motta ou a Roberto Carlos. Pergunte a Paul Simon. Consulte as fichas técnicas dos discos de Michel Legrand, Sarah Vaughan, Sylvia Telles. Mister Wilson (como lhe chamava Tom Jobim) é o maior baterista brasileiro do século XX.
Provavelmente, estas páginas são seriam suficientes para incluir a lista de gravações em que participou. "Fala aí um cara... Toquei." Os caras foram mais de 500, e aquele que é para ele "o cara", Chico Buarque, apresenta-o em palco como "o melhor baterista de sempre" ou "o baterista do [seu] coração". Tocam juntos há 27 anos.
Não está sozinho. O realizador Cristiano Abud também considera "o das Neves" o melhor baterista brasileiro de sempre. É dele o documentário O Samba É o Meu Dom, com estreia prevista para o próximo ano, sobre o percurso de Wilson das Neves.
Hoje, regressa a Lisboa com a Orquestra Imperial, uma big band que reúne nomes como Moreno Veloso, Rodrigo Amarante (dos Los Hermanos) ou a actriz da Globo e também cantora Thalma de Freitas. Domenico Lancellotti, um dos fundadores da orquestra, fala de Wilson como "um sábio que esbanja humildade e talento".
O baile é às 21h30 na Fonte Luminosa, com o colectivo português Real Combo Lisbonense. O negócio é dançar!
Como é que descobriu o samba?
Eu não descobri não, o samba é que me descobriu. As coisas é que escolhem a gente. A bateria sempre me fascinou. Nas escolas de música aprendia-se tudo em método americano. A bateria, o americano inventou para tocar a música dele, não para tocar samba. O brasileiro adaptou. Os instrumentos do samba são o pandeiro, o tamborim, o surdo. Fui criado vendo desfile de escola de samba. Minha mãe era baiana, desfilava na escola. A gente já vem naquilo... Meu pai, Flamengo, eu tinha que ser Flamengo. Minha mãe, Império Serrano, eu tinha que ser Império. Você muda de roupa, de mulher, de automóvel, mas de escola de samba, não, é até morrer.
Império Serrano é a escola de samba do bairro Madureira. É o bairro da sua infância?
Não é preciso morar no bairro para ser da escola, é só ser aficionado. Eu nasci no Bairro da Glória, no centro do Rio. Depois mudei-me para São Cristóvão, um bairro de subúrbio. O meu pai trabalhava na [companhia] telefónica, e a minha mãe era doméstica. Tenho três irmãos: dois são bateristas, a minha irmã não é musicista. Eu era obstinado. Queria tocar bateria e fui atrás. Fui estudando, fui indo, não cheguei a lugar nenhum, mas "tou tentando. Sou profissional há 56 anos. Tenho 74, não parece, não?
Não! Um dos seus professores foi Moacir Santos.
Moacir Santos não tem que falar: ele é o tudo. Era um músico extraordinário, professor e amigo, me chamou para tocar com ele. É uma honra, a gente tocar com o professor. Conhece o [álbum] Coisas?
Claro.
Fui eu que gravei, tocando bateria. No Brasil todo o mundo tem ele como ídolo. Tanto como instrumentista, como arranjador, como saber música... Sabia tudo. Jobim, também. Gravei muito com ele, toquei com ele em show. Gravei com qualquer um que você fale aí... Fala!
Chico Buarque, claro. Vinicius, Caetano...
Gil, Bethânia, Gal, Elis Regina, Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Paul Simon, Sarah Vaughan, Paul Mauriat. Chico é um caso à parte, não tem comparação. Ele é "o cara"! O show dele emociona. Outros estão querendo ser, e ele é. É, mas não se acha. Ele acha que é igual a todo o mundo. Aí é que "tá a diferença. E, segundo o samba, "quem acha vive-se perdendo". Não ache nada, deixe os outros achar... Eu não me acho nada. Sou mais um.
Tem-se em tão pouca conta? Toda gente diz que é o melhor baterista do Brasil do século XX.
Sei que tem tanta gente boa, que eu conheço... Vejo nos outros qualidades que não tenho. Não inventei nada, apanhei no ar. Não é falsa modéstia, é assim mesmo: a importância que me dão a mim não é a mim, é ao que faço. A gente está sempre seguindo o caminho dos bons, imitando os bons.
Os músicos que fazem a síntese entre a velha e a jovem guarda apontam-no como o melhor baterista. Toca com a Orquestra Imperial.
Mas não é tudo isso não... Os meninos da Orquestra me põem numa "vitrine" - que nem "vitrine" de armazém de roupa. Eles estão me mostrando, me vendendo, estão me colocando na frente do palco. Sou um baterista essencialmente brasileiro. Toco ritmo dos outros por necessidade.
Qual é o seu ritmo?
É o samba. Como explicar? Criei a minha maneira de tocar ouvindo os outros. É que nem na hora do tempero da comida: bota salsa, bota manjericão, já ficou diferente. Meu negócio é esse: ouvindo os outros, para achar a minha [maneira de tocar].
Que coisas ouvia quando era pequeno e o fizeram querer ser músico?
Ouvia tudo, na rádio. Tango, canções francesas, música portuguesa... Amália Rodrigues, maravilhosa, infelizmente não toquei com ela, que ela não usava bateria! Quando uma pessoa aprende música, sabe que a música se compõe de ritmo, harmonia e melodia. Se não tem as três, não é música. Bem tocado, direito, afinado, bonito, gosto de qualquer instrumento. Música é a voz da alma. É a alma da gente que fala.
Chico Buarque nota que, muitas vezes, o teor da letra e o ritmo da música não coincidem. Por exemplo, num samba da Mangueira, muito festivo, a letra diz: "Não saio do miserê, ai, ai meu Deus, tenha pena de mim"...
É a maneira de cada um cantar o seu sofrimento, a sua desdita. Cartola [ídolo da Mangueira]: um poeta daqueles lavava carro na rua! Até descobrirem ele. Um sujeito que morava no morro. Canta aí tua musiquinha... Ninguém acreditava [no talente dele]. Depois, não é bem assim. Cartola é um dos caras.
No início da carreira, fez parte da Orquestra Nacional e de outras orquestras, que acompanhavam os grandes cantores, como Elizete Cardoso. Que memórias tem desse tempo?
Quando fui para a escola de música, já era para tocar em orquestras. Toquei em orquestra de rádio, de baile, fiz concurso para a sinfónica do teatro municipal. Fiquei três meses lá. Não me pagavam e larguei. Não podia tocar a Tosca do Puccini duro, que me perdoe o Puccini.
Lamenta não ter prosseguido essa via?
Não me arrependi. Se estivesse lá, estava neurasténico, é sempre a mesma coisa; e eu sou cigano, gosto de tocar por aí. O mundo que eu conheço... Já toquei em Moscovo, Japão, na Europa quase toda, Estados Unidos, Cuba. Ouvia tudo o que possa imaginar, mesmo sem entender o idioma. O que me importava era a música, queria descobrir os ritmos. Ouvia no rádio, não tinha vitrola [gira-discos].
Ouvia sozinho? Era um rapaz solitário?
Não, não. Ia muito a bailes. Anos 50, bailes de terno e gravata. Aí, conheci um baterista chamado Bituca, que era o meu ídolo. Como eu não tinha dinheiro para entrar no baile, ajudava-o a levar o instrumento e ficava lá dentro. Dançando. Quando acabava o baile, ajudava a desmontar e ia embora. Até que um dia ele perguntou: "Você não gosta de bateria?" Me levou para a escola. Então, eu ia no baile, fazia na mesma, só que, em vez de dançar, ficava sentado no pé dele, acompanhando a partitura, "onde é que está?" Foi assim que aprendi.
Como é que deu o salto para a prática?
Na hora em que a orquestra ia descansar, no lanche, eu ficava tocando um sambinha-canção. Depois, ele saiu da orquestra, e eu fiquei. Bituca é que me inventou! Tudo a que não podia ir, mandava me chamar. Quando ele tinha dois trabalhos, "chama o Wilson". "Vê lá se eu posso tocar..." "Pode, senão não mandava chamar." Fui indo, indo, indo, até agora, em que estou aqui com você falando de bateria.
Nas orquestras da rádio tocava o quê?
Samba-canção, bolero, tango, fox-trot, dependendo do cantor. Elizete, trabalhei 20 anos com ela.
Elizete era uma espécie de Amália do Brasil.
Eram amigas. Era "a divina", "a iluminada", ? a enluarada" - tinha esses títulos todos. Ela ia para minha casa cozinhar para mim, se você quer saber...
E porquê?
Porque era minha amiga, porque gostava de mim! Você ia na minha casa, e ela estava de pano na cabeça, de shorts, fazendo comida. A gente contava anedota, falava da vida. O Chico, o Buarque, vai na minha casa. De vez em quando, se faz um almoço lá.
Quando João Gilberto apareceu com Chega de Saudade, em 1958, foi uma grande revolução. Sentiu isso?
Era uma nova maneira de cantar, mais moderna... Mas, no fundo, revolução nada! Isso é rótulo para vender. Cerveja: cada um bota o rótulo que quer, mas não é tudo cerveja? Não tinha nada de mais: é samba! Gravei com João Gilberto, com Tom Jobim. Mas eu tocava do mesmo jeito.
Nunca pensou ir para os Estados Unidos e fazer carreira lá, como Sérgio Mendes, Moacir Santos ou Tom Jobim?
Não sou comunista, sou brasileiro. Mas não gosto do sistema deles [americanos]. Vou lá, já cantei, já toquei, mas não é minha praia. São muito prepotentes. São donos do mundo, menos do Wilson das Neves! Jobim ficou lá, mas com saudades da cerveja brasileira. "Ó Mister Wilson - ele me chamava de Mister Wilson -, nos Estados Unidos é muito bom, mas não tem uísque falsificado! Ninguém põe água no leite!" É uma forma de dizer as falcatruas que se fazem...
Quando tocou com Eumir Deodato (que depois foi produtor da Björk) ou Michel Legrand, foi no Brasil, e não em temporadas nos Estados Unidos?
O Eumir foi no Brasil, com Os Catedráticos e Os Gatos, antes de ele ir para os Estados Unidos. O Michel Legrand fez uma temporada com a Orquestra Brasileira e levou os arranjos para música de filmes. Era para o Bituca, esse meu ídolo, fazer; ele não quis, "chama o Wilson". Moacir vivia nos Estados Unidos, mas estava sempre indo para o Brasil tomar a cachacinha dele...
Bebia-se muito e fumava-se muita maconha...
Quando comecei, não tinha. Nem ouvia falar. O charme do músico era beber uísque, fumar cigarro americano, de terno e gravata. Maconha era a droga da favela e a cocaína era do asfalto.
Gravou discos instrumentais em 68, 69, Wilson das Neves e o Seu Conjunto - Juventude 2000 e Som Quente É o das Neves. Mais recentemente gravou composições suas e tem um disco novo: P"ra Gente Fazer mais Um Samba.
Em 1997 me convidaram para gravar um disco instrumental. Não quis. Já gravei e não acontece nada! Vivo no Brasil e ninguém conhece os meus discos. Vou no Japão e todo o mundo tem o meu disco.
Os seus vinis, de prensagem original, custam uma fortuna.
Eu sei, e nunca recebi um tostão! Mas deixa na mão na Deus. Não corro atrás de dinheiro. Tenho tudo o que quero. Ninguém dá atenção a disco instrumental, só músico. O povão não toma conhecimento.
O que é que o fez gravar um disco com músicas suas, onde também canta?
Tinha as minhas músicas, inclusive com Chico, com João Bosco. A minha ideia não era cantar. Mas eles falaram: "Vamos gravar, que músicas boas!" Foi assim que cantei. Com 60 anos fui revelação de sambista! Incoerência. Ganhei Prémio Sharp, fui indicado para o Grammy Latino. No disco novo, são composições minhas e tudo é cantado. Vamos tocar no concerto de Lisboa.
Falamos a uns dias das eleições no Brasil. Vai votar?
Se puder, voto na embaixada do Brasil em Lisboa. Tomara que as pessoas escolham a pessoa certa para continuar o trabalho, o progresso. Há oito anos que a gente vem crescendo. O país está rico, está emprestando dinheiro! Mas o povo, uma parte do povo, continua pobre. Outra parte, "tá classe média. Todo o mundo tem geladeira, automóvel. Vou votar no candidato do Lula, lógico. Quem chegou antes, sabe como era e vê como está. Se me decepcionar, é outra história.
04.10.2010
Por: Anabela Mota Ribeiro
Jornal Ípsilon
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Clássicos do samba carioca
1. Lupicínio Rodrigues aqui em dueto com Paulinho da Viola contando a história do seu sucesso "Nervos de Aço"
2. O grande mestre da Estação Primeira, Jamelão, com outro grande fã da Mangueira, Chico Buarque.
3. Grande Cartola com Leci Brandão em mais uma homenagem à escola verde e rosa.
4. Lindo também e imperdível é o dueto de Argemiro do Patrocínio, ou da Portela, com Marisa Monte que, infelizmente não dá para incorporar mas que se pode ver aqui
5. Pixinguinha, Baden Powel e João da Baiana, interpretando "Lamento"
6. Noel Rosa e o maravilhoso "Último Desejo" aqui interpretado pelo meu querido Wilson das Neves.
7. E não sendo carioca mas paulista, também merece estar aqui, Adoniran Barbosa num pout-pourri (adoro esta expressão!) delicioso com Elis Regina.
8. E para finalizar, a grande Elizeth Cardoso, que gravou o primeiro disco associado aos primórdios da Bossa Nova, aqui com a louca Elza Soares e depois com Nelson Cavaquinho a cantarem a magnífica "A flor e o espinho" ("Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor, hoje pra vocÊ eu sou o espinho, e espinho não machuca flor, eu só errei quando juntei minh'alma à sua,o sol não pode viver perto da lua").
Bendito Youtube!!
2. O grande mestre da Estação Primeira, Jamelão, com outro grande fã da Mangueira, Chico Buarque.
3. Grande Cartola com Leci Brandão em mais uma homenagem à escola verde e rosa.
4. Lindo também e imperdível é o dueto de Argemiro do Patrocínio, ou da Portela, com Marisa Monte que, infelizmente não dá para incorporar mas que se pode ver aqui
5. Pixinguinha, Baden Powel e João da Baiana, interpretando "Lamento"
6. Noel Rosa e o maravilhoso "Último Desejo" aqui interpretado pelo meu querido Wilson das Neves.
7. E não sendo carioca mas paulista, também merece estar aqui, Adoniran Barbosa num pout-pourri (adoro esta expressão!) delicioso com Elis Regina.
8. E para finalizar, a grande Elizeth Cardoso, que gravou o primeiro disco associado aos primórdios da Bossa Nova, aqui com a louca Elza Soares e depois com Nelson Cavaquinho a cantarem a magnífica "A flor e o espinho" ("Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor, hoje pra vocÊ eu sou o espinho, e espinho não machuca flor, eu só errei quando juntei minh'alma à sua,o sol não pode viver perto da lua").
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Orquestra Imperial!!!!!!
Fim de semana do Delta Tejo, foi também fim de semana da Orquestra Imperial, final de semana mesmo!!! Concerto no sábado à noite e direito a encore na tarde de domingo, intercalado pelo Festival Panda que me fez perder o encore do grande mestre Wilson das Neves mas que me presenteou com mais uma tarde magnífica com o meu incrível sobrinho. Sábado foi o dia formal mas com direito a conversa e provocações ao mestre Wilson das Neves e Moreno Veloso, essa instituição! O domingo deu para tentar acompanhar o samba do grande Moreno Veloso, o cara samba pra c...! Domingo foi dia de quebrar todas as convenções e foi um fim de tarde perfeito.
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