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sexta-feira, 24 de novembro de 2017
As canções de Roberto encontram o fado
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Carminho e Tom Jobim
A música contemporânea portuguesa tem dado umas cantadas à música brasileira e isso está fazendo muito bem à cultura dos dois países. Depois do António Zambujo ter lançado a sua interpretação das canções de Chico Buarque, é lançado oficialmente hoje o novo trabalho da Carminho que decidiu mergulhar no vasto repertório do maestro Anónio Carlos Jobim e demonstrar, mais uma vez, que o fado também sabe cantar bossa nova.
Fico feliz de ver artistas consagrados brasileiros a apadrinhar ativamente estes trabalhos com as suas participações. O filho Paulo Jobim acompanha a Carminho com o seu violão em todas as músicas e há três duetos, no tema "Estrada do sol" com Marisa Monte, Chico Buarque canta "Falando de Amor" e tem ainda Maria Bethânia que partilha a linda "Modinha".
Fico feliz de ver artistas consagrados brasileiros a apadrinhar ativamente estes trabalhos com as suas participações. O filho Paulo Jobim acompanha a Carminho com o seu violão em todas as músicas e há três duetos, no tema "Estrada do sol" com Marisa Monte, Chico Buarque canta "Falando de Amor" e tem ainda Maria Bethânia que partilha a linda "Modinha".
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Infinita ilusão
Foi ontem o concerto tão esperado em que a Marisa Monte, de volta a Portugal, convidava a fadista Carminho para o seu concerto no idílico palco dos Jardins do Marquês de Pombal em Oeiras. Já perdi a conta às vezes que vi Marisa Monte, acho que só falhei um concerto desde que ela começou a vir a Portugal mas não me farto nem nunca me vou fartar de a ver e ouvir. Lembro-me de todos mas lembro-me especialmente de dois, o da tournée "Barulhinho Bom" com o Coliseu dos Recreios à pinha, muito além da lotação, como era habitual antes das cadeiras da geral, onde ela caiu do palco a dançar, subiu rapidamente, contionuou a música até ao fim e no final pediu desculpa e disse, "acontece".
O outro foi o magnífico show da tournée, "Memórias, crónicas e declarações de amor", vi duas vezes esse concerto. Concerto irrepreensível! Banda incrível, os arranjos das canções primorosos, uma energia extraordinária comungada por todos os músicos e que passou, espontânea e organicamente, para todo público na plateia.
Este foi especial por promover esta comunhão cultural de dois países que falam a mesma língua e partilham muitos aspetos sociais e culturais e que, por isso, deveria ser algo muito nartural mas que, infelizmente, continua a ser tão raro. Mesmo assim, este novo fôlego do fado levou a cultura portuguesa ao Brasil e encantou novamente uma elite cultural que tem, altruística e até carinhosamente, divulgado, promovido e popularizado esta nova geração de artistas lusos.
Foi bonito, muito bonito mesmo, apesar do frio de uma noite de Verão, do vento que prejudicava o som, da voz da Marisa não estar nos melhores dias e até do pouco à vontade da Carminho que, há poucos anos atrás, nem sequer sonhava algum dia poder cantar com álguém que deve ter começado a admirar muito cedo.
Mesmo assim foi lindo e um dos momentos altos foi quando partilharam o fado, "Saudades do Brasil em Portugal", poema que foi escrito pelo Vinícius de Moraes numa das suas passagens por Lisboa a caminho de Roma e que o ofereceu à Amália Rodrigues. Eu juro que, nesse momento, eu ouvi e senti a cuíca e a guitarra a chorarem de emoção numa harmonia notável e comovente. Bastava isso para valer a pena mas houve muito mais coisas que vão ficar na memória e nas emoções de quem lá esteve. Muito provavelmente não se editará nenhum registo deste momento, o que é pena mas, para quem lá esteve e que fez questão de não arredar pé enquanto se percebesse que elas ainda poderiam voltar ao palco, com certeza quer não irão esquecer esta noite. Saudades, desde já.
O outro foi o magnífico show da tournée, "Memórias, crónicas e declarações de amor", vi duas vezes esse concerto. Concerto irrepreensível! Banda incrível, os arranjos das canções primorosos, uma energia extraordinária comungada por todos os músicos e que passou, espontânea e organicamente, para todo público na plateia.
Este foi especial por promover esta comunhão cultural de dois países que falam a mesma língua e partilham muitos aspetos sociais e culturais e que, por isso, deveria ser algo muito nartural mas que, infelizmente, continua a ser tão raro. Mesmo assim, este novo fôlego do fado levou a cultura portuguesa ao Brasil e encantou novamente uma elite cultural que tem, altruística e até carinhosamente, divulgado, promovido e popularizado esta nova geração de artistas lusos.
Foi bonito, muito bonito mesmo, apesar do frio de uma noite de Verão, do vento que prejudicava o som, da voz da Marisa não estar nos melhores dias e até do pouco à vontade da Carminho que, há poucos anos atrás, nem sequer sonhava algum dia poder cantar com álguém que deve ter começado a admirar muito cedo.
Mesmo assim foi lindo e um dos momentos altos foi quando partilharam o fado, "Saudades do Brasil em Portugal", poema que foi escrito pelo Vinícius de Moraes numa das suas passagens por Lisboa a caminho de Roma e que o ofereceu à Amália Rodrigues. Eu juro que, nesse momento, eu ouvi e senti a cuíca e a guitarra a chorarem de emoção numa harmonia notável e comovente. Bastava isso para valer a pena mas houve muito mais coisas que vão ficar na memória e nas emoções de quem lá esteve. Muito provavelmente não se editará nenhum registo deste momento, o que é pena mas, para quem lá esteve e que fez questão de não arredar pé enquanto se percebesse que elas ainda poderiam voltar ao palco, com certeza quer não irão esquecer esta noite. Saudades, desde já.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
"A correr"
"Corre a gente decidida
Pra ter a vida que quer
Sem repararmos que a vida
Passa por nós a correr
Às vezes até esquecemos
Nessa louca correria
Porque motivo corremos
E para onde se corria
Buscando novos sabores
Corre-s'atrás de petiscos
Quem corre atrás de valores
Corre sempre grandes riscos
E dá pra ser escorraçado
Correr de forma dif'rentre
Há quem seja acorrentado
Por correr contr'a corrente
Num constante corropio
Já nem sequer nos ocorre
Que a correr até o rio
Chegand'o mar também morre
Vou atrás do prejuiso
Vou à frente d'ameaça
Morremos sem ser preciso
E a Correr, a vida passa
Percurrendo o seu caminho
Correndo atrás do sentido
há quem dance o corridinho
Eu canto o fado corrido
E o que me ocorre agora
Pra não correr qualquer p'rigo
É correr daqui pra fora
Antes que corram comigo
Vou correr daqui pra fora
Antes que corram comigo"
A correr - Camané
terça-feira, 14 de julho de 2015
A Amália continua a encantar
Vai sair no próximo dia 17 de Julho o disco, "Amália: As vozes do fado", produzido pelo cineasta luso-francês Ruben Alves, autor do filme "A Gaiola Dourada". O Projeto tem associado ainda um documentário sobre o Fado assinado também pelo Ruben Alves e com estreia marcada para o final de 2015.
O disco reúne os fadistas contemporâneos Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Camané, Gisela João, Ricardo Ribeiro e as participações especiais de Bonga, Caetano Veloso, Mayra Andrade e Javier Limón.
Além disso, a capa do disco tem por base um trabalho idealizado pelo artista plástico Vhils e executado em parceria com a equipa de calceteiros de Lisboa, autores e zeladores de um dos principais patrimônios iconográficos de Lisboa.
O disco reúne os fadistas contemporâneos Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Camané, Gisela João, Ricardo Ribeiro e as participações especiais de Bonga, Caetano Veloso, Mayra Andrade e Javier Limón.
Além disso, a capa do disco tem por base um trabalho idealizado pelo artista plástico Vhils e executado em parceria com a equipa de calceteiros de Lisboa, autores e zeladores de um dos principais patrimônios iconográficos de Lisboa.
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segunda-feira, 8 de junho de 2015
O frevo também encontrou o fado
O pernambucano Alceu Valença convidou a fadista Carminho para um dueto que gravaram no último disco deste cantor que foi lançado no ano passado, chamado "Amigo da arte". O tema escolhido chama-se "Recife" e é uma clara homenagem ao Carnaval mais famoso do nordeste do Brasil. O Carnaval do Frevo e dos ritmos maracatus.
è mais uma conexão feliz onde estilos musicais tão diferentes se sintonizam e criam algo que é muito mais valioso que a somoa aritmética das partes.
"Ôô Saudade, saudade tão grande
Saudade que sinto do club das fardas
Os vassouras pacistas traçando
Tesouras nas ruas dos poetas de lá
Batidas de congos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar
Ôô Saudade, saudade tão grande
Saudade que sinto do club das fardas
Os vassouras pacistas traçando
Tesouras nas ruas repletas de lá
Batidas de bongos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar
Que adianta
Se o Recife está longe
A saudade é tão grande
Que eu até me embaraço
Parece que vejo Valfrido
Simulando um passo
Aroldo, Fatia e Colasso
Recife está dentro de mim
Batidas de congos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar..."
Recife - Alceu Valença e Carminho
è mais uma conexão feliz onde estilos musicais tão diferentes se sintonizam e criam algo que é muito mais valioso que a somoa aritmética das partes.
"Ôô Saudade, saudade tão grande
Saudade que sinto do club das fardas
Os vassouras pacistas traçando
Tesouras nas ruas dos poetas de lá
Batidas de congos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar
Ôô Saudade, saudade tão grande
Saudade que sinto do club das fardas
Os vassouras pacistas traçando
Tesouras nas ruas repletas de lá
Batidas de bongos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar
Que adianta
Se o Recife está longe
A saudade é tão grande
Que eu até me embaraço
Parece que vejo Valfrido
Simulando um passo
Aroldo, Fatia e Colasso
Recife está dentro de mim
Batidas de congos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar..."
Recife - Alceu Valença e Carminho
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Carradas de talento
Agir, de seu nome, filho de uma grande peixe da música portuguesa, Paulo de Carvalho, e sabe nadar muito. Esta interpretação da música "Meu fado meu" popularizado pela Mariza é uma demonstração cabal do seu talento.
Curiosamente, não sabia, este tema é do seu pai que o ofereceu à Mariza. Recomendo que ouçam este tema e esta interpretação com toda a atenção e sem qualquer tipo de preconceito musical. Brilhante.
Curiosamente, não sabia, este tema é do seu pai que o ofereceu à Mariza. Recomendo que ouçam este tema e esta interpretação com toda a atenção e sem qualquer tipo de preconceito musical. Brilhante.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Parabéns à música e cultura portuguesa!
Três anos depois do Fado o Cante Alentejano também já é Patrimônio Imaterial da Unesco. Honra seja feita ao António Zambujo que o tem trazido para a ribalta.
António Zambujo - "Pelo toque da viola" from Tiago Pereira on Vimeo.
"Ó luar da meia-noite
Não digas à minha amada
Que eu passei à rua dela
Às quatro da madrugada
Pelo toque da viola,
Já sei as horas que são.
Ainda não é meia-noite,
Já te dei um bom serão!
Já te dei um bom serão,
Vai dormir vai descansar,
Vai dormir vai descansar,
Amor do meu coração!
Suspirava por te ver,
Já matei a saudade,
Uma ausência custa muito,
A quem ama com verdade!"
Pelo toque da viola - António Zambujo
"Fui à fonte beber água
Achei um raminho verde
Quem o perdeu tinha amores
Quem o perdeu tinha amores
Quem o achou tinha sede
Dá-me uma gotinha d’água
dessa que eu oiço correr,
entre pedras e pedrinhas
entre pedras e pedrinhas
alguma gota há-de haver
Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola
Quero cantar como a rola
Como a rola ninguém canta
Debaixo da oliveira
Não se pode namorar
Porque a folha miudinha
Porque a folha miudinha
Não deixa passar o ar
Dá-me uma gotinha d’água
dessa que eu oiço correr,
entre pedras e pedrinhas
entre pedras e pedrinhas
alguma gota há-de haver
Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola
Quero cantar como a rola
Como a rola ninguém canta"
Gotinha de água - António Zambujo e Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento
António Zambujo - "Pelo toque da viola" from Tiago Pereira on Vimeo.
"Ó luar da meia-noite
Não digas à minha amada
Que eu passei à rua dela
Às quatro da madrugada
Pelo toque da viola,
Já sei as horas que são.
Ainda não é meia-noite,
Já te dei um bom serão!
Já te dei um bom serão,
Vai dormir vai descansar,
Vai dormir vai descansar,
Amor do meu coração!
Suspirava por te ver,
Já matei a saudade,
Uma ausência custa muito,
A quem ama com verdade!"
Pelo toque da viola - António Zambujo
"Fui à fonte beber água
Achei um raminho verde
Quem o perdeu tinha amores
Quem o perdeu tinha amores
Quem o achou tinha sede
Dá-me uma gotinha d’água
dessa que eu oiço correr,
entre pedras e pedrinhas
entre pedras e pedrinhas
alguma gota há-de haver
Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola
Quero cantar como a rola
Como a rola ninguém canta
Debaixo da oliveira
Não se pode namorar
Porque a folha miudinha
Porque a folha miudinha
Não deixa passar o ar
Dá-me uma gotinha d’água
dessa que eu oiço correr,
entre pedras e pedrinhas
entre pedras e pedrinhas
alguma gota há-de haver
Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola
Quero cantar como a rola
Como a rola ninguém canta"
Gotinha de água - António Zambujo e Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Chuva
Depois de um dia horrível de chuva não deixa de ser irónico ter uma música que fala de chuva para alegrar a noite.
"Chuva no mar" é a belíssima música que junta Carminho e Marisa Monte e que faz parte do novo álbum da fadista portuguesa. Venham mais partilhas e parcerias felizes destas que atravessam e juntam o Atlântico ao mesmo tempo e que nos fazem tão bem.
"Coisas transformam-se em mim,
É como chuva no mar,
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar,
Um corpo sopro no ar
Com um nome p’ra chamar,
É só alguém batizar,
Nome p’ra chamar de
Nuvem, vidraça, varal,
Asa, desejo, quintal,
O horizonte lá longe,
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar,
Te invade sem parar,
Te transforma sem ninguém notar,
Frases, vozes, cores,
Ondas, frequências, sinais,
O mundo é grande demais.
Coisas transformam-se em mim,
Por todo o mundo é assim.
Isso nunca vai ter fim."
Chuva no mar - Carminho e Marisa Monte
"Chuva no mar" é a belíssima música que junta Carminho e Marisa Monte e que faz parte do novo álbum da fadista portuguesa. Venham mais partilhas e parcerias felizes destas que atravessam e juntam o Atlântico ao mesmo tempo e que nos fazem tão bem.
"Coisas transformam-se em mim,
É como chuva no mar,
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar,
Um corpo sopro no ar
Com um nome p’ra chamar,
É só alguém batizar,
Nome p’ra chamar de
Nuvem, vidraça, varal,
Asa, desejo, quintal,
O horizonte lá longe,
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar,
Te invade sem parar,
Te transforma sem ninguém notar,
Frases, vozes, cores,
Ondas, frequências, sinais,
O mundo é grande demais.
Coisas transformam-se em mim,
Por todo o mundo é assim.
Isso nunca vai ter fim."
Chuva no mar - Carminho e Marisa Monte
Canto
É este o nome do terceiro álbum da fadista Carminho este tema, "Saia rodada" é o tema escolhido para aprtesentar o disco.
Não ouvi ainda o disco todo mas gostei do que ouvi até agora. destaco o dueto com a Marisa Monte, "Chuva no mar".
O disco conta ainda com diversas colaborações, entre elas o maestro Jaques Morelenbaum.
Não ouvi ainda o disco todo mas gostei do que ouvi até agora. destaco o dueto com a Marisa Monte, "Chuva no mar".
O disco conta ainda com diversas colaborações, entre elas o maestro Jaques Morelenbaum.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014
O primeiro Grammy português
É hoje que o fadista Carlos do Carmo recebe o primeiro Grammy entregue a um artista português. Não quero, de nenhuma maneira, diminuir e desvalorizar este feito apesar de achar que outros já o tivessem também merecido. Para mim, este reconhecimento tem ainda mais valor por isso, porque representa o reconhecimento não só da carreira individual fantástica do Carlos do Carmo mas também deposita nele e neste reconhecimento uma homenagem a todos os outros que não tiveram oportunidaee de ganhar a mesma distinção.
É uma homenagem também ao fado e a Lisboa pois estas são duas dimensões que se confundem naturalmente com o artista como se não exitissem umas sem as outras.
Por isso escolho o tema "Um homem na cidade" com um poema maravilhosos de mais uma personagem do fado e de Lisboa, Ary dos santos e música de José Luis Tinoco, um compositor marcante da música portuguesa dos últimos 40 anos.
Junto também uma homenagem muito bonita que a Rádio Comercial fez juntando diversos cantores para interpretar outra homenajem do Carlos do carmo à sua e nossa Lisboa, um tesouro inestimável.
"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem."
Um homem na cidade - Carlos do Carmo
"No castelo ponho o cotovelo
Em Alfama descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
A almofada da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade amor da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
A aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa do amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida"
Lisboa menina e Moça - Carlos do Carmo
É uma homenagem também ao fado e a Lisboa pois estas são duas dimensões que se confundem naturalmente com o artista como se não exitissem umas sem as outras.
Por isso escolho o tema "Um homem na cidade" com um poema maravilhosos de mais uma personagem do fado e de Lisboa, Ary dos santos e música de José Luis Tinoco, um compositor marcante da música portuguesa dos últimos 40 anos.
Junto também uma homenagem muito bonita que a Rádio Comercial fez juntando diversos cantores para interpretar outra homenajem do Carlos do carmo à sua e nossa Lisboa, um tesouro inestimável.
"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem."
Um homem na cidade - Carlos do Carmo
"No castelo ponho o cotovelo
Em Alfama descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
A almofada da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade amor da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
A aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa do amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida"
Lisboa menina e Moça - Carlos do Carmo
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Fado do ladrão enamorado versão bossa já tem videoclipe
Está lindo o videoclipe do Pierre Aderne, aguardo ansiosamente a saida do álbum.
Imagens do Rio causam sempre uma emoção e uma saudade especial. Meu Rio!
Imagens do Rio causam sempre uma emoção e uma saudade especial. Meu Rio!
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terça-feira, 15 de julho de 2014
Bossa e fado em pura sintonia
Primeiro single do novo disco do Pierre Aderne, "Caboclo", que sairá em Setembro, uma adaptação à bossa do lindo tema do Rui Veloso e Carlos Tê, "Fado do ladrão enamorado".
O Pierre fez um depoimento bastante curioso acerca da decisão de gravar este tema:
"Já havia gravado o disco todo, em janeiro fui passar o mês inteiro no rio de janeiro, numa das noites sai com a amiga e cantora algarvia Susana Travassos...entre um e outro choppinho no leblon, Susana disse-me: " tive uma luz agora! vou cantar uma música para você e tenho certeza que vais grava-la! " ...começou a cantar ali mesmo na mesa do bar à capela ... achei que era um samba "lado b" de Paulinho da Viola, Cartola ou Noel Rosa, quando acabou disse-me : " trata-se um clássico de Carlos Tê e Rui Veloso, corri no dia seguinte para casa da amiga Celia Vaz (a professora de violão e harmonizadora #1 da bossa nova) , harmonizamos em bossa o tema, cheguei de volta a lisboa já com algumas coisas gravadas, mandei para Tê e Veloso, recebi a benção de ambos e pronto! Não me canso de cantar..."Fado do ladrão enamorado."
O que o chopp e o Rio podem provocar...
"Vê se pões a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
E se alguem perguntar
Dizes que eu a comprei
Ninguem precisa saber
Que foi por ti que a roubei
E se alguém desconfiar
Porque não tenho um tostão
Dizes que é uma vulgar
Joia de imitação
Nunca fui grande ladrão
Nunca dei golpe perfeito
Acho que foi a paixão
Que me aguçou o jeito
Por isso põe a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote"
Fado do ladrão enamorado - Pierre Aderne (autores Rui Veloso e Carlos Tê)
O Pierre fez um depoimento bastante curioso acerca da decisão de gravar este tema:
"Já havia gravado o disco todo, em janeiro fui passar o mês inteiro no rio de janeiro, numa das noites sai com a amiga e cantora algarvia Susana Travassos...entre um e outro choppinho no leblon, Susana disse-me: " tive uma luz agora! vou cantar uma música para você e tenho certeza que vais grava-la! " ...começou a cantar ali mesmo na mesa do bar à capela ... achei que era um samba "lado b" de Paulinho da Viola, Cartola ou Noel Rosa, quando acabou disse-me : " trata-se um clássico de Carlos Tê e Rui Veloso, corri no dia seguinte para casa da amiga Celia Vaz (a professora de violão e harmonizadora #1 da bossa nova) , harmonizamos em bossa o tema, cheguei de volta a lisboa já com algumas coisas gravadas, mandei para Tê e Veloso, recebi a benção de ambos e pronto! Não me canso de cantar..."Fado do ladrão enamorado."
O que o chopp e o Rio podem provocar...
"Vê se pões a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
E se alguem perguntar
Dizes que eu a comprei
Ninguem precisa saber
Que foi por ti que a roubei
E se alguém desconfiar
Porque não tenho um tostão
Dizes que é uma vulgar
Joia de imitação
Nunca fui grande ladrão
Nunca dei golpe perfeito
Acho que foi a paixão
Que me aguçou o jeito
Por isso põe a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote"
Fado do ladrão enamorado - Pierre Aderne (autores Rui Veloso e Carlos Tê)
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
Encontros Atlânticos
quinta-feira, 14 de março de 2013
Sina
"Reza-te a sina
Nas linhas traçadas na palma da mão
Que duas vidas
Se encontram cruzadas
No teu coração
Sinal de amargura
De dor e tortura
De esperança perdida
Indício marcado
De amor destroçado
Na linha da vida
E mais te reza
Na linha do amor
Que terás de sofrer
O desencanto ou leve dispor
De uma outra mulher
Já que a má sorte assim quis
A tua sina te diz
Que até morrer terás de ser
Sempre infeliz
Não podes fugir
Ao negro fado brutal
Ao teu destino fatal
Que uma má estrela domina
Tu podes mentir
às leis do teu coração
Mas ai quer queiras quer não
Tens de cumprir a tua sina
Cruzando a estrada
da linha da vida
Traçada na mão
Tens uma cruz a afeição mal contida
Que foi uma ilusão
Amor que em segredo
Nasceu quase a medo
Para teu sofrimento
E foi essa imagem a grata miragem
Do teu pensamento
E mais ainda te reza o destino
Que tens de amargar
Que a tua estrela de brilho divino
Deixou de brilhar
Estrela que Deus te marcou
Mas que bem pouco brilhou
E cuja luz aos pés da cruz
Já se apagou"
Sina - Hermínia Silva, versões de Camané e Dulce Pontes
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Apeteceu-me
Além de ser lindo, é actual face à decisão que se vai tomar este fim de semana para tornar o fado património cultural imaterial da Unesco. Esta é uma magnífica demonstração da universalidade e da versatilidade do fado. Amo este momento.
domingo, 22 de novembro de 2009
Um dos concertos da minha vida
Saí sozinho, sem destino, era a noite do concerto de Los Hermanos no Musicais e enquanto não me decidia a encarar sozinho os Hermanos, algo me puxou para Belém e foi uma noite inesquecível com três momentos marcantes, fruto de três fados apaixonantes, valorizados pela interpretação emocionante e arrepiante da Mariza. Mesmo assim com muita pena de ter falhado o concerto dos Los Hermanos.
Antes eram os Madredeus que tinham a exclusividade de me acompanharem nas primeiras horas no estrangeiro, agora partilham esse apoio com a Mariza.
Antes eram os Madredeus que tinham a exclusividade de me acompanharem nas primeiras horas no estrangeiro, agora partilham esse apoio com a Mariza.
Fados - Carlos Saura
Na sequência do "Tango", "Sevilhanas" e "Flamenco", Carlos Saura criou um filme dedicado ao fado do qual faz parte este ambiente de fado delicioso e esta "conversa" entre o Chico Buarque e o Carlos do Carmo. Pode-se ainda descobrir a Cuca Roseta, uma voz doce irresistível e a cantar um dos meus fados preferidos. Recomendo.
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