Mostrar mensagens com a etiqueta Tom Jobim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tom Jobim. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de julho de 2018

"Há 60 anos, o samba ganhava uma 'bossa nova'"

Share
Este é o título da crónica do jornalista Gabriel Saboia para assinalar o 60º aniversário do nascimento de um novo estilo musical na música popular brasileira, uma nova bossa. De facto, esta nova abordagem à música não nasceu isolada mas  foi sim uma evolução nos estilos musicais já existente no panorama vasto e risxco da música que se fazia já no Brasil e ainda com influências assumidas e latentes da música americana e do jazz.
Em 1963, o crítico José Ramos Tinhorão dizia, "Filha de aventuras secretas de apartamento com a música norte-americana - que é inegavelmente a sua mãe - a bossa nova vive até hoje o mesmo drama de tantas crianças de Copacabana: não sabe que é o pai", conforme refere uma crónica que também asssinala a data na Folha de São Paulo.
A data que oficialmente assinala o nascimento da bossa nova é o dia de lançamento do disco "Chega de Saudade" de João Gilberto e que posteriormente foi considerado o marco mais representativo para assinalar o nascimento deste movimento cultural que, por ter nascido fruto da colaboração e partilha espontânea e desiteressada de um vasto número de artistas, compositores e poetas, não teve um nascimento oficial mas, em oposição, uma génese natural, orgânica e florescente fruto do ambiente que o boêmio Rio de Janeiro da altura proporcionou.
A música que dá nome ao disco é uma criação de António Carlos Jobim e do poeta Vinícius de Moraes e a interpretação e o acompanhamento ao violão de João Gilberto, condensa em si uma grande parte da essência desta nova música e muito se deve a estes três a consolidação e a internacionalização até deste estilo, sem desprimor para todos os outros que contribuiram e que com legitimidade também deve ser considerados protagonistas da criação. Sem a voz, os acordes e o dedilhar do violão único de João Gilberto, a cultura musical ao mesmo tempo eclética e erudita de Tom Jobim e a boêmia malanda aliada a uma fé inabalável e ingénua no amor do poetinha seria impossível que este estilo músical reunisse tantas músicas tão cheias de ternura e afetos, com uma simplicidade só digna de génios. Uma música tão incrivelmente intemporal e que nos transporta tão rapidamente para o maravilhoso Rio de Janeiro.


Crónica Globo
Crónica Folha de São Paulo

terça-feira, 3 de julho de 2018

Simplesmente Simone

Share
A cantora Simone Bittencourt de Oliveira ou, simplesmente, Simone como é conhecida, foi uma das minhas primeiras paixões musicais e uma das grandes influências que, de uma forma profunda e duradoura, formou o meu gosto musical para a vida.
A sua voz incrível e a sua interpretação única do que cantava faziam porprocionavam uma fórmula única e distintiva que lhe conferiu um lugar de destaque no universo das intérpretes femininas da mpb, apesar da musculada concorrência e da diversidade de vozes femininas de elevada qualidade que estavam no auge quando ela surgiu, nomeadamente, Gal Costa, Elis Regina, Maria Bethânia e Clara Nunes e sem colocar aqui a anterior geração surgida do samba canção e que ganhou consistência com o surgimento da bossa nova.
Não foi apenas a sua fórmula que me seduziu, o que cantava e continua a cantar também foi relevante, a Simone é uma intérprete que não compõe as músicas que canta e o seu cancioneiro é vasto e diversificado. Apesar de ser, reconhecidamente uma cantora de música romântica, a sua carreira demonstra um reportório muito mais vasto e eclético, samba, música popular, música de intervenção até, são estilos que, reconhecidamente, lhe são associados.
E esse facto foi também a minha sorte, as cassetes que gravava dos vinis de uma tia mais velha de um amigo da escola, colega desde a primária, fizeram-me descobrir Gonzaguinha, Milton Nascimento, Ivan Lins, Paulinho da Viola, Tom Jobim, Lupicínio Rodrigues, Pixinguinha e tantos outros, através da sua forma de interpretar estes grandes astros da mpb.
É a Simone que me apresenta também a lógica dos samba enredos pois, numa fase da sua carreira, cada disco continha pelo menos um samba emblemático.
Há inúmeras músicas que fazem parte de momentos determinantes da minha vida mas há uma que já não ouvia há muito tempo e que ouvi por acaso hoje que se chama "Raios de luz".
É um tema enternecedor e com um poema deliciosa pela simplicidade que contém. E lembro-me também que no disco onde tenho essa música, uma coletânea de sucessos chamada "Sou eu" a seguir a este tema surge "Carinhoso" a maravilhosa música do Pixinguinha que é quase um hino não oficial do Brasil. Música que eu sempre amei e que ganhou uma importância especial e única na minha vida recente pois foi a música que nos acompanhou quando casámos.
Sempre achei que uma não podia viver sem outra apesar de perceber depois que esta sequência era apenas um feliz acaso. No entanto felizes acasos destes merecem tornar-se inesquecíveis.





"Você chegou e iluminou o meu olhar
Teus olhos nus, raios de luz no azul do mar
Meu coração, que sempre quis acreditar
Bateu feliz, foi só você chegar

Sei que a paixão apaga o chão, rareia o ar
Ser e não ser, negar, querer, fugir, ficar

Mas não fui eu quem quis assim
Aconteceu você pra mim
E eu não vou negar o que o acaso quis pra nós
A chama desse amor me faz
Sorrir cantar, te quero mais
Te chamo só pra repetir "te amo"

Mas não fui eu quem quis assim
Aconteceu você pra mim
E eu não vou negar o que o acaso quis pra nós
A chama desse amor me faz
Sorrir cantar, te quero mais
Te chamo só pra repetir "te amo""
Raios de luz - Simone

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A melhor notícia dos últimos 15 anos :) Os Tribalistas estão de volta!

Share

Há uns meses começou a adivinhar-se algo deste género. Nas redes sociais, os três companheiros deste projeto, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, começaram a aparecer juntos apesar da sua intensa agenda individual. E de repente, do nada, fazem um live no Facebook e apresentam os 4 primeiros temas do disco. Este trabalho está em linha com o anterior e, pelo menos desse ponto de vista, não surpreende, no entanto, é um trabalho de grande bom gosto e qualidade que traz muitas emoções a todos os fãs deste maravilhoso projeto. A principal novidade, na minha opinião, tem a ver com Portugal pois inclui a participação da cantora portuguesa Carminho que está cada vez com maior reputação no outro lado do Atlântico. A sua amizade e cumplicidade com a Marisa já tem algum tempo e, depois de lançar um disco interpretando Jobim, nada mais relevante que ser a única outsider a participar neste projeto. Ouçam e façam como eu, ouçam mais vezes.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Rio de janeiro, 25 de Janeiro de 1927

Share

Fez ontem 90 anos que num dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro, o bairro da Tijuca, que nasceu o futuro pianista, cantor, arranjador, guitarrista, compositor e maestro António Carlos Jobim, o maior expoente da música brasileira e um dos fundadores do movimento Bossa Nova. A data redonda pede uma homenagem especial a uma figura que  influenciou de forma determinante o meu gosto musical e, mais que isso, a minha paixão pela música no geral e pela MPB em particular.
Obviamente, contribui também para o meu amor tão grande e tão especial à sua cidade natal, o belo Rio de janeiro.
O maestro Tom Jobim tinha uma qualidade muito particular, a sua paixão pelas suas raízes musicais mais tradicionais  e isso  dava uma amplitude e uma abrangência extraordinária ao seu ecletismo musical. Essa paixão garantiu que desde o início da sua carreira e até ao seu desaparecimento, o seu talento e o seu trabalho nunca se tenha separado dessas raízes, pelo contrário foi sempre usado para enriquecer essa cultura nacional, inclusivamente no estilo mais tradicional da vida carioca, o samba. Lembro-me de um disco que comprei há muitos anos no Rio com temas do Tom Jobim chamado "No Tom da Mangueira", e que incluia, entre outras, a linda "Piano na Mangueira". Era um disco que assinalava o desfile da Mangueira no Carnaval de 1992 em que o samba-enredo foi uma homenagem ao maestro e a todo o seu trabalho. Felizmente, Tom Jobim ainda teve oportunidade de ver essa bonita homenagem e assim é que deve ser, demonstrar o nosso respeito e admiração em vida e, no caso de um samba-enredo esse facto ainda assume uma importância maior pois não há homenagem mais gloriosa que ser tema de uma samba-enredo e nunca se deverá tirar o prazer de assistir a esse momento único na vida.
Salve maestro, como diz o samba, "Se todos fossem iguais a você, que maravilha seria viver"!



"Mangueira vai deixar saudade
Quando o carnaval chegar ao fim
Quero me perder na fantasia
Que invade os poemas de Jobim
Amanheceu, o Rio canta de alegria
Aconteceu a mais linda sinfonia
O sol já despontou na serra,
Molhando o seu corpo sedutor

O mar beija a garota de Ipanema,
a musa de um sonhador
O mar beija a garota de Ipanema,
a musa de um sonhador

É carnaval, é a doce ilusão,
É promessa de vida no meu coração
É carnaval, é a doce ilusão,
é promessa de vida no meu coração (Mas vem ... )

Vem, vem amar a liberdade,
Vem cantar e sorrir, ter um mundo melhor
Vem, meu coração está em festa,
Eu sou a Mangueira em Tom maior
Salve o samba de terreiro, salve o Rio de Janeiro,
Seus recantos naturais

Se todos fossem iguais a você,
que maravilha seria viver"
Se todos fossem iguais a você - Estação Primeira de Mangueira

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Carminho e Tom Jobim

Share
A música contemporânea portuguesa tem dado umas cantadas à música brasileira e isso está fazendo muito bem à cultura dos dois países. Depois do António Zambujo ter lançado a sua interpretação das canções de Chico Buarque, é lançado oficialmente hoje o novo trabalho da Carminho que decidiu mergulhar no vasto repertório do maestro Anónio Carlos Jobim e demonstrar, mais uma vez, que o fado também sabe cantar bossa nova.
Fico feliz de ver artistas consagrados brasileiros a apadrinhar ativamente estes trabalhos com as suas participações. O filho Paulo Jobim acompanha a Carminho com o seu violão em todas as músicas e há três duetos, no tema "Estrada do sol" com Marisa Monte, Chico Buarque canta "Falando de Amor" e tem ainda Maria Bethânia que partilha a linda "Modinha".

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Orfeu da Transformação

Share

Está a assinalar-se no Brasil o sexagésimo aniversário da estreia da peça "Orfeu da Conceição" escrita por Vinícius de Moraes e com música do, então, pianista António Carlos Jobim que, à data, era um jovem com uns imberbes 29 anos.
A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e é uma adaptação em forma de peça musical do mito grego de Orfeu transposto à realidade das favelas cariocas e ao ambiente do carnaval carioca. Além desta dupla virtuosa há ainda a juntar a todo este talento o arquiteto Oscar Niemeyer que foi o responsável pela cenografia da peça. A peça apresentou também um facto bastante arrojado e talvez até controverso para a época, o elenco era inteiramente composto por atores e atrizes de raça negra.
O musical esteve longe de ser um sucesso e teve uma vida muito curta mas o mais importante foi ter sido o motivo e, talvez, a inspiração para uma parceria brilhante e duradoura que gerou dezenas de obras primas dsa música popular brasileira e da bossa nova e que foi um eixo nevrálgico de transformação da música e da cultura popular do Brasil.
O Vinícius não conhecia o jovem Tom que lhe foi aconselhado por um amigo em comum, Lucio Rangel e o encontro aconteceu no ainda existente Bar Villarino no centro do Rio onde Vinícius era visita regular. Conta-se que o jovem Tom Jobim que, na altura vivia da venda de músicas e arranjos para os bares de Copacabana e que "andava sempre atrás do aluguel", perguntou ao já famoso e reconhecido Vinícius quando recebeu o convite, "Tem algum dinheirinho nisso?".
Entre as músicas escritas especialmente para o musical estão os sucessos, "Lamento no morro" e a maravilhosa "Se todos fossem iguais a você" aqui interpretada maravilhosamente pelos mestres.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O morro veio me chamar

Share
"Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da Estação Primeira
O Morro veio me chamar
De terno branco e chapéu de palha
Vou me apresentar à minha nova parceira
Já mandei subir o piano pra Mangueira

A minha música não é de levantar
Poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura a saia
No amanhecer da quarta-feira
Mangueira
Estação Primeira de Mangueira"
Piano da Mangueira - Chico Buarque e Tom Jobim

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mineira acariocada ou mineiroca

Share

Descoberta muito recente e muito inesperada até pois, aparentemente, tem estado em destaque lá pelos lados da cidade maravilhosa e já tem trabalho publicado desde 2011, data em lançõu o álbum "Te virar do avesso". É mineira de Belo Horizonte mas há seis anos que se deixou adoptar pelo Rio e por isso se auto-intitula mineiroca. Numa entrevista concedida ao jornal OGlobo desvenda uma curiosidade, quando visitou o Rio pela primeira vez, com 15 anos, tinha um desejo, conhecer a Rua Nascimento Silva 107, endereço referenciado na música de Vínicius de Moraes "Carta ao Tom", como a compreendo! É compositora e intérprete, chama-se Marcella Fogaça e tem um estilo bastante carioca. Um estilo praieiro na onda, descontraídamente cool e diria até, 100% carioca, iniciada pelo hawaiano Jack Johnson e onde também se pode incluir a cantora californiana Colbie Caillat. As suas músicas são leves e aprazíveis, estão longe de serem elaboradas e sofisticadas mas não deixam de ser apropriadas para momentos de pura descontração e ócio. Serão ótima companhia para uma saída de praia ou um belo vinho branco ao ar livre sem hora para para acabar numa interminável tarde de Verão. Eu já estou a planear vários momentos desses, é só o sol e o clima ajudarem e deixarem chegar a Primavera com sintomas de Verão, de uma vez por todas, a este lado do Atlântico.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Dark side of the moon

Share

Este disco dos Pink Floyd faz hoje 43 anos que foi lançado. Para mim é um disco muito especial pois foi o primeiro disco que ouvi dos Pink Floyd ainda muito novo, talvez até demasiado novo para ter noção da sua importância pois não tinha mais de 10 anos. Foi este disco que me despertou o interesse para descobrir os outros e o que me preparou para os outros que foram contemporâneos da minha geração, especialmente o "The wall" de 79 e o "The final cut" de 83. Confesso que já não é habitual ouvir Pink Floyd mas de vez em quando tenho vontade e este disco mantém-se no top das minhas preferências. Os Pink Floyd juntamente com os Dire Straits, os Supertramp, os Queen e noutra dimensão, o Tom Jobim, o Vinícius de Moraes e a Simone foram os grandes responsáveis pelo início da minha paixão pela música e pela formação dos meus gostos e preferências e, também por isso, fazem parte da minha vida. O tema "Us and them" é um excelente elemento para demonstrar esta minha estória com a música.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"Rio você foi feito pra mim"

Share
"Rio você foi feito pra mim"
trecho da música Samba do avião - Tom Jobim



Uma das principais razões do meu amor pelo Rio de Janeiro é a minha paixão pela música e, consequentemente, pelka música que se faz no Brasil. E o Rio sempre foi um dos núcleos mais importantes de criação de música de qualidade nos mais diversos estilos musicais que caracterizam o Brasil. Foi a origem do samba e do Carnaval das escolas de samba, foi o centro nevrálgico do surgimento da Bossa Nova, foi o berço de muitos dos artistas que revolucionaram a música moderna brasileira a partir dos finais dos anos 70 e, também por isso, foi e ainda é o local onde se realiza um dos festivais de música mais emblemáticos do mundo.
Foi ainda a rampa de lançamento escolhida por muitos artistas doutros pontos do Brasil para o lançamento da sua carreira, tais como os baianos, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia,  a gaúcha Elis Regina ou mesmo o Chico Buarque que, apesar de ter nascido no Rio passou uma parte da sua infância e toda a sua juventude fora do Rio, primeiro na Europa (Itália) e a partir da adolescência até aos seus vinte e poucos anos em São Paulo.
Há tempos voltei a ouvir esta música "Agamamou" de um grupo com mais de 20 anos, originário da região de São Paulo e que descobri na minha primeira visita ao Brasil, numas férias na região de Recife e que fazem um dueto com um dos mitos da música brasileira e do soul brasileiro, carioca da gem do bairro da Tijuca, Jorge Benjor.
A música brasileira é muito isto, uma festa, uma alegria contagiante mas também uma miscigenação de estilos sem qualquer tipo de preconceitos, onde o brega se junta ao soul ou ao samba para criar música de qualidade e momentos únicos de entretenimento. Há coisa melhor?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A Bahia, o Rio, o samba, a bossa todos juntos em Oeiras

Share

Está quase, é já na sexta que vamos ter o prazer de ver atuar duas das principais figuras da música brasileira dos últimos 50 anos e são também dois dos principais músicos da minha lista de preferências. A verdade é que chegaram relativamente tarde à minha vida, o primeiro concerto que vi de Caetano foi na Expo 98 na sua turnée para promoção do seu disco "Livro" e que deu depois o disco ao vivo, "Prenda minha", grande show! Antes disso gostava mas não amava de paixão, as minhas referências da música brasileira eram outras, até aí, nomeadamente os pesos pesados da Bossa Nova, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, a versátil Simone, Djavan e desde o início da sua carreira, a Marisa Monte. Se pensarmos que a sua participação conjunta no programa da RTP, Zip Zip foi há 46 anos, ou seja, quando eu era apenas um bebé recém nascido, a verdade é que a paixão por estes grandes músicos poderia ter surgido muito mais cedo. Esta turnée que temos o privilégio de receber chama-se "Caetano & Gil - Dois Amigos, Um Século de Música" e comemora os 50 anos de partilha e de cumplicidade destes dois amigos que já criaram tanta coisa maravilhosa quer individualmente, quer em conjunto que comprova que aquilo que geraram é muito mais grandioso do que a soma aritmética das suas obras. Vai ser um momento grande da minha e da nossa vida e, agora que o momento se aproxima, já é difícil conter a ansiedade de os ver entrar em palco.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Uma revisita nostálgica ao Red Hot & Rio

Share
O disco Red Hot & Rio foi lançado em 1996 e foi a segundo ou terceira iniciativa do projeto de beneficiência Red Hot AIDS destinado a promover a consciencialização para a doença. Foi um disco de homenagem à Bossa Nova e à música de Tom Jobim e juntou uma série de artistas mundiais e brasileiros que abordaram de forma contemporânea alguns clássicos deste estilo musical, muitas dos casos em duetos multi-linguísticos de de estilos musicais.
Há uns dias apeteceu-me ouvir outra vez e encantar-me com este registo único e tão simbólico e que ofereceu alguns belos temas. Destaco a interpretação de "É preciso perdoar" de Cesária Èvora e Caetano Veloso e "Waters of March", versão "americanizada" de "Águas de Março" com Marisa Monte e David Byrne.
Outra música maravilhosa deste disco é o dueto da música "Insensatez" do Tom Jobim e do Sting. Esta músca não foi gravada para este disco que já saiu após a morte do maestro brasileiro que nos deixou em 1994. A música foi gravada para o último disco de Tom Jobim, chamado "António Brasileiro" e que foi lançado 3 dias após a sua morte.





segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

20 anos sem Tom Jobim

Share
A falta que ele faz apesar do enorme legado que deixou.



"Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão

A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não

Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão"
Sei lá a vida tem sempre razão - Tom Jobim, Miúcha, Chico Buarque (Vinícius de Moraes)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Adoro quando isto acontece

Share

Novembro vai ser o mês das descobertas que tenhop feito ao longo destes últimos tempos e a continuação das novidades que já começaram em Outubro. Só este ano é que descobri mais um talento canadiano que canta jazz e bossa, Emilie-Claire Barlow tem uma voz lindíssima e é uma grande falha no meu trajecto de busca de boa música pis já tem uns 9 álbuns e o primeiro é de 1998. Canta em português com um sotaque bastante charmoso como se pode comprovar nesta sua versão de "Só danço samba" de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e popularizada por João Gilberto e está muito bem. Tem ainda, no mesmo álbum chamado "like a lover" de 2005, uma versão incrível de uma das minhas músicas favoritas, "Retrato em branco e preto" de Tom Jobim e Chico Buarque. Não existe no Youtube mas, para quem tiver Spotify, aproveite.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Essa é só para ti, C.

Share


"Se eu pudesse por um dia
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção
Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor
Chora flauta, chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor

Quando passas, tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu me esqueço até do futebol
Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti meu coração
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração"
Falando de amor - Tom Jobim e Leila Pinheiro

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sabiá com encanto português

Share
É arrepiante de bom e emocionante ver o entusiasmo genuíno de toda a plateia que, tem de se dizer, é uma plateia incrivelmente exigente. Belo desempenho do Zambujo e da Carminho já comentado aqui no blog mas agora com a prova.



"Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma Sabiá...

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia...

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer..."
Sabiá - (Tom Jobim) António Zambujo e Carminho

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Prémios da Música Brasileira 2013

Share

Para além dos prémios e premiados, a cerimónia acolheu umauma homenagem ao Tom Jobim, com diversos artistas consagrados a interpretar alguns dos seus inúmeros êxitos. Entre essas interpretações, parece que causou furor uma interpretação dos "nossos" Zambujo e Carminho que arrebataram a sala com uma interpretação do tema "Sabiá". 
Até o Caetano fala sobre isso na sua crónica habitual no Jornal O Globo e que pode ser lida aqui. 
Curioso é ver como o Caetano já encara o nosso Zambujo como um consagrado. Muito bom.
Agora fiquei cheio de vontade de ver esse momento tão especial.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

50 anos

Share

Apenas porque a data é redonda de mais para não se assinalar e porque é uma música ícone que mais representa uma série de coisas que eu valorizo muito na minha vida é que me faz decidir colocar a música aqui no blog. Nunca amei esta música mas amo tudo o que ela me lembra e tudo para ela me transporta e só assim consigo suportar a milhentas vezes que ouvi as suas milhares de versões em modo música de hotel e de elevador. E assim, e como o Vinícius gostava de fazer, Saravá ao Vinícius e ao Tom pela inspiração, saravá à praia, ao mar e ao bairro de Ipanema que ainda hoje é maravilhosamente inspirador, Saravá ao doce balanço de todas as gatas cariocas, às de Ipanema em especial e à minha gata musa linda que se tornou zuga no momento que pisou o Rio pela primeira vez, Saravá à Bossa e a toda a música maravilhosa que nos chega do outro lado do Atlântico, Saravá ao restaurante Garota de Ipanema e a todos os restantes Garotas que existem no Rio e em especial Saravá ao Garota da Urca. Saravá també ao Veloso que era o boteco origianl e que agora é um bar maravilhoso no Leblon. Saravá aos croquetes de picanha irresistíveis do Veloso. Saravá também à musa inspiradora, Helô Pinheiro. Saravá a toda a cidade do Rio que é uma inspiração permanente e quase uma segunda casa para mim. Saravá a todos os músicos que conferiram à música um pouco mais de valor agregando-lhe um pouco de cada um deles, em especial João Gilberto, Astrid Gilberto, Stan Getz e Frank Sinatra. E um último Saravá a todos os meus amigos que partilham mais ou menos esta minha paixão pelas terras e pelas riquezas cariocas e que são um pilar fundamental da minha vida.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A música segundo Tom Jobim

Share
Tivemos oportunidade de ir ver este documentário que estreou no Rio no momento que lá estávamos mas acabámos, por umna razão ou outra, por não ir. Isso faz com que agora tenha imensa vontade que o filme chegue aqui ou passe para dvd para podermo-nos deleitar a ver mais um retrato, com certeza, maravilhoso de uma época incrível e que influenciou de tal forma a cultura carioca ao ponto de um carioca genuíno da zona sul ser como é por causa desse turbilhão tranquilo que abalou a cultura e a sociedade brasileira com "o amor, o sorriso e a flor".
O Tom Jobim sempre foi para mim o embaixador e representante máximo dessa "onda que se ergueu no mar". Muito mais que todos os outros mas por nenhuma razão aparente a não ser a sua maior visibilidade e destaque no momento em que comecei a prestar atenção a este tipo de música e só lamento não ter tido oportunidade de o ver ao vivo.
Lembro-me de um programa de televisão gravado entre o Rio e Nova Iorque em que ele cantava, entre depoimentos, algumas das suas músicas mais conhecidas acompanhado por grandes vozes femininas da música brasileira. E isso só me fez admirá-lo ainda mais e fazer com que me emocionasse muito com a sua morte, chegando ao ponto de ir ver um espetáculo de homenagem, nessa noite, de um quarteto de jazz no Hotclub.
Existe já um documentário, realizado pela sua última mulher, que se chama "A casa do Tom" e que é muito bom pois é construído à volta de um dos seus mais queridos projectos, que foi a sua casa no Rio, em pleno suvaco do Cristo, como ele dizia. Agora estou ansioso por esse mas enquanto não chega aqui vai uma linda homenagem atrvés de mais uma crónica maravilhosa do extraordinário Arnaldo Jabor.
"A música segundo Tom Jobim
Fui ver o ótimo filme do Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim e me lembrei da frase do Nelson Rodrigues: "Nada mais antigo que o passado recente". Perfeito; dá para ver a espantosa mudança da vida social e cultural dos últimos 20 anos. As canções, as plateias, os olhos e ouvidos ligados nos shows, o desejo de transmitir a beleza de uma reflexão sobre nossas emoções, um ritmo de vida celebrando a inocência e a delicadeza, o tema do amor sempre presente, a qualidade das letras e sonoridade (Águas de Março é um grande poema sobre o devir), em suma, tudo que não é manipulação, barulheira fácil e boçal, nessa proliferação de irrelevâncias que pululam nas redes. Tudo bem, pode ser que estejamos no caos inicial, na infância de um novo e rico tempo cultural, como preveem os garimpeiros de ouro na bosta, mas, por enquanto, acho tudo um lixo.


O filme é a emocionante montagem de grandes momentos de nossa música como um discurso sem palavras. Saí do cinema como de um spa mental, no meio da poluição sonora e visual de São Paulo. Um filme terapêutico.

O documentário de Nelson e Dora me tocou muito. Sempre preferi ver fotos amareladas, filmes precários, antigos, que nos dão a sensação de nebulosas vidas mortas. As personagens do preto e branco, do trêmulo filme mudo, nos consolam com sua vetustez. Suas mortes são mais suportáveis porque pensamos: "Ah... naquele tempo se morria; hoje não". No filme moderno, o passado recente, em cores, nos mobiliza porque vira um presente implacável, embora impalpável. Vemos a alegria de festas sem som, sorrisos mudos, a juventude perdida dos rostos, as gargalhadas que não ecoam em lugar nenhum, as mulheres tão moças e lindas (e não nos dávamos conta disso) e nós mesmos, nossa saúde, nossos humores, tudo visível. Também vemos os indícios de erros que nos levarão ao fim - o corpo maltratado, a melancolia evitável, o riso amarelo, eu, você, nós todos no passado perdendo tempo, desvalorizando o que tínhamos. Mais emocionante que a tristeza de um passado é sua alegria perdida.

Lembrei-me que num dia feliz, sentado ao piano, Tom tocou para mim uma música nova - era Chansong, a obra-prima com a letra anglo-francesa: "I've never been in Paris for the summer, I never drank a scotch with this bouquet". Fui das primeiras pessoas a ouvir a música - tenho esse orgulho. Sempre que a ouço, vejo-me com ele, curvado, cantando com voz arfante, como se contasse um segredo.

Henri Bergson, o filósofo, declarou, quando viu os filmes de Lumière: "O cinema é importante para vermos como se moviam os antigos". Isso.

Sempre me emociono com esse milagre do cinema, em que as pessoas ressuscitam na tela e ficam ali, falando, como se nada tivesse acontecido. Isso me dói porque um dia serei também protagonista de um flashback de mim mesmo. Assusto-me se estou num bar e, de repente, minha saudosa comadre Nara Leão começa a cantar baixinho ali ao meu lado, como aliás canta no filme, nos lembrando de sua imensa importância.

Já sentira isso na obra-prima do Miguel Faria Jr., Vinicius, quando escrevi: "O tempo era outro, e me refiro a tempo como ritmo, timing. Movíamo-nos de outro modo, em paisagens claras, com perspectiva, distâncias nítidas, andávamos pela praia até o Leblon".

O mundo estava em foco e não era esse sumidouro de hoje. Esses filmes mostram um passado que poderia ser nosso presente. Ipanema era uma ilha de felicidade num país injusto, foi um momento raro em que o desejo e o projeto se encontraram, na praia, no bar, nas ruas com amendoeiras, nos amores mais livres, na música e literatura, antes da massificação.

O tempo se acelerou brutalmente nos últimos dez anos. Os filósofos vivem berrando: "Não temos mais tempo, porque as coisas fetichizaram o tempo!"

A cada dia, os blackberries, os iPads, os iPhones aumentam de potência, e o tempo vai se comprimindo. Até onde? Esta correria seria ótima se fôssemos chegar a alguma coisa, a uma estação Finlândia, a um terminal qualquer; mas, aonde chegaremos? No início do século 20, louvamos a velocidade crescente, revolucionária na arte moderna, a beleza do futuro, mas agora está chegando a hora de buscarmos a lentidão, a paz, o silêncio, como fazem as comunidades de "slow movement". Aliás, o filme nos lembra que ainda havia silêncio. Outro dia, me falou uma "pianista" de twitters e facebook: "Hoje não há mais tédio - temos telinhas o tempo todo diante dos olhos". Talvez, mas, sem vazio não há pensamento.

Agora, não temos condição de criticar e controlar mais nada, nem pela poesia, paródia, nem por nada. As coisas estão in charge, no comando da vida. Que diria Tom sobre isso? Bem, em conversas, nas suas falas sobre a natureza e em seus gestos já dava para ver a melancolia disfarçada de ceticismo sábio, víamos que ele já sabia que a barra ia pesar ali em Ipanema e em toda parte.

Talvez ele dissesse: "Você sabe, não é Jabor, você que é um árabe, um beduíno sem deserto, você sabe que a música existe no tempo. Se acelerar muito, a música vai junto, mas, depois de certo ponto, a arte perde o fôlego... Nós estamos querendo acabar com o Tempo".

Isso me remete a um filme antigo, cult, o Planeta Proibido, de Fred Wilcox, com George Sanders e Anne Francis, um planeta vazio onde todas as informações de um mundo morto estavam guardadas num imenso subterrâneo, uma gigantesca máquina, um super-Google. Toda a vida do planeta, tudo que se descobriu e construiu estava ali, arquivado para a eternidade. Só não havia mais vida em volta - a raça tecnológica dos Krells tinha sido extinta.

Mas Tom não ia prestar atenção neste papo cabeça. Ele gostava de ver o que era vivo ainda. Ele diria: "Deixa pra lá... Olha... lá no alto, os urubus caçadores estão dormindo na perna do vento..."
Arnaldo Jabor - Estado de S. Paulo, 24/01/2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Até amanhã, Rio

Share
A minha alegria vai atravessar o mar e ancorar na passarela e vou junto com a minha gata que se tornará rapidamente a Garota do Leblon e de Ipanema, pelo menos aos meus olhos, já é!