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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

#ProibidooCarnaval

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"Agora há uma nova era no Brasil em que menino veste azul e menina veste rosa." Quem disse isto foi a nova ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Bolsonaro, Damares Alves na comemoração da sua tomada de posse. Esta é a mesma que, além de ooutras barbaridades, justificou há bem pouco tempo que alguns dos seus títulos académicos são diplomas bíblicos quando foi questionada pelo facto de conter no seu currículo oficial, títulos académicos que não possui. Não é muito diferente de certos personagens recentes na política portuguesa, a única diferença é que esses por se orgulharem da sua condição ateísta e laica não podiam recorrer a deus para os certificar.

É óbvio que esta declaração gerou infinitas reações na internet, reações contrárias e favoráveis. Situação curiosa o facto acontecer no Brasil, país conhecido por tantas conquistas liberais. No entanto, esse lado vanguardista viveu sempre paredes meias com uma face do mesmo país extremamente conservadora e até ortodoxa, que ganhou força com a eleição deste presidente.
Como não poderia derixar de acontecer, o mundo artístico reagiu com a qualidade que o carateriza e, aproveitando a época que se avizinha, surgiu uma música que reune a eterna raínha do carnaval da Bahia, Daniela Mercury e o filho da Bahia mais planetário, Caetano Veloso. O tema chama-se "Proibido o Carnaval"e é um ataque direto às infelizes declarações da ministra. Quem me dera que a resposta à idiotice tivesse sempre esta intelegência e qualidade.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Revelação

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Esta música, recentemente, adquiriu um papel muito especial na minha vida. Confesso que já conhecia a versão original, do Grupo Revelação, mas passou meio despercebida durante anos, no entanto, no recente concerto do Caetano Veloso e filhos, esta canção faz parte do alinhamento e é cantada pelo Zeca Veloso. E aí a interpretação delicada de uma samba pagode pelo clã Veloso, conferiu um encanto incotrolável não só a esta versão mas também à versão original. Foi claramente um momento de estupefação, tipo: "mas como é que eu não ouvia esta música todos os dias?!
É um tipico samba de estímulo, de incitação, com uma mensagem simples mas que nos joga para cima, nos dá uma injeção automática de ânimo e esperança.
Neste últimos tempos tem aparecido à minha volta, no meu círculo mais próximo de amigos e de conhecidos vários casos delicados de doença e todos eles implicam uma luta imediata e constante, um enfrentamento direto do problema e uma superação permanente dos momentos menos bons, quer de quem tem o problema mas também dos entes mais queridos e próximos que estão com eles nesta luta. Ontem, tivemos mais uma notícia daquelas que não queremos receber e mais uma vez lembrei-me desta canção que fala de guerreiros que é aquilo que todos têm de ser neste momento,
"Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer"

Para a doce P., para o grande M., para a imparável M., para o tio C. e para todos os que os rodeiam e estão apoiar de forma mais próxima, todos eles guerreiros, cada um à sua maneira, um desejo carregado de otimismo e solidariedade.

"Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar"
Tá escrito - Grupo Revelação



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Tom, Zeca, Moreno, Caetano

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Foi maravilhoso. É verdade que eu sou suspeito, já vi muitas vezes o Caetano Veloso ao vivo, em vários registos e com diferentes estados de espiríto, quer eu, quer ele e sempre amei os seus concertos, nem sempre pelas mesmas razões mas nunca saí fustrado de nenhum, pelo contrário, sempre saí encantado.
Ontem, ia com muito poucas expetativas, o registo era único e recente, Caetano e os seus 3 filhos juntos em palco e sem banda de suporte, interpretando temas, na sua maioria, do progenitor e promotor da ideia mas também algumas criações dos filhos. Moreno jáconheço há muito e conheço bem, o seu trabalho, inclusivamente, as colaborações que já executou com o pai. Dois outros conheço basicamente o que o disco da tournée mostra. E é o disco que já escutei algumas vezes, que me deixou tão de pé atrás, achei um disco competente mas meio sem sal. Um disco que traz um novo alinhamento de canções do Caetano, talvez com músicas que sejam mais especiais para os seus filhos e a única novidade são os temas dos filhos, coisas diferentes mas boas é um facto mas nada mais do que isso. Estou a ser redutor na análise, mesmo assim, reconheço, o alinhamento de temas do Caetano não é um tema irrelevante pois a incrível dimensão do seu repertório permite que ele possa fazer uma tournée por ano sempre diferente da anterior e, o facto do Caetano co-interpretar alguns dos temas dos seus filhos também é facto importante pois, por mais qualidade que os rebentos tenham, nenhum tem uma voz como a do pai e, sempre que ele coloca a sua voz numa música, sem desprimor para ninguém, a verdade é que essa música ganha uma outra dimensão e ganha, automatica intrinsecamente, um upgrade na qualidade.
Mas o disco, apesar de ser um registo fiel do concerto, é unidimensional, não consegue transmitir a dimensão emocional. Não sei como têm sido os concertos nas outras cidades e sei que Caetano Veloso no Coliseu dos Recreios é sempre um marco especial mas ontem foi ainda mais especial :). A energia que pairava no ar do Coliseu era de uma noite singular, talvez o calor da primeira noite de verão do ano tenha também inflamado mais a atmosfera mas o facto era incontornável, a noite ia ser, no mínimo, fantástica.
Depois foi encantador perceber a cumplicidade dos irmãos entre eles e com o seu pai e foi maravilhoso perceber a ansiedade que o mais maduro e experiente membro do clã denotava por estar em palco com os seus filhos, esse Caetano humano, protetor, nervoso e, por vezes até receoso, foi algo que nunca tinha visto e estimulou a uma ainda maior cumplicidade e comunhão do público com eles.
Previsto no alinhamento está um tema maravilhoso do grupo de Pagode, Grupo Revelação, intitulado "Tá escrito" e que encerra a atuação antes dos encores. No disco é interpretada pelo Zeca mas ontem foi pelo Moreno. É a única música que não é de  autoria do clã mas é um excelente hino para a despedida. No nosso caso, tivemos ainda a sorte de, nos encores, ouvir Moreno a cantar Amália Rodrigues, interpretando a marcha lisboeta "Noite de Sto. António" e Caetano a cantar "Amar pelos dois" do Salvador Sobral, gentilezas que contribuiram para que a noite especial se tornasse verdadeiramente inesquecível.
Moral da estória, nunca se recusa um concerto de Caetano e nunca se vai com baixas expetativas. Obrigado aos quatro por me proporcionarem uma noite tão extraordinária.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Clã Veloso junto pela primeira vez

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No final de 2017 foi lançada a primeira amostra de um disco que sairá em 2018 e que reune Caetano Veloso e os seus 3 filhos, Moreno, Zeca e Tom.
A música, composta e interpretada por Zeca, estreou ao vivo na tournée, “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso”, que os quatro realizam juntos pelo Brasil desde outubro.
É um tema lindo e muito inspirado nas tendências indie norte americana onde Zeca recupera o falsete tão característico de seu pai.
O refrão refere uma verdade absoluta, "todo o homem precisa de uma mãe" e como ontem era o aniversário da minha que me deixou há dois anos mas que continua a ser tão necessária, não me lembro de melhor maneira de a homenagear.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

As canções de Roberto encontram o fado

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Mais um intérprete português decide homenagear um símbolo da música do brasil aproveitando esta aproximação cultural íntima e, por isso, tão insólita e única na história dos países. mais uma vez, o fado procura a música do Brasil e um dos seus maiores icons, o rei Roberto. Com a participação de Ana Carolina e Caetano Veloso, este último, voltando a interpretar o tema "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", tema composto pelo próprio Roberto Carlos e o seu parceiro Erasmo Carlos em 1971. Este tema foi composto de propoósito para homenagear Caetano quando ele estava exilado em Londres devido à ditadura militar e que Caetano incorporou naturalmente no seu repertório. É fantástica e impressionante este nível de proximidade, respeito e partilha que existe entre músicos no Brasil com estilos musicais que se encontram, muitas vezes, em polos muito distantes mas que isso só os motiva a aproximarem-se mais e a crescerem juntos com as parcerias que criam. Finalmente, esse espírito positivo, está a estabelecer-se em Portugal graças a esta abundante nova geração muito talentosa e descomplicada da música portuguesa. São 14 lindas homenagens com alguns dos grandes sucessos deste intérprete e compositor. O disco é lançado em Portugal hoje e o tema de promoção escolhido foi o grande clássico, "Como é grande o meu amor por você". E como diz Caetano, "Viva Roberto Carlos!"

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Caetano 75

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O Caetano Veloso celebra hoje o seu aniversário e a bonita idade de 75 anos. E foi quase ahá vinte anos que eu o vi pela primeira vez ao vivo e que me apaixonei verdadeiramente pela sua música. Apesar de já gostar há muito do seu trabalho este concerto na Expo 98 em Lisboa foi um momento extremamente marcante na minha vida e lembro-me dessa noite como se fosse hoje, as filas horríveis para chegar, o caos e inferno que foi encontrar um lugar para estacionar, as filas para entrar no recinto, o mar de gente ali ao lado do Rio Tejo na antiga Praça Sony, uma noite de Verão quente e acolhedora e um concerto magnífico que, todos os que estávamos a assistir, desejávamos que nunca acabasse. Era a tournée após o lançamento do disco de originais "Livro", trabalho muito elogiado pela crítica especializada e que foi, posteriormente, indicado para o prêmio "Grammy Latino". Desse disco resultou a tournée "Prenda minha" que deu origem a um disco ao vivo maravilhoso com o mesmo nome. Apesar de acompanhar a sua carreira e gostar de alguns dos seus temas mais populares este concerto e posteriormente o disco foram determinantes para a importância que a música e o trabalho de Caetano passaram a ter na minha vida. A "prenda minha" foi e continua uma prenda constante na minha vida, não posso dizer que seja a minha prenda mas é uma delas e das mais importantes.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Uma verdadeira pérola

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Adoro Marisa Monte e isso é visível neste blog e na minha vida e também adoro Novos Baianos mas isso é algo menos perceptível e tem uma explicação. Estranhamente, é uma paixão recente. Conheço há muitos anos, ouvia alguns temas, os originais e algumas versões feitas por músicos mais contemporâneos mas só há pouco tempo deu o clique e, talvez, por causa da brilhante interpretação do tema "Mistério do planeta" num concerto ao vivo do Rodrigo Amarante há um ou dois anos. E aí fiquei com uma vontade clara de explorar mais o trabalho deste grupo tão esdrúxulo e marcante para um certo estilo de manifestação cultural e até de vida. Quem gosta de música brasileira identifica automaticamente o grupo de excêntricos Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Baby Consuelo e lembra-se também, com certeza, da bela interpretação da Baby Consuelo do tema de Caetano Veloso, "Menino do Rio" que servia de genérico para a telenovela "Água viva". Esta incrível música, "A menina dança", ouvia-a pela primeira vez na voz e na versão da Marisa Monte, faz parte de um disco maravilhoso ao vivo chamado "Barulhinho Bom" e tive a sorte de assistir a dois concertos dessa tournée. Sempre adorei esta música, tem good vibe e um groove contagiante mas fiquei também rendido à versão original que está incluída no maravilhoso disco "Acabou chorare" de 1972 e que inclui ainda a já falada "Mistério da planeta", a maravilhosa "Brasil pandeiro" e a doce "Preta, pretinha", entre outras. Curiosamente, ou não, faz ainda parte da formação da banda que acompanha a Marisa, um dos músicos da formação original dos Novos Baianos, o baixista, produtor e compositor Dadi. Este videoclip junta o passado com o contemporâneo e os Novos Baianos com a Marisa Monte e é absoltamente delicioso.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Injuriado

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Depois do lançamento do disco na passada sexta feira, saiu já o primeiro vídeo de apresentação do novo disco de António Zambujo a cantar Chico Buarque. A música escolhida é o "Injuriado" que já tinha sido uma das duas músicas de promoção lançadas previamente nas plataformas digitais. É uma das interpretaçãos que mais gosto apesar de a escolha ser bastante complicada pois o disco está muito homogéneo em termos de qualidade.Todo o disco é divinal e percebe-se esta descontração e cumplicidade retratada neste vídeo que é gravado num excelente e acolhedor restaurante da nova velha Lisboa. A beleza do disco é reconhecida dos dois lados do Atlântico e toca transversalmente todo o tipo de público, desde os meros aficionados de música, como eu, até símbolos da música e da cultura de língua portuguesa como Caetano Veloso que, reforçando a sua já demonstrada admiração pelo António, disse a propósito deste disco, "No timbre e na prosódia lusitana de António as canções de Chico Buarque (escolhidas em períodos diferentes das muitas décadas de composição) parecem postas numa perspetiva que dá ao brasileiro uma tomada de distância – no espaço e no tempo – que o leva às lágrimas, assustado que fica com a nova evidência da sua grandeza". É sempre bonito ver o Brasil a admirar e a encantar-se com um português a interpretar um dos seus maiores representantes da sua música e cultura contemporânea.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Toda a menina baiana tem um jeito

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Ouvi falar da Illy Gouveia pelo Caetano Veloso o que é já um certificado patente de qualidade. Felizmente, os artistas consagrados brasileiros e em especial o Caetano fazem questão de valorizar e promover artistas em ascensão no panorama musical brasileiro e até lusófono sem qualquer tipo de complexo de superioridade e isso tem-me ajudado a dscobrir alguns talentos numa fase bastante preambular e só tenho a agradecer.
A Illy Gouveia é uma cantora baiana e é mais uma com todo o jeito que a gente gosta. Vai lançar o seu primeiro trabalho, um EP que se chama "Enquanto você não chega" e a primeira mostra é este tema delicioso, "Só eu e você". Tea de autoria do brilhante Chico César o que é mais uma chancela indiscutível para o seu começo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Salve a Bahia com h

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"Baiana cê me bagunçou
Pirei em tua cor nagô, tua guia
Teu riso é Olodum a tocar no Pelô"
Baiana - Emicida

No disco de 2015 do rapper brasileiro Emicida tem um tema muito especial chamado "Baiana" que num estilo moderno, contemporâneo e, acima de tudo,  extraordinariamente baiano, é uma singular homenagem a esse lugar primordial da cultura e história do Brasil, do seu povo e da sua cultura. Mais uma vez, Emicida cria uma bela canção plena de simplicidade e que, na versão do disco, tem a colaboração de um maiores embaixadores da música e da cultura baiana, Caetano Veloso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"Rio você foi feito pra mim"

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"Rio você foi feito pra mim"
trecho da música Samba do avião - Tom Jobim



Uma das principais razões do meu amor pelo Rio de Janeiro é a minha paixão pela música e, consequentemente, pelka música que se faz no Brasil. E o Rio sempre foi um dos núcleos mais importantes de criação de música de qualidade nos mais diversos estilos musicais que caracterizam o Brasil. Foi a origem do samba e do Carnaval das escolas de samba, foi o centro nevrálgico do surgimento da Bossa Nova, foi o berço de muitos dos artistas que revolucionaram a música moderna brasileira a partir dos finais dos anos 70 e, também por isso, foi e ainda é o local onde se realiza um dos festivais de música mais emblemáticos do mundo.
Foi ainda a rampa de lançamento escolhida por muitos artistas doutros pontos do Brasil para o lançamento da sua carreira, tais como os baianos, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia,  a gaúcha Elis Regina ou mesmo o Chico Buarque que, apesar de ter nascido no Rio passou uma parte da sua infância e toda a sua juventude fora do Rio, primeiro na Europa (Itália) e a partir da adolescência até aos seus vinte e poucos anos em São Paulo.
Há tempos voltei a ouvir esta música "Agamamou" de um grupo com mais de 20 anos, originário da região de São Paulo e que descobri na minha primeira visita ao Brasil, numas férias na região de Recife e que fazem um dueto com um dos mitos da música brasileira e do soul brasileiro, carioca da gem do bairro da Tijuca, Jorge Benjor.
A música brasileira é muito isto, uma festa, uma alegria contagiante mas também uma miscigenação de estilos sem qualquer tipo de preconceitos, onde o brega se junta ao soul ou ao samba para criar música de qualidade e momentos únicos de entretenimento. Há coisa melhor?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"Clara como o sol que tudo anima"

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Não foi feita para ti mas o Caetano tem destas coisas. Tu és o sol que me anima e o teu ser é essa força e essa alegria que nos tem alimentado e espero que nos energize por muitos mais anos. Nada é como tu e eu.
"Há flores de cores concentradas
Ondas queimam rochas com seu sal
Vibrações do sol no pó da estrada
Muita coisa, quase nada
Cataclismas, carnaval
Há muitos planetas habitados
E o vazio da imensidão do céu
Bem e mal e boca e mel
E essa voz que Deus me deu
Mas nada é igual a ela e eu
Lágrimas encharcam minha cara
Vivo a força rara desta dor
Clara como o sol que tudo anima
Como a própria perfeição da rima para amor
Outro homem poderá banhar-se
Na luz que com essa mulher cresceu
Muito momento que nasce
Muito tempo que morreu
Mas nada é igual a ela e eu"
Ela e eu - Maria Bethânia

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A Bahia, o Rio, o samba, a bossa todos juntos em Oeiras

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Está quase, é já na sexta que vamos ter o prazer de ver atuar duas das principais figuras da música brasileira dos últimos 50 anos e são também dois dos principais músicos da minha lista de preferências. A verdade é que chegaram relativamente tarde à minha vida, o primeiro concerto que vi de Caetano foi na Expo 98 na sua turnée para promoção do seu disco "Livro" e que deu depois o disco ao vivo, "Prenda minha", grande show! Antes disso gostava mas não amava de paixão, as minhas referências da música brasileira eram outras, até aí, nomeadamente os pesos pesados da Bossa Nova, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, a versátil Simone, Djavan e desde o início da sua carreira, a Marisa Monte. Se pensarmos que a sua participação conjunta no programa da RTP, Zip Zip foi há 46 anos, ou seja, quando eu era apenas um bebé recém nascido, a verdade é que a paixão por estes grandes músicos poderia ter surgido muito mais cedo. Esta turnée que temos o privilégio de receber chama-se "Caetano & Gil - Dois Amigos, Um Século de Música" e comemora os 50 anos de partilha e de cumplicidade destes dois amigos que já criaram tanta coisa maravilhosa quer individualmente, quer em conjunto que comprova que aquilo que geraram é muito mais grandioso do que a soma aritmética das suas obras. Vai ser um momento grande da minha e da nossa vida e, agora que o momento se aproxima, já é difícil conter a ansiedade de os ver entrar em palco.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Amália continua a encantar

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Vai sair no próximo dia 17 de Julho o disco, "Amália: As vozes do fado", produzido pelo cineasta luso-francês Ruben Alves, autor do filme "A Gaiola Dourada". O Projeto tem associado ainda um documentário sobre o Fado assinado também pelo Ruben Alves e com estreia marcada para o final de 2015.
O disco reúne os fadistas contemporâneos Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Camané, Gisela João, Ricardo Ribeiro e as participações especiais de Bonga, Caetano Veloso, Mayra Andrade e Javier Limón.
Além disso, a capa do disco tem por base um trabalho idealizado pelo artista plástico Vhils e executado em parceria com a equipa de calceteiros de Lisboa, autores e zeladores de um dos principais patrimônios iconográficos de Lisboa.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

"Nú com a minha música"

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Título de uma parceria linda da Marisa Monte, Rodrigo Amarante, e o cantor e compositor norte-americano Devendra Banhart que, curiosamente cresceu na Venezuela. É um tema de Caetano Veloso e está também iincluído na coletânea Red Hot + Rio 2. Faltava aqui no blog e como a Marisa Monte teve o seu aniversário esta semana, no dia 1 de Julho, calha bem. Felizes 48 anos.
A Marisa e o Rodrigo têm outra parceria, "O que se quer", um tema que faz parte do último álbum de originais da Marisa Monte, "O que você quer saber de verdade", e, quer  uma música, quer a outra, denotam uma parceria feliz que já deveria ter acontecido há mais tempo e com muitos mais frutos. Nós agradecíamos muito, sou fã incondicional da Marisa e quase incondicional do Rodrigo, quer dizer, tudo à excepção do seu último disco, "Cavalo" que, confesso, não amo e não é totalmente a minha praia mas já o consigo tolerar melhor.
"Penso em ficar quieto um pouquinho
Lá no meio do som
Peço salamaleikum, carinho, bênção, axé, shalom
Passo devagarinho o caminho
Que vai de tom a tom
Posso ficar pensando no que é bom

Vejo uma trilha clara pro meu Brasil, apesar da dor
Vertigem visionária que não carece de seguidor
Nu com a minha música, afora isso somente amor
Vislumbro certas coisas de onde estou

Nu com meu violão, madrugada
Nesse quarto de hotel
Logo mais sai o ônibus pela estrada, embaixo do céu
O estado de São Paulo é bonito
Penso em você e eu
Cheio dessa esperança que Deus deu

Quando eu cantar pra turba de Araçatuba, verei você
Já em Barretos eu só via os operários do ABC
Quando chegar em Americana, não sei o que vai ser
Ás vezes é solitário viver

Deixo fluir tranqüilo
Naquilo tudo que não tem fim
Eu que existindo tudo comigo, depende só de mim
Vaca, manacá, nuvem, saudade
Cana, café, capim
Coragem grande é poder dizer sim"
Nú com a minha música - Marisa Monte, Rodrigo Amarante, Devendra Banhart

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Boa reza de Vanessa e Seu Jorge

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"Boa Reza" é um dos temas incluído na sequela do projeto Red Hot + Rio que foi lançado em 2011 e que pretendeu homenagear a Tropicália na sua vertente musical que foi parte do movimento social mais global que ocorreu no Brasil nos anos 60 (1968) e que teve como dois dos principais criadores e impulsionadores Caetano Veloso e Gilberto Gil. O álbum coletânea volta a ativar a fórmula do primeiro, com participações e duetos de músicos brasileiros e internacionais, interpretando novas versões de clássicos da Bossa Nova, MPB e Tropicália. Este tema vale ainda pelo vídeo, filmado integralmente no nosso muito amado Rio de Janeiro.

"Fé que você pode, você tem, você consegue!
De onde é seu congá?
Quem é seu orixá?
O que importa é ser feliz!
Um dia novo sempre vem, e isso vai passar...
O que existe é o Sol, o resto é invenção...
Fé que você pode, você tem, você consegue!

Não deixe de sorrir,
não deixe de dançar,
essa é uma boa reza..
Dê esperança a quem precisa e o tempo vai cuidar de você e de todos nós...
Essa é uma BOA REZA!
Fé que você pode, você tem, você consegue!

Oxum, Oxossi, Axé...
Oxumaré, Ogum, iansã, Omolu...
Vem dançar...
Vem no meu baile, eu sei como levar você para um lugar melhor do que está..."
Boa reza - Vanessa da Mata + Seu Jorge & Almaz

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Novas da Gal

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A Gal Costa, uma das mais importantes vozes femininas do Brasil, está de volta com novo disco de nome "Estratosférica". Prestes a completar 70 anos e celebrando cinco décadas de carreira, Gal se aliou a Kassin e Moreno Veloso, dois dos nomes mais inventivos da música brasileira atual, que assinam a produção e também participam como músicos em alguns dos temas. É um álbum contemporâneo onde canta músicas de nomes já consagrados da nova geração da MPB como Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Céu, Criolo, Domenico Lancellotti e Moreno Veloso a que se juntam Caetano Veloso e Marisa Monte e Arnaldo Antunes. É um disco de originais e este "Quando você olha pra ela" é da Mallu.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A volta de uma linda voz

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Mariana de Moraes é neta do grande Vinícius de Moraes e foi abençoada pelo seu talento pois tem uma voz magnífica. Apesar disso, nunca foi uma artista da primeira linha da MPB e tem vindo a reparir a sua atividade entre a música e a representação. Em 2014 lançou um novo disco pela editora independente Biscoito Fino, fundada há cerca de 20 anos atrás e que tem vindo a ser uma figura importante na promoção da MPB desde a sua fundação. O disco chama-se, simplesmente, "Desejo" e este tema "Morro de amor", é uma composição da autoria de Caetano Veloso e Arnaldo Antunes.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Uma revisita nostálgica ao Red Hot & Rio

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O disco Red Hot & Rio foi lançado em 1996 e foi a segundo ou terceira iniciativa do projeto de beneficiência Red Hot AIDS destinado a promover a consciencialização para a doença. Foi um disco de homenagem à Bossa Nova e à música de Tom Jobim e juntou uma série de artistas mundiais e brasileiros que abordaram de forma contemporânea alguns clássicos deste estilo musical, muitas dos casos em duetos multi-linguísticos de de estilos musicais.
Há uns dias apeteceu-me ouvir outra vez e encantar-me com este registo único e tão simbólico e que ofereceu alguns belos temas. Destaco a interpretação de "É preciso perdoar" de Cesária Èvora e Caetano Veloso e "Waters of March", versão "americanizada" de "Águas de Março" com Marisa Monte e David Byrne.
Outra música maravilhosa deste disco é o dueto da música "Insensatez" do Tom Jobim e do Sting. Esta músca não foi gravada para este disco que já saiu após a morte do maestro brasileiro que nos deixou em 1994. A música foi gravada para o último disco de Tom Jobim, chamado "António Brasileiro" e que foi lançado 3 dias após a sua morte.





quinta-feira, 7 de maio de 2015

A Márcia está de volta

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Gosto desta miúda, é talentosa tem um estilo contemporâneo e é portuguesa, por isso tudo o que traga qualidade à música e à cultura desta terrinha é muito gratificante para quem gosta tanto de música, como é o meu caso.
A faixa que já anda a tocar chama-se "Insatisfação" e disco, de nome "Quarto crescente", chega lá para Junho. O disco é produzido pelo músico e produtor brasileiro e carioca (criado em Ipanema) Dadi.
Dadi acompanhou vários nomes conceituados ao longo da sua já longa carreira, tais como Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Marisa Monte e teve uma importante participação no projeto Tribalistas onde tocou vários instrumentos.