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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Revelação

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Esta música, recentemente, adquiriu um papel muito especial na minha vida. Confesso que já conhecia a versão original, do Grupo Revelação, mas passou meio despercebida durante anos, no entanto, no recente concerto do Caetano Veloso e filhos, esta canção faz parte do alinhamento e é cantada pelo Zeca Veloso. E aí a interpretação delicada de uma samba pagode pelo clã Veloso, conferiu um encanto incotrolável não só a esta versão mas também à versão original. Foi claramente um momento de estupefação, tipo: "mas como é que eu não ouvia esta música todos os dias?!
É um tipico samba de estímulo, de incitação, com uma mensagem simples mas que nos joga para cima, nos dá uma injeção automática de ânimo e esperança.
Neste últimos tempos tem aparecido à minha volta, no meu círculo mais próximo de amigos e de conhecidos vários casos delicados de doença e todos eles implicam uma luta imediata e constante, um enfrentamento direto do problema e uma superação permanente dos momentos menos bons, quer de quem tem o problema mas também dos entes mais queridos e próximos que estão com eles nesta luta. Ontem, tivemos mais uma notícia daquelas que não queremos receber e mais uma vez lembrei-me desta canção que fala de guerreiros que é aquilo que todos têm de ser neste momento,
"Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer"

Para a doce P., para o grande M., para a imparável M., para o tio C. e para todos os que os rodeiam e estão apoiar de forma mais próxima, todos eles guerreiros, cada um à sua maneira, um desejo carregado de otimismo e solidariedade.

"Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar"
Tá escrito - Grupo Revelação



segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Seu Narciso do Jobi

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Passei várias noites jogando conversa fora com o Sr. Narciso o Sr. Jobi, um homem encantador que tinha saudades permanentes da terrinha mas que amava profundamente o seu Rio de Janeiro. Quando ouvia falar português de Portugal no seu boteco, juntava-se logo à conversa e mostrando o seu orgulho em ser português. Infelizmente, deixou-nos esta semana. Não costumo fazer estas coisas nas redes sociais mas o Sr. Narciso é um dos muitos motivos por eu amar tanto o Rio e sei que vai ser muito estranho é triste voltar ao Jobi e saber que não o vou cumprimentar. Valeu Seu Narciso!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Verão a sul

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Está quase. Com muito sal e muita música como esta do Orlando Santos, grande voz do soul que está a preparar o seu segundo trabalho. Enquanto não aparece nunca é demais ouvir este maravilhoso "For real".

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Tom, Zeca, Moreno, Caetano

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Foi maravilhoso. É verdade que eu sou suspeito, já vi muitas vezes o Caetano Veloso ao vivo, em vários registos e com diferentes estados de espiríto, quer eu, quer ele e sempre amei os seus concertos, nem sempre pelas mesmas razões mas nunca saí fustrado de nenhum, pelo contrário, sempre saí encantado.
Ontem, ia com muito poucas expetativas, o registo era único e recente, Caetano e os seus 3 filhos juntos em palco e sem banda de suporte, interpretando temas, na sua maioria, do progenitor e promotor da ideia mas também algumas criações dos filhos. Moreno jáconheço há muito e conheço bem, o seu trabalho, inclusivamente, as colaborações que já executou com o pai. Dois outros conheço basicamente o que o disco da tournée mostra. E é o disco que já escutei algumas vezes, que me deixou tão de pé atrás, achei um disco competente mas meio sem sal. Um disco que traz um novo alinhamento de canções do Caetano, talvez com músicas que sejam mais especiais para os seus filhos e a única novidade são os temas dos filhos, coisas diferentes mas boas é um facto mas nada mais do que isso. Estou a ser redutor na análise, mesmo assim, reconheço, o alinhamento de temas do Caetano não é um tema irrelevante pois a incrível dimensão do seu repertório permite que ele possa fazer uma tournée por ano sempre diferente da anterior e, o facto do Caetano co-interpretar alguns dos temas dos seus filhos também é facto importante pois, por mais qualidade que os rebentos tenham, nenhum tem uma voz como a do pai e, sempre que ele coloca a sua voz numa música, sem desprimor para ninguém, a verdade é que essa música ganha uma outra dimensão e ganha, automatica intrinsecamente, um upgrade na qualidade.
Mas o disco, apesar de ser um registo fiel do concerto, é unidimensional, não consegue transmitir a dimensão emocional. Não sei como têm sido os concertos nas outras cidades e sei que Caetano Veloso no Coliseu dos Recreios é sempre um marco especial mas ontem foi ainda mais especial :). A energia que pairava no ar do Coliseu era de uma noite singular, talvez o calor da primeira noite de verão do ano tenha também inflamado mais a atmosfera mas o facto era incontornável, a noite ia ser, no mínimo, fantástica.
Depois foi encantador perceber a cumplicidade dos irmãos entre eles e com o seu pai e foi maravilhoso perceber a ansiedade que o mais maduro e experiente membro do clã denotava por estar em palco com os seus filhos, esse Caetano humano, protetor, nervoso e, por vezes até receoso, foi algo que nunca tinha visto e estimulou a uma ainda maior cumplicidade e comunhão do público com eles.
Previsto no alinhamento está um tema maravilhoso do grupo de Pagode, Grupo Revelação, intitulado "Tá escrito" e que encerra a atuação antes dos encores. No disco é interpretada pelo Zeca mas ontem foi pelo Moreno. É a única música que não é de  autoria do clã mas é um excelente hino para a despedida. No nosso caso, tivemos ainda a sorte de, nos encores, ouvir Moreno a cantar Amália Rodrigues, interpretando a marcha lisboeta "Noite de Sto. António" e Caetano a cantar "Amar pelos dois" do Salvador Sobral, gentilezas que contribuiram para que a noite especial se tornasse verdadeiramente inesquecível.
Moral da estória, nunca se recusa um concerto de Caetano e nunca se vai com baixas expetativas. Obrigado aos quatro por me proporcionarem uma noite tão extraordinária.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Live in the moment

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1 de agosto, primeiro dia verdadeiramente de verão no ano de 2018, Portugal. The Man sugerem "Live in the moment" e eu não vejo pior local do que o gabinete do escritório, para estar num dia destes. É só um desabafo.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Yellow Ledbetter

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Este é o título da música que mais gosto dos Pearl Jam, banda que me causa sempe diferentes emoções e até reações físicas. É a primeira banda que coloco a tocar no carro sempre que tenho um carro novo, não sei porquê mas tornou-se ujma tradição desde há 18 anos, nos idos anos 2000 quando coloquei o recente disco ao vivo gravado no Estádio do Restelo em Lisboa.
Tenho uma misto de emoções sempre que recordo a única vez que os vi ao vivo, no então denominado Pavilhão Atlântico, em 2006. Foi um concerto incrível, com uma energia vibrante e única. Noite em cheio, mesmo! Infelizmente, na manhã do dia seguinte recebi uma das notícias mais tristes da minha vida, o meu cunhado e grande amigo Z. faleceu num acidente estúpido e macabro a caminho do trabalho.
Nunca mais tive interesse em voltar a ver Pearl Jam e não sei sequer se, nessa noite, eles tocaram esta música. No entanto, desde esse dia, cada vez que a oiço, é um momento de recordação dessa pessoa única. Há outros motivos e outras músicas que me recordam o Z., especialmente o sobrinho que me proporcionou mas esta música tornou-se especial por este infeliz acaso mesmo antes de me ter apercebido da sua letra.
Se tudo correr como o previsto vou voltar a ver Pearl Jam na próxima semana e vou-me recordar do Z.

"Ah yeah, can you see them out on the porch? Yeah, but they don't wave.
I see them round the front way. Yeah.
And I know, and I know I don't want to stay.
Make me cry..."
Yellow ledbetter - Pearl Jam

terça-feira, 3 de julho de 2018

Simplesmente Simone

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A cantora Simone Bittencourt de Oliveira ou, simplesmente, Simone como é conhecida, foi uma das minhas primeiras paixões musicais e uma das grandes influências que, de uma forma profunda e duradoura, formou o meu gosto musical para a vida.
A sua voz incrível e a sua interpretação única do que cantava faziam porprocionavam uma fórmula única e distintiva que lhe conferiu um lugar de destaque no universo das intérpretes femininas da mpb, apesar da musculada concorrência e da diversidade de vozes femininas de elevada qualidade que estavam no auge quando ela surgiu, nomeadamente, Gal Costa, Elis Regina, Maria Bethânia e Clara Nunes e sem colocar aqui a anterior geração surgida do samba canção e que ganhou consistência com o surgimento da bossa nova.
Não foi apenas a sua fórmula que me seduziu, o que cantava e continua a cantar também foi relevante, a Simone é uma intérprete que não compõe as músicas que canta e o seu cancioneiro é vasto e diversificado. Apesar de ser, reconhecidamente uma cantora de música romântica, a sua carreira demonstra um reportório muito mais vasto e eclético, samba, música popular, música de intervenção até, são estilos que, reconhecidamente, lhe são associados.
E esse facto foi também a minha sorte, as cassetes que gravava dos vinis de uma tia mais velha de um amigo da escola, colega desde a primária, fizeram-me descobrir Gonzaguinha, Milton Nascimento, Ivan Lins, Paulinho da Viola, Tom Jobim, Lupicínio Rodrigues, Pixinguinha e tantos outros, através da sua forma de interpretar estes grandes astros da mpb.
É a Simone que me apresenta também a lógica dos samba enredos pois, numa fase da sua carreira, cada disco continha pelo menos um samba emblemático.
Há inúmeras músicas que fazem parte de momentos determinantes da minha vida mas há uma que já não ouvia há muito tempo e que ouvi por acaso hoje que se chama "Raios de luz".
É um tema enternecedor e com um poema deliciosa pela simplicidade que contém. E lembro-me também que no disco onde tenho essa música, uma coletânea de sucessos chamada "Sou eu" a seguir a este tema surge "Carinhoso" a maravilhosa música do Pixinguinha que é quase um hino não oficial do Brasil. Música que eu sempre amei e que ganhou uma importância especial e única na minha vida recente pois foi a música que nos acompanhou quando casámos.
Sempre achei que uma não podia viver sem outra apesar de perceber depois que esta sequência era apenas um feliz acaso. No entanto felizes acasos destes merecem tornar-se inesquecíveis.





"Você chegou e iluminou o meu olhar
Teus olhos nus, raios de luz no azul do mar
Meu coração, que sempre quis acreditar
Bateu feliz, foi só você chegar

Sei que a paixão apaga o chão, rareia o ar
Ser e não ser, negar, querer, fugir, ficar

Mas não fui eu quem quis assim
Aconteceu você pra mim
E eu não vou negar o que o acaso quis pra nós
A chama desse amor me faz
Sorrir cantar, te quero mais
Te chamo só pra repetir "te amo"

Mas não fui eu quem quis assim
Aconteceu você pra mim
E eu não vou negar o que o acaso quis pra nós
A chama desse amor me faz
Sorrir cantar, te quero mais
Te chamo só pra repetir "te amo""
Raios de luz - Simone

sexta-feira, 22 de junho de 2018

"Bem que se quis...

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Depois de tudo ainda ser feliz!"

Faz hoje dois anos que Portugal empatou com a Hungria no Euro 2016 e, afortunadamente conseguiu uma apuramento milagroso para os oitavos de final mas, também nesse dia, foi o dia em que finalmente nos casámos. Finalemnte porque já partilhamos a nossa vioda desde 2011 e porque já não era sem tempo.
Foi um dia muito feliz, passado com os nossos queridops amigos que testemunharam e abençoaram tão importante momento. Foi dia de samba e folia e muita dança e cantoria. Foi um dia para nos recordarmos sempre e eternamente e para agarrarmos a ele sempre que enfrentemos uma tormenta. Lembro-me de ouvir um dia um conselho sábio para os momentos menos bons, quando houvesse dúvidas que nos lembrássemos sempre de porque é que nos apaixonámos, Tenho seguido sempre esse conselho e adicionei-lhe também mais um incentivo, a lembrança de todos os momentos felizes que já passámos e dos maiores foi há dois anos.
Como diz o grande Nelson Motta na voz da Marisa Monte, o importante é continuar a querer ser feliz e eu continuo a sê-lo ao teu lado C. E isso só é possível porque continuo a amar-te.



"Amar alguém
Amar é como o prazer de conseguir estar sozinho - mas melhor. Amar é o prazer de descobrir continuamente que há alguém com quem se quer passar o tempo todo, incluindo o tempo que se quer passar juntos e o tempo que se quer passar sozinho.

Amar é um casamento de solidões que, gozando o prazer da juntidão, mesmo assim não prescinde dos prazeres de duas solidões juntas, estejam momentaneamente separadas ou reunidas.

Amar alguém é uma coisa egoísta que só nos faz bem. Mas só se a pessoa amada nos contra-ama também. Ser amado alivia muito a loucura de amar e de ser obrigatoriamente infeliz por causa disso.

Amar e ser amado é a melhor sorte que se pode ter. Não são milagres que aconteçam por acaso. É preciso trabalhar com leviandade - por muito cheio de amor que o coração esteja - para que esses milagres, facílimos, comecem a habituar-se a acontecer regularmente.

Amar alguém é um alívio: é poder deixar de pensar que cada um de nós é marginalmente mais importante do que qualquer outra pessoa que nasceu nesta vida e neste planeta.

Amar alguém é um baluarte contra o mundo, um salvo-conduto, uma casa aonde não só se pode regressar como ficar fechado dentro dela, sem precisar de sair.

Amar alguém é a única, verdadeira distracção. Os que não amam - muitos porque têm medo de se entregarem - chamam obsessão ao amor sem saber que o amor é o grande apagador de insignificâncias e a única maneira de fazer coincidir a alma e a atenção em duas vidas."
Miguel Esteves Cardoso - Jornal Público



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Clã Veloso junto pela primeira vez

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No final de 2017 foi lançada a primeira amostra de um disco que sairá em 2018 e que reune Caetano Veloso e os seus 3 filhos, Moreno, Zeca e Tom.
A música, composta e interpretada por Zeca, estreou ao vivo na tournée, “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso”, que os quatro realizam juntos pelo Brasil desde outubro.
É um tema lindo e muito inspirado nas tendências indie norte americana onde Zeca recupera o falsete tão característico de seu pai.
O refrão refere uma verdade absoluta, "todo o homem precisa de uma mãe" e como ontem era o aniversário da minha que me deixou há dois anos mas que continua a ser tão necessária, não me lembro de melhor maneira de a homenagear.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Saudade boa

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Hoje é dia de samba no meu querido Rio, as escolas saíram à rua e se encontraram em Copacabana e na Praia Vermelha, num cenário incrível, houve ou está ainda havendo uma roda de samba de um bloco de Carnaval maravilhoso chamado Último Gole. 
Vários amigos queridos estão por lá e fizeram questão de partilhar comigo a sua alegria e empolgação. Só quem já viveu e gosta desta cidade e destes momentos consegue perceber que só se é mesmo completamente feliz quando se partilha este entusiasmo e felicidade com quem ama esta cidade da maravilhosa e o que ela nos dá, da mesma forma. Saudades boas foi o que eu senti hoje desde o frio do Inverno de Lisboa. E como, entre os amigos, tem muitos fãs da Portela e ainda por cima em ano de campeonato fica aqui um samba lindo de homenagem a Madureira por um dos seus filhos fervorosos, Roberto Ribeiro.




domingo, 31 de dezembro de 2017

Para o 18 que aí vem, é só isto

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"Moça, olha só o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê"
Além do que se vê - Los Hermanos

Valeu 2017

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Encerra-se mais um ano, um ano simpático, posso dizê-lo. É sempre positivo quando acordamos todos os dias sentindo-nos felizes e com ganas de viver, com força para enfrentar os desafios e sabendpo que temos quem amamos e quem nos ama à nossa volta. Foi também um ano difícil, com desafios muito complcados e, infelizmente, alguns deles não suplantados.
Mesmo assim e, apesar destes percalços que também compoem o todo, foi um ano especial, um ano de conquistas pessoais saborosas, um ano de novas vidas próximas e doces, o ano em que voltámos ao nosso Rio com amigos queridos e que estivemos juntos pela primeira vez na Sapucaí para desfilar na nossa querida Estação Primeira.
Foi o ano dos 48 e do início dos 49. Valeu 2017.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Até sempre Mestre das Neves

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No passado sábado recebi a triste e dolorosa notícia da morte do Mestre Wilson das Neves. Confesso que há muitos anos que tenho uma enorme admiração por este gigante artista. Baterista, cantor, ritmista e compositor, wilson é uma figura de destaque no samba e na na sua escola do coração, a Império Serrano. A sua morte é mais uma grande perda mna música brasileira e, em particular no samba que já perdeu, este ano, Amir Guineto, Luiz Melodia e sofre profudamente com o estado em que se encontra o grande Arlindo Cruz há vários meses. Conheci-o tarde, musicalmente, graças à sua participação na maravilhosa Orquestra Imperial onde o Mestre era, naturalmente, o avó deles todos e, ao mesmo tempo, aquele que denotava ser a maior criança devido ao seu jeito traquina e sempre brincalhão. Consegui conhecê-lo pessoalmente, estive a conversar brevemente com ele duas vezes e cheguei a assistir a um concerto dele aqui em Lisboa onde tirei a foto que está aqui. O Mestre embirrava solenemente com o barulho de conversa nos seu shows e não perdoava, chamava a atenção de quem o fazia e mandava calar com o seu jeito malandro e provocador próprio de quem é carioca da gema e que nunca será mané. Compôs com o seu companheiro de composição, Paulo César Pinheiro, lindos sambas que depois interpretou mas também trabalhou com outros monstros, nomeadamente, Aldir Blanc, Moacyr Luz e tocou, como baterista, na banda do Chico Buarque durante mais de 30 anos, desde 1982. É seu e de Paulo César Pinheiro o lindo samba "O samba é meu dom" que ele próprio popularizou e tinha um hábito nos seus shows que segui escrupolosamente, em cada música que cantava, antes, apresentava os respetivos autores demonstrando um respeito e uma admiração genuína por quem cria coisas bonitas. Sei de diversas estórias hilárias da sua pessoa, o que aumentava ainda mais a sua aura de atração, a última foi-me contada por um amigo próximo que quer muito de reeditar um dos primeiros trabalhos do Mestre como solista, o segundo acho, que se chama "Som quente é o das Neves" e falou pessoalmente com ele para lhe solicitar autorização. Resposta do Mestre, "Meu filho para que é que você vai fazer isso?! Esse disco é uma merda!" Vai deixar muitas saudades mas o seu som quente vai continuar a tocar pois som quente é o seu, Mestre! Mas, infelizzmente, desde sábado, vai ficar faltando você, Mestre Wilson.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Caetano 75

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O Caetano Veloso celebra hoje o seu aniversário e a bonita idade de 75 anos. E foi quase ahá vinte anos que eu o vi pela primeira vez ao vivo e que me apaixonei verdadeiramente pela sua música. Apesar de já gostar há muito do seu trabalho este concerto na Expo 98 em Lisboa foi um momento extremamente marcante na minha vida e lembro-me dessa noite como se fosse hoje, as filas horríveis para chegar, o caos e inferno que foi encontrar um lugar para estacionar, as filas para entrar no recinto, o mar de gente ali ao lado do Rio Tejo na antiga Praça Sony, uma noite de Verão quente e acolhedora e um concerto magnífico que, todos os que estávamos a assistir, desejávamos que nunca acabasse. Era a tournée após o lançamento do disco de originais "Livro", trabalho muito elogiado pela crítica especializada e que foi, posteriormente, indicado para o prêmio "Grammy Latino". Desse disco resultou a tournée "Prenda minha" que deu origem a um disco ao vivo maravilhoso com o mesmo nome. Apesar de acompanhar a sua carreira e gostar de alguns dos seus temas mais populares este concerto e posteriormente o disco foram determinantes para a importância que a música e o trabalho de Caetano passaram a ter na minha vida. A "prenda minha" foi e continua uma prenda constante na minha vida, não posso dizer que seja a minha prenda mas é uma delas e das mais importantes.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Hoje, porque sim

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"Procuro nas coisas vagas ciência
Eu movo dezenas de músculos para sorrir
Nos poros a contrair, nas pétalas de jasmin
Com a brisa que vem roçar da outra margem do mar

Procuro na paisagem cadência
Os átomos coreografam a grama do chão
Na pele braile pra ler na superfície de mim
Milímetros de prazer, quilômetros de paixão

Vem pra esse mundo, Deus quer nascer
Há algo invisível e encantado entre eu e você
E a alma aproveita pra ser a matéria e viver"
A alma e a matéria - Marisa Monte

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Era tanta a saudade"

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Já passaram 11 anos do lançamento do disco "Ana & Jorge" que documentou um concerto do Seu Jorge e a Ana Carolina. Foi um momento único, literalmente, pois só realizaram o concerto que deu origem à gravação e, na altura, correu até o boato que se tinham zangado. Boato que nunca foi confirmado e, mais importante do que isso, verdade ou mentira nao condicionou o facto de passados esses anos os dois terem decidido voltar a juntar-se para fazerem uma série de concertos e um deles, felizmente, em Lisboa hoje à noite. O disco é uma pedaço de estória delicioso da MPB que juntou dois intérpretes da pesada numa fase em que estavam os dois em ascensão meteórica. Demonstraram uma quimica impressionante em palco e deram tudo nesse show o que aumentou substancialmente a vontade de ver ao vivo esse registo e criou uma enorme e quase insuportável frustração nos seus fãs, onde eu me incluo, quando nos apercebemos que isso seria impossível de acontecer. Com 10 anos, o entusiasmo amenizou um pouco e a ansiedade tornou-se uma pequena mágoa persistente. Felizmente hoje vai ser o dia em que essa mágoa se transformará em algumas horas de deleite e uma futura boa recordação, é isso aí!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Casa pronta

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Com imagens inspiradoras do nosso belo e encantador Rio e algumas também da nossa querida Lisboa, este é o vídeo de apresentação do novo trabalho da doce Mallu Magalhães que reflete fielmente, parece-me a mim, a vivência da Mallu e do Marcelo dos últimos tempos que têm repartido a sua vida entre o Rio e Lisboa. O poema também remete para a nova fase de vida que eles estão a viver pois foram pais há pouco tempo e essa dádiva contribui para a analogia que o belo poema sugere.
É engraçado esta música aparecer nesta altura pois induz algum paralelismo com a nossa própria vida no momento. Também nós temos, finalmente, uma casa pronta, no nosso caso na verdadeira acepção da palavra mas também no sentido mais lato da vida. Falta-nos essa dádiva que tanto desejamos mas vamos juntando outras e, também a nós nos apetece dizer,

"Você que vai, você que vem
Você que quer e tem
Quiçá virá, será, se pá
Quer ver onde vai dar?

Se sim disser, se a mim quiser
Já viu, já é, já deu
E eu vou torcer
Pra ser você e eu"

Casa pronta - Mallu Magalhães

terça-feira, 6 de setembro de 2016

De volta a realidade

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Depois de umas férias retemperadoras e de alguma dificuldade em voltar a acordar na realidade dos restantes 11 meses do ano, hoje, e após uma semana do regresso, finalmente acho que o corpo e, principalmente,a mente está a adaptar-se ao inevitável cotidiano.
Vila Nova de Milfontes tem sido, nos anos mais recentes, o destino que nos acolhe no período de férias e, tal como em todos os destinos de férias, é um motivo e uma oportunidade de estar com amigos de uma forma mais permanente e descontraída e isso é um dos principais motivos para o momento das férias de Verão ser algo tão ansiado.
Milfontes propocionou-me novas amizades, o aprofundamento de outras e foi também testemunha ativa do nascimento e aprimoramento dos sentimentos e consequente vida em comum com a C.
Recentemente, os Azeitonas, decidiram homenagear uma personagem única que só existe nes tes locais ainda remotos apesar de serem, fisicamnte, acessíveis mas que, social e culturalmente, mantêm aspectos únicos de ruralidade e de até algum anacronismo quando comparados com a inebriante evolução do meio urbano que o invade durante dois ou três meses de calor.
Este senhor é o dono do Cinema Girasol em Milfontes que insiste em sobreviver nesta era acessibilidade gratuita e permanente e, além disso, leva, regularmente, o cinema a aldeias mais isoladas do Alentejo profundo, prestando um serviço público altruísta e até inestimável e digno da beleza inocente e desiteressada do incrível filme italiano dos anos oitenta "Cinema Paradiso".
Boa forma de colocar o módulo de férias em pausa.






sexta-feira, 22 de julho de 2016

Um mês depois de quase 5 anos

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O 22 de Junho ficou marcado para sempre na minha vida e da C. pois resolvemos juntar os nossos amigos e formalizar o que já temos e vivemos à quase 5 anos e já passou um mês. Há quase 5 anos atrás a C. escreveu-me um texto lindo que, segundo ela, lhe saiu quando estava a escutar uma música que eu lhe enviei, de facto, a minha maior capacidade nestas coisas do amor resume-se a mandar músicas enquanto a C. escreve coisas absolutamente apaixonates e eloquentes. É um pouco uma analogia do que tem sida a nossa vida a Clara a levar o barco, a carregar os principais e mais compliocados desafios e eu vou lhe dando música :)
Por isso, quero deixar aqui o texto e música desse momento para assinalar este mês que esperemos que se transforme em muitos anos.

Às vezes pensava em quanto tempo pode durar este mês… Se dura mais um, dois ou três…

A verdade é que já não penso, e o tempo tornou-se realmente abstracto, e o sempre é ‘para sempre’ mais grato.

E então, sim, se o tempo quiser acabar, será algo que mente e coração poderão tratar. Se o tempo, por outro lado, quiser não me abandonar, sei que é contigo, que é ‘você’, com quem vou permanecer.

Sei que sobrevivo sem ti, mas vivo muito mais contigo, sou muito mais em ti, e até gosto mais de mim.

E o amor, cresceu aqui, sem vergonha de se mandar para fora de mim. E tudo o que é passado, parece agora tão fora de tudo, e tão pequeno para tudo o que tu conquistaste simples, assim…

Quinta feira, 27 de Outubro de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2016

"Cuide bem do seu amor"

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"E cada segundo, cada momento, cada instante
É quase eterno, passa devagar
Se o seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar"
Cuide bem do seu amor - Paralamas do Sucesso