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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

20 anos dos Los Hermanos

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No dia 14 de dezembro de 1997, realizou-se o primeiro show de Los Hermanos e é essa a data que o grupo determina como data oficial da criação da banda. Segundo as crónicas da própria banda, foi num bar em Ipanema, no Rio de Janeiro, o Empório. O show recebeu pouco menos de cem amigos e parentes para ouvir treze temas originais. Privilégio para essa centena de fãs, principalmente para quem, como eu, é fã incondicional da banda e nunca os viu ao vivo. Infelizmente, a própria banda admite que não está previsto nenhum reencontro e, consequentemente, nenhuma agenda de concertos para o Brasil. Ou seja, para Portugal é uma hipótese ainda mais remota ou mesmo infinitesimal apesar do Marcelo Camelo ter escolhido Lisboa como casa.
Recordo-me sempre daquela tarde de Setembro de 2005 em que estava a beber uma cerveja de fim de tarde junto ao rio e vou-me apercebendo que estava uma banda a fazer soundcheck numa sala perto dessa esplanada. Era uma sala de concertos minúscula numa zona de bares chamada Jardim do Tabaco que já não existe há muitos anos - acho que se chamava Musicais.
O som que se ia ouvindo era muito bom mas confesso que não reconheci imediatamente quem era, até porque nessa altura, admito também, ainda não estava totalmente enamorado pelo som destes 5 moleques cariocas. Mal eu sabia que estava perante a última (acho) oportunidade de os ver em Portugal. Lá estive eu deliciar-me com o ensaio descontraído da molecada sempre à espera que aparecesse alguém que me mandasse embora dali o que acabou por não acontecer mas o que, infelizmente aconteceu foi que esse deleite acabou depressa. O show era nesse dia e ainda havia bilhetes, pelo que, a oportunidade estava aí à distância de algumas dezenas de euros, poucas, por sinal.
Nesse dia em casa, quando me estava a preparar para sair, apercebo-me que, também nessa noite, havia um show da Mariza junto à Torre de Belém, uma oferta da cantora à sua cidade, numa fase em que a Mariza havia recebido diversas distinções, inclusivamente internacionais, e decidiu agradecer a Lisboa. Mariza iria ser acompanhada pelo maestro Jaques Morelenbaum e pela prestigiada orquestra Sinfonietta de Lisboa.
Lembro-me de ter saído de casa completamente dividido e, mesmo a conduzir, não saber ainda onde iria. Estava e ia sozinho e sabia que a determinado ponto da minha viagem tinha de tomar uma decisão clara e definitiva, ou virava à esquerda e ia ver Los Hermanos, ou virava à direita e ia ver a Mariza. Fui adiando ao máximo essa decisão até que virei à direita. Vi um dos grandes e mais emocionantes concertos que vi em toda a minha vida até hoje. É um concerto que está registado em vídeo e que aconselho a todos. Foi uma noite muito especial para todos os que lá estiveram nessa noite.
Nunca me arrependi da decisão que tomei mas também nunca perdi essa amargura de não poder ser omnipresente, pelo menos nessa noite. Sentimento que foi aumentando na minha vida à medida que me fui apaixonando pela música desta banda.

terça-feira, 14 de julho de 2015

A Amália continua a encantar

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Vai sair no próximo dia 17 de Julho o disco, "Amália: As vozes do fado", produzido pelo cineasta luso-francês Ruben Alves, autor do filme "A Gaiola Dourada". O Projeto tem associado ainda um documentário sobre o Fado assinado também pelo Ruben Alves e com estreia marcada para o final de 2015.
O disco reúne os fadistas contemporâneos Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Camané, Gisela João, Ricardo Ribeiro e as participações especiais de Bonga, Caetano Veloso, Mayra Andrade e Javier Limón.
Além disso, a capa do disco tem por base um trabalho idealizado pelo artista plástico Vhils e executado em parceria com a equipa de calceteiros de Lisboa, autores e zeladores de um dos principais patrimônios iconográficos de Lisboa.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Aos anos que não ouvia isto

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Ouvi esta manhã quando vinha para o escritório e é uma música que esteve muito presente numa fase da minha vida. Apesar de haver muitas versões de diversos artistas consagrados de quem gsoto muito, a versão descomplicada, natural e depurada do João Gilberto é a líder destacada. Era uma música muito tocada nos vários bares de música ao vivo que existiam em Lisboa e que apostavam na música brasileira, bossa nova e mpb, nas suas noites mais populares.
Com música e letra do grande Ary Barroso, "Isto aqui, o que é?" é um hino de exaltação ao Brasil, esse Brasil que  seduz e que é pleno de encantos.



"Isto aqui, ô ô
É um pouquinho de Brasil iá iá
Deste Brasil que canta e é feliz,
Feliz, feliz,

É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não

Olha o jeito nas 'cadeira' que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar (Repete)

Morena boa, que me faz penar,
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar"
Isto aqui, o que é? - João Gilberto

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O primeiro Grammy português

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É hoje que o fadista Carlos do Carmo recebe o primeiro Grammy entregue a um artista português. Não quero, de nenhuma maneira, diminuir e desvalorizar este feito apesar de achar que outros já o tivessem também merecido. Para mim, este reconhecimento tem ainda mais valor por isso, porque representa o reconhecimento não só da carreira individual fantástica do Carlos do Carmo mas também deposita nele e neste reconhecimento uma homenagem a todos os outros que não tiveram oportunidaee de ganhar a mesma distinção.
É uma homenagem também ao fado e a Lisboa pois estas são duas dimensões que se confundem naturalmente com o artista como se não exitissem umas sem as outras.
Por isso escolho o tema "Um homem na cidade" com um poema maravilhosos de mais uma personagem do fado e de Lisboa, Ary dos santos e música de José Luis Tinoco, um compositor marcante da música portuguesa dos últimos 40 anos.
Junto também uma homenagem muito bonita que a Rádio Comercial fez juntando diversos cantores para interpretar outra homenajem do Carlos do carmo à sua e nossa Lisboa, um tesouro inestimável.



"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem."
Um homem na cidade - Carlos do Carmo



"No castelo ponho o cotovelo
Em Alfama descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
A almofada da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade amor da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
A aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa do amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida"
Lisboa menina e Moça - Carlos do Carmo

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Lisboa está-lhes a fazer bem

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Marcelo Camelo e Mallu Magalhães têm dividido a sua residência entre o Brasil e Lisboa e é comum ver fotos nas redes sociais, especialmente da Mallu, do cotidiano do casal em Lisboa. E a verdade é que essa estada deu óptimos frutos, o projecto Banda do Mar que partilham com o português Fred Ferreira (filho do baterista Kalu dos Xutos) é uma doce e agradável surpresa.



"Mesmo que não venha mais ninguém
Ficamos só eu e você
Fazemos a festa, somos do mundo
Sempre fomos bom de conversar

Eu só espero que não venha mais ninguém
Aí eu tenho você só pra mim
Roubo teu sono, quero teu tudo
Se mais alguém vier não vou notar

Preciso de você
Pra me fazer feliz
Não quero mais ficar
Aqui

Preciso me ver só
Pra me fazer maior
Pois quando você vem
Eu fico melhor

Mesmo que não venha mais ninguém
Ficamos só eu e você
Fazemos a festa, somos do mundo
Sempre fomos bom de conversar"
Mais ninguém - Banda do Mar

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Monobloco em Setembro, em Lisboa!

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Bela notícia! A 22 de Setembro para comemorar o "Ano do Brasil em Portugal" que, diga-se de passagem, deveria ser todos os anos! Vai ser na Praça do Comércio ou, como eu prefiro, no Terreiro do Paço e eles dizem para não perdermos coisa que eu conto, de facto, fazer. Ajudará a matar saudades das gloriosas noites na Lapa e dos incríveis desfiles quando ainda eram na praia de Ipanema e Leblon no domingo a seguir ao Carnaval. Vai virar Carnaval no Terreiro! Uh que beleza! O anúcio pode ser visto aqui e aqui.


" Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é sentir a natureza
Ter certeza pr'onde vai
E de onde vem
Que beleza é vir da pureza
E sem medo distinguir
O mal e o bem...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Que beleza é saber seu nome
Sua origem, seu passado
E seu futuro
Que beleza é conhecer
O desencanto
E ver tudo bem mais claro
No escuro...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Abra a porta
E vá entrando
Felicidade vai
Brilhar no mundo
Que Beleza! Que Beleza!...
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!
Uh! Uh! Uh! Que Beleza!"
Imunização Racional (Que Beleza) - Monobloco (Tim Maia)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

sábado, 14 de agosto de 2010

Na Lisboa que amanhece...

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Breathtaking! Noite, madrugada e manhã de Lisboa com sabor a Rio. Obrigado Miguel e Bruno, pareceu uma noite de Jobi.









quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lisboa que amanhece...

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"Cansados vão os corpos para casa
dos ritmos imitados de outra dança
a noite finge ser
ainda uma criança
de olhos na lua
com a sua
cegueira da razão e do desejo

A noite é cega e as sombras de Lisboa
são da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
amou como se fosse
a mais indefesa
princesa
que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece

O Tejo que reflecte o dia à solta
à noite é prisioneiro dos olhares
ao cais dos miradouros
vão chegando dos bares
os navegantes
amantes
das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
que as dádivas da noite são eternas
mal chega a madrugada
tem que rapar as pernas
para que o dia não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes

Não sei se dura sempre esse teu beijo ...

Em sonhos, é sabido, não se morre
aliás essa é a única vantagem
de, após o vão trabalho
o povo ir de viagem
ao sono fundo
fecundo
em glórias e terrores e venturas

E ai de quem acorda estremunhado
espreitando pela fresta a ver se é dia
a esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido
ruído
que a noite, a seu costume, transfigura

Não sei se dura sempre esse teu beijo ..."

Lisboa que amanhece - Sérgio Godinho (versão com Caetano Veloso)
Para mim, a versão da música, Caetano faz toda a diferença. É raro o amanhecer em Lisboa em que ela não me venha à cabeça.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Todas as esquinas

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"São esquinas. Esquinas depois de esquinas depois de esquinas. E após cada uma delas, um outro país, uma outra paisagem, uma outra gente.

Portugal é feito de esquinas onde o tempo se confunde com o tempo. Onde o espaço se confunde com o espaço. Mas onde jamais tempo e espaço se confundem como acontece em algumas cidades do Novo Mundo.
Atrás de cada esquina há um castelo, uma janela, uma oliveira, uma guitarra que trina. E tudo muda na esquina de um segundo... dobra-se uma esquina e, de repente,um rio...e, de repente, uma serra...e, de repente, uma praia...e, de repente, um sol radioso...e, de repente,o mar, o mar, o mar!

E a memória...a memória carregadinha de esquinas que se dobram para encontrar o Pessoa tomando café na Brasileira de olhos postos no Camões...e depois dobra-se mais uma esquina para ir cumprimentar o Eça...e sobe-se a São Bento para ouvir a Amália cantar os poetas todos que foi encontrando nas esquinas do seu Fado. Ela que nos mostrou que Portugal é uma quadra do Linhares Barbosa e um soneto do Camões.

Avenidas, planícies, montes, tudo isso cabe na esquina de um olhar, de um sorriso, na esquina de uma lembrança. Porque tudo é pequeno. Porque tudo é imenso. Porque tudo é português e ser português é como viver à esquina. À esquina do mundo, do mundo todo. Por isso, é-me fácil ser tudo. Numa esquina sou negro. Noutra sou do Leste da Europa. Numa outra sou asiático e, em todas elas, sou brasileiro. Em Portugal, a gente vira uma esquina e lá está a Bahia, Minas, o Rio...Dobra-se a esquina da língua e logo surgem os poetas desse país enorme onde a cada esquina se vê Lisboa – ouvem-se versos de Clarice, de Castro Alves, de Cecília, de Ferreira Gullar, do Chico e, na esquina mais desejada, encontra-se majestosa,uma menina. Uma menina que tem a voz cheia de esquinas. Esquinas onde moram os poetas, todos os poetas da língua portuguesa, não lhe importando qual a margem do Atlântico onde nasceram, porque ela sabe dobrar a esquina de todos os sentimentos, de todas as emoções de todos os significados, de todos os sotaques. O seu nome é Maria Bethânia e ensinou-nos que o canto é uma esquina de onde se avista, ao mesmo tempo,o Tejo e o Subaé.

Só a luz de Lisboa não quer saber das esquinas. A luz que vem do mar a que decidimos chamar Tejo. Essa luz ultrapassa as esquinas, cruza-as à nossa frente, vai mais depressa, mais devagar, mete-se pelos becos, entra pelas janelas, molha-nos os olhos, imiscui-se-nos nas veias, usa-nos a voz, traça-nos o destino.

Essa luz quando é rio, chama-se Tejo; quando é sal, chama-se mar; quando é dor chama-se Fado...e é cantado em todas as esquinas..."

Tiago Torres da Silva

Outono em Lisboa, Primavera no Rio.

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O sol teimosamente perdura o calor mas o cinzento outono já vai dando sinais da sua presença oficiosa. Apesar disso, sabemos no íntimo que o sol vai voltar a brilhar em todo o seu esplendor no outro lado do Atlântico.

"Um dia de sol" - Papas da Língua