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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

"Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal"

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"Pecado é não brincar de Carnaval!"

Em Junho deste ano, estalou a polémica no univreso do samba do Rio de Janeiro. O prefeito Marcelo Crivella anunciou um corte de 50% da subvenção direcionada às escolas de samba. A decisão gerou diversos protestos, obviamente, e a primeira foi executada pela Liesa, que chegou a suspender os desfiles da Sapucaí do Grupo Especial.
A Estação Primeira olhou para essa fragilidade e transformou-a em samba enredo, dando como tema de inpsiração para a criação das candidaturas a samba enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”. Foi a forma mais intelegente e adequada de manter o protesto até à sua génese pois ningém vai esquecer que no próprio desfile o protesto irá estar latente.
O samba enredo escolhido demontra sutilmente essa posição vincada e viva refletido no seu refrão principal "Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal, pecado é não brincar o carnaval!" sendo óbvio que todo o mundo vai saber quem é esse tal de senhor a que o samba se refere. Mas as referências a este cotr não se ficam por aqui, "Com garfo e prato eu faço meu tamborim"; "Sou mestre-sala na arte de improvisar" e "Se faltar fantasia alegria há de sobrar, bate na lata pro povo sambar" são expressões claras de demonstração de superação apesar das vicissitudes criadas por esta estranha decisão que compromete, inclusivamente, o governo central já tão fragilizado na opinião pública.
Com a habitual empolgação, com uma bateria contagiante e a voz poderosa do habitual Tinga, este ano superiormente acompanhado pelo sambista Péricles, a minha Estação Primeira promete causar na Sapucaí. Até porque come se diz lá em terras de vera Cruz, "se não for pra causar, eu nem vou!". Canta Mangueira!

 "Chegou a hora de mudar
Erguer a bandeira do samba
Vem a luz à consciência
Que ilumina a resistência dessa gente bamba
Pergunte aos seus ancestrais
Dos antigos carnavais, nossa raça costumeira

Outrora marginalizado já usei cetim barato
Pra desfilar na Mangueira

A minha escola de vida é um botequim
Com garfo e prato eu faço meu tamborim
Firmo na palma da mão, cantando laiálaiá
Sou mestre-sala na arte de improvisar

Ôôô somos a voz do povo
Embarque nesse cordão
Pra ser feliz de novo
Vem como pode no meio da multidão

Não, não liga não!
Que a minha festa é sem pudor e sem pena
Volta a emoção
Pouco me importam o brilho e a renda
Vem pode chegar
Que a rua é nossa mas é por direito
Vem vadiar por opção, derrubar esse portão, resgatar nosso respeito
O morro desnudo e sem vaidade
Sambando na cara da sociedade
Levanta o tapete e sacode a poeira
Pois ninguém vai calar a estação primeira

Se faltar fantasia alegria há de sobrar
Bate na lata pro povo sambar

Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal
Pecado é não brincar o carnaval!"
Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco - Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal Intérprete, Tinga Participação Especial, Péricles

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Chico - Artista brasileiro

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É lançado hoje o documentário biográfico sobre o Chico Buarque de Holanda, um dos maiores compositor, letrista, músico e cantor da música popular brasileira.
Confesso que não foi, durante bastante tempo, um artista que eu adorasse. Sempre foi incontornável a importância fundamental dele na música do Brasil e da música interpretada em português, gostava de algumas das suas criações mas tinha um certo preconceito com a sua música e, especialmente com a sua voz.
Mas mesmo sem ele saber :), foi-me ganhando progressivamente e nesse trajeto, a sua obra teatral/ cinematográfica "A ópera do malandro" sempre foi um pilar sólido que grantiu sentimentos positivos permanentes para com ele. A trilha sonora do filme tinha uma vantagem quase existencial, nessa altura, para mim, tinha outros a interpretar as músicas do Chico. Tinha a magnífica interpretação da Elba Ramalho da incrível canção "O meu amor" com a actriz Cláudia Ohana, ou mesmo as participações do inesperadamente talentoso para a música, Edson Celulari, quem diria? A propósito da canção "O meu amor" é incrível como é que um homem consegue escrever um poema que só poderia ter saído da cabeça e do desespero de uma mulher.
A verdade é que, progressivamente, a antipatia respeitosa foi virando admiração pura e agora reconheço que estou definitiva e totalmente curado.
Por isso é com enorme expetativa que vou ficar a aguardar que este filme fique disponível.
Entretanto a trilha do fikme está já disponível e podem escutá-la já no Spotify. Destaco a linda versão da música "Sabiá" interpretada pela nossa Carminho e a linda homenagem à escola de samba do seu e do meu coração, a Estação Primeira, interpretada superiormente por Péricles, "Estação derradeira".
Juro e prometo que se um dia o voltar a encontrar nos seus passeios pela praia do Leblon e se ele me quiser escutar, peço-lhe desculpa.