Há muito tempo que este tão eloquente e bonito dueto da Roberta Sá e do Martinho da Vila não fazia tanto sentido para mim como nesta sexta-feira.
Verdade absoluta, amanhã é mesmo sábado e a mim vai saber-me tão bem e o domingo ainda melhor.
Está quase a sair o novo trabalho do António Zambujo, um disco em que ele interpreta músicas do Chico Buarque e que se chama "Até pensei que fosse minha". É notória e estrutural a influência da música brasileira na sua construção como artista assim como também é óbvia e latente a sua paixão pela obra de diversos nomes que constituem a história da música popular brasileira.
O Chico é um dos mais presentes e regulares nos concertos do António Zambujo, a "Valsinha", que estará neste disco, é, felizmente, interpretada com alguma regularidade e, inclusivamente, num show no Brasil, o António convidou a Carminho para um dueto em que interpretaram o tema "Sem fantasia" e a filmagem amadora que vi, tinha sido feita pelo próprio Chico. O tema também está neste disco mas a parceira muda, é a Roberta Sá que partilha a canção desta vez. A Carminho não foi esquecida e participa neste disco na maravilhosa canção, "O meu amor" que faz parte da famosa e brilhante "Ópera do Malandro".
O outro dueto que existe no disco é, como não podia deixar de ser, com o próprio Chico Buarque na canção "Joana francesa". O disco possui ainda diversos clássicos tais como, "Injuriado", "João e Maria", "Cálice", "Tanto mar" e "Geni e o zepelim".
O disco é lançado no próximo dia 21 de Outubro.
Quando dois talentos se encontram e se divertem, geralmente, dá nisto, numa explosão de boa energia e numa música que envolve e nos estimula todas as boas sensações que gostamos de ter e partilhar. Neste caso especial, o facto torna-se ainda mais extraordinário pelo encontro imprevisto, inesperado e até dissonante entre o clássico e o tradicional do fado e o contemporâneo.
É verdade que os novos intérpretes do fado o retiraram das suas barreiras e até prisões dogmáticas e o trouxeram para o cotidiano. Honra seja feita à Mariza, ao António Zambujo e à Carminho, neste caso. Graças à sua descontração e desembaraço é cada vez mais comum ver o fado fora da sua zona de conforto e aventurar-se para novos estilos e ritmos. Este dueto da Carminho com os HMB é excelente exemplo disso, como já tinha sido também o dueto da Carminho com a Marisa Monte ou os duetos da Roberta Sá com o António Zambujo, para referir apenas alguns.
A música também se faz desta partilha quase descomprometida e desinteressada. Com uma forte componente de risco mas com um alto grau de vontade e desejo de se fazer, tal qual o amor de que falam na música. Deve ser assim, pelo menos para eles e também para mim, para nós.
"Eu não sei se algum dia eu vou mudar
Mas eu sei que por ti posso tentar
Até me entreguei e foi de uma vez
Num gesto um pouco louco
Sem pensar em razões nem porquês"
O amor é assim - HMB e Carminho
É sempre assim, mesmo a 7.715,16 km de distância, com o enorme Atlântico a separar-me e com o frio do hemisfério norte a trazer-me para a realidade, é inevitável não me entusiasmar com o que vai passando no outo hemisfério nesta altura e não sentir uma enorme nostalgia pelos carnavais já passados no Rio e uma pesada frustação por não poder estar lá.
A ansiedade para ver os desfiles das escolas de samba vai progressivamente aumentando e as partilhas dos amigos que estão lá curtindo esta época ameniza ligeiramente o desencanto de estarmos longe. Infelizmente, não é ainda este ano que poderei mostrar toda a alegria contagiante do Carnaval carioca à C. mas a espera só aumentará o prazer do desfrute no dia que se concretizar.
Resta-nos a música e as duas maratonas de desfiles carnavalescos que já se vão tornando uma feliz tradição. É uma amenização dos sintomas de saudade mas saudades do futuro que ainda virá.
Novo disco da Roberta Sá, chama-se "Delírio" e é o seu sexto trabalho publicado.
Tem várias participações nomeadamente do António Zambujo e do Chico Buarque e os dois temas em que participam, além de serem dois momentos marcantes deste álbum serão, com certeza, dois temas que deixarão a sua marca na música lusófona. Mais dois duetos que tocam.
Depois da tristeza de ver a minha Estação Primeira fora do desfile das campeãs, aqui deste lado do Atlântico chegou o sol, espero que chegue para ficar.
"A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval.
Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou.
A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor."
Novo amor - Roberta Sá
Belo concerto do António Zambujo, mais um em tão pouco tempo, tenho a certeza que se tornaria um hábito bastante agradável. Um dos momentos foram os duetos com a Roberta Sá e este "Novo amor" que na versão original é acompanhada pelo Hamilton de Holanda. Deu para amenizar a fustração de termos perdido o concerto da Roberta Sá no dia anterior.
Impressionante a performance do sr. ministro hoje no CCB. Belo show caipira / nordestino. Só faltou a Roberta Sá.
"Minha princesa
Quanta beleza coube a ti
Minha princesa
Quanta tristeza coube a mim
Na profundeza
O amor cavou
O amor furou
Fundo no chão
No coração do meu sertão
No meu torrão natal
Meu berço natural
Meu ponto cardeal
Meu açucar, meu sal
Oh, meu guerreiro
O teu braseiro me queimou
Oh, meu guerreiro
Meu travesseiro é teu amor
Meu cangaceiro
Que me pegou
Me carregou
Que me plantou no seu quintal
Me devolveu
Minha casa real
Minh'alma original
Meu vaso de cristal
E o meu ponto final
Nossos destinos
Desde meninos dão-se as mãos
Nossos destinos
De pequeninos eram irmãos
E os desatinos
Também tivemos que vivê-los
Bem juntinhos
E os caminhos
Nos trouxeram para este lugar
Aqui vamos ficar
Amar, viver, lutar
Até tudo acabar"
Minha princesa de cordel - Gilberto Gil e Roberta Sá
Vi ontem, pela primeira vez e gostei da música. Óptima ideia da TAP e um excelente exemplo da criação de um conteúdo de qualidade para utlizar em publicidade e, assim sair das formas convencionais. A nova campanha da TAP chama-se "De braços abertos" que é também o título da música que reuniu a Mariza, a Roberta Sá e o Paulo Flores.
"Eu já não sei Se fiz bem ou se fiz mal Em pôr um ponto final Na minha paixão ardente Eu já não sei Porque quem sofre de amor A cantar sofre melhor As mágoas que o peito sente
Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos Sinto o desejo de me lançar nos teus braços Tenho vontade de te dizer frente a frente Quanta saudade há do teu amor ausente Num louco anseio, lembrando o que já chorei Se te amo ou se te odeio Eu já não sei
Eu já não sei Sorrir como então sorria Quando em lindos sonhos via A tua adorada imagem Eu já não sei Se deva ou não deva querer-te Pois quero às vezes esquecer-te Quero, mas não tenho coragem" Eu já não sei - António Zambujo
"A luz apaga porque já raiou o dia E a fantasia vai voltar pro barracão Outra ilusão desaparece quarta-feira Queira ou não queira terminou o carnaval
Mas não faz mal, não é o fim da batucada E a madrugada vem trazer meu novo amor Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro Come o couro no terreiro porque o choro começou
A gente ri A gente chora E joga fora o que passou A gente ri A gente chora E comemora o novo amor" Novo Amor - Roberta Sá
Ontem o show da Roberta Sá foi incrível, intimista, divertido, mexido e com uma parte final perfeita, primeiro, um fado e um chorinho com António Zambujo e depois uma sequência de sambas enredos que mexeu com as cadeiras de toda a gente. É uma já uma confirmação dos novos intérpretes da música brasileira e demonstra-o plenamente ao vivo, onde assume com alegria as "despesas" todas do show, suportada por uma banda muito competente. Foi mara :) Este "Alô Fevereiro" merecia dois encores, no mínimo!
"Tamborim avisou, cuidado, Violão respondeu, me espera, Cavaquinho atacou, dobrado, Quando o apito chegou, já era.
Veio o surdo e bateu, tão forte, Que a cuíca gemeu, de medo, E o pandeiro dançou, que sorte, Fazer samba não é brinquedo, Todo mês de fevereiro, morena, Carnaval te espera.
Querem te botar feitiço, morena, Mas também pudera, Se ele pega no teu corpo, Vai ter gente enlouquecida, Querendo entender a tua dança, Querendo saber da tua vida...."
Três lendas da MPB e três novas caras lindas. Jaír Rodrigues com a sensualidade latente da Cláudia Leite, Roberto Silva com a beleza tranquila da Roberta Sá e Gilberto Gil com a meninice da Marjorie Estiano. Adoro este dvd que se chama "Cidade do Samba" e já está quase gasto aqui em casa.
A nova geração do samba aqui numa música do mestre Bezerra da Silva, Malandro é Malandro, Mané é Mané. E como se disse uma vez num certo táxi em Salvador a caminho de mais uma noite de carnaval, "Pô, dizem que português é mané mas português não é mané, não!" Né cumpadre Pedro?
E aqui além do Diogo, Roberta Sá, ui, ui, morena sensacional. Estes shows da nova editora do Zé Pagodinho são irresistíveis. Valeu cumpadre.
Roberta Sá e Lenine, magnífico. "Eu sou o dedo e você o meu gatilho", precisa dizer mais? Versão original e outra com Pedro Luís, seu marido no mítico Circo Voador, ela é gata mesmo.