terça-feira, 29 de março de 2016

Agora venha o DVD

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Ontem à noite no Porto cumpriram-se os 17 concertos que juntaram o António Zambujo e o Miguel Araújo durante, quase, dois meses entre Lisboa e o Porto. Incrivelmente, parece que esgotaram todos e, porovavelmente, esgotariam mais dois ou três se resolvessem abirir mais datas.
É uma prova feliz de vitalidade desta nova música portuguesa e destes dois artistas que a representam tão bem. Música com qualidade mas sem preconceitos, descontraída mas muito profissional e, no caso deles, com uma cumplicidade singela mas que transformou cada noite em momentos inesquecíveis. Pelo menos nas duas que tivemos a sorte de assistir foi isso que aconteceu.
Já existe uma pequena amostra semi produzida daquilo que foram estas 17 noites e que vai, com certeza, ficar registado em CD e DVD e a música que escolheram, "No rancho fundo", um samba-canção clássico da autoria de Ary Barroso e que foi popularizado por uma dupla sertaneja na trilha sonora da telenovela Tieta, não poderia ser mais bem escolhida pois representa esta dimensão transversal, multi cultural e apátrida que a língua portuguesa possui. E a vontade e o prazer que demonstram a interpretar músicas de outros estilos e de outras geografias é também  um contributo importante para o poder de atração e para o sucesso deles.
Venha o DVD.




quinta-feira, 24 de março de 2016

Hoje o céu está tão lindo, vai chuva!

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Parece que o sol, finalmente, chegou para ficar a este lado do Atlântico, conferindo enfim significado e legitimidade à palavra Primavera e permitindo, assim, que tenhamos justas expetativas na sua versão 2016.
Há muitas primaveras atrás, ela era quase sempre o prenúncio das coisas boas que iríamos concretizar na estação a seguir. Era quase uma ante-câmera para testar vivências e depurar o que iríamos explorar no Verão pois, apesar de 3 meses de férias, o Verão não dava para desperdícios de tempos em atividades que não nos dessem prazer absoluto.
Era também um teaser, um primeiro estímulo ou indução, quase provocatória, de tudo aquilo que estava à nossa espera nos meses seguintes. Tão perto mas, infelizmente, ainda tão longe, no entanto, como se diz do outro lado do Atlântico, algumas vezes, o melhor da festa é esperar por ela e, também por isso, a Primavera tinha esse sabor especial.
Hoje parece um dia desses e véspera de feriado aumenta essa sensação e essa nostalgia, por isso, não vejo melhor razão para cantar É Primavera, junto com o saudoso Tim Maia.



quarta-feira, 23 de março de 2016

A boa música é assim, pelo menos para mim

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Quando dois talentos se encontram e se divertem, geralmente, dá nisto, numa explosão de boa energia e numa música que envolve e nos estimula todas as boas sensações que gostamos de ter e partilhar. Neste caso especial, o facto torna-se ainda mais extraordinário pelo encontro imprevisto, inesperado e até dissonante entre o clássico e o tradicional do fado e o contemporâneo.
É verdade que os novos intérpretes do fado o retiraram das suas barreiras e até prisões dogmáticas e o trouxeram para o cotidiano. Honra seja feita à Mariza, ao António Zambujo e à Carminho, neste caso. Graças à sua descontração e desembaraço é cada vez mais comum ver o fado fora da sua zona de conforto e aventurar-se para novos estilos e ritmos. Este dueto da Carminho com os HMB é excelente exemplo disso, como já tinha sido também o dueto da Carminho com a Marisa Monte ou os duetos da Roberta Sá com o António Zambujo, para referir apenas alguns.
A música também se faz desta partilha quase descomprometida e desinteressada. Com uma forte componente de risco mas com um alto grau de vontade e desejo de se fazer, tal qual o amor de que falam na música. Deve ser assim, pelo menos para eles e também para mim, para nós.

 "Eu não sei se algum dia eu vou mudar
Mas eu sei que por ti posso tentar
Até me entreguei e foi de uma vez
Num gesto um pouco louco
Sem pensar em razões nem porquês"
O amor é assim - HMB e Carminho

segunda-feira, 21 de março de 2016

Anavitória

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Anavitória é o resultado do encontro das cantoras Ana e Vitória e formam uma dupla recente no panorama musical brasileiro. A sua música mais conhecida "Singular" tem um milhão e meio de visualizações no Youtube quase 5 milhões no Facebook. Nesta última plataforma, alcançou o icónico marco de um milhão em apenas dois dias quando partilharam o clipe na página do site de resenha cultural Brasileiríssimos.
 Além de originais, já tinham feito alguns covers de outros autores que compartilhavam nos seus canais de Youtube. Num estilo calmo e delicado, demonstram influêcias de outros artistas brasileiros mais consagrados mas recentes como a Tiê, o Tiago Iorc, a Mallu Magalhães ou a Clarice Falcão que adoptaram este pop mais sensível e meio contemplativo com influências indie. O Tiago Iorc deu-lhes até um primeiro impulso depois de ter escutado a cover delas de um tema seu.

 O tema "Singular" é uma música para regressos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Bom destino

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"Foi p'lo sabor do seu caminho
Que ela acabou por se convencer
Que avançava mais indo mansinho
Que em passos altos a combater
Onde plantou o azevinho
Cresceu o dom de saber ver crescer
Linda a promessa do destino
Se houver vontade de a manter"
Bom destino - Márcia

Música perfeita para fechar a semana. Coisa tão boa e muito a propósito para várias situações que estão a acaontecer neste momento, comigo, connosco, com os nossos entes mais queridos e com alguns dos nossos amigos. Esta é para todos nós.

terça-feira, 15 de março de 2016

Os últimos dias do Tua

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O Vale do Tua é um dos lugares intocáveis do nosso pequeno país, está integrado na paisagem do Douro que é classificada como Patromónio Mundial da Humanidade pela Unesco. Apesar disso, está a construir-se uma barragem que vai alterar inevitavelmente todo este vale e que implicará impatos que ninguém consegue ainda prever no produto mais reconhecido e exportado mundialmente, o vinho do Porto. Existe uma plataforma chamada "Os ùltimos Dias do Tua" que tem vindo a sensibilizar e a juntar todos os argumentos contra esta barragem ultimoanodotua.pt. A verdade é que a balança pende bastante para um dos lados não pela qualidade e razonabilidade dos argumentos mas apenas pelo dinheiro e interesses complementares. Ninguém consegue explicar qual será a vantagem económica de uma nova barragem. O que está comprovado é que essa barragem contribuirá com 0,1% para a produção da energia que o país consome. Isso, aparentemente, é um facto indiscutível e, infelizmente, parece que é, também, um argumento suficientemente plausível para se destruir património natural e histórico de forma irreversível. Este é um dos filmes realizados para dar voz à pouca força que têm vindo a ter os argumentos contra a barragem. São argumenrtos de quem vai sofrer diretamente com esta asneira e, por isso, é tocante. Expliquem-me se isto é mesmo necessário, se não há outra forma. Cada vez é mais difícil encontrarmos locais intocados e vamos estragar mais um em nome de nada. Gastamos dinheiro para termos locais reconhecidos mundialmente e depois destruímo-los irremediavelmente. Não faz sentido e o mais assustador é que não é caso único.

segunda-feira, 14 de março de 2016

American tune

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A dupla Simon & Garfunkel também já não faz parte das minhas opções musicais há muitos e longos anos. Mas, nos dois concertos que assistimos do Miguel Araújo e do António Zambujo no Coliseu dos Recreios fiquei com vontade de ouvir outra vez a gravação do concerto histórico e memorável que eles fizeram em Nova Iorque, em pleno Central Park para cerca de meio milhão de pessoas em 1981. Estavam já separados há cerca de 10 anos mas aceitaram o desafio da entidade que geria o emblemático parque que é um dos símbolos da cidade. Precisavam de fundos para fazer vários melhoramentos e a dupla aceitou o desafio e fez um concerto de beneficiência para recolher fundos para a manutenção desse grandioso parque. O Miguel Araújo utilizou-os como um dos exemplos da cultura anglo-saxónica que contribuiu para a sua formação musical, afirmando que esta foi a sua raíz cultural lá para os lados de Águas Santas em comparação com as raízes alentejanas e a sua música ancestral que foram fundamentais na formação do António Zambujo. Esta dupla folk nova iorquina, descendente de judeus, também foi muito importante na formação do meu gosto musical, ouvi vezes sem conta este disco na minha pré e plena adolescência. De facto, ouvi tanto que um dia me fartei e passei a ouvir outras coisas completamente diferentes. A partir desse momento, admito, que nos primeiros tempos em que comecei a frequentar bares de música ao vivo, já não tinha muita paciência para ouvir aspirantes a trovadores folk que não dispensavam as músicas desta dupla nos seus sets de covers todas as noites. Confesso que nem mesmo esta nova corrente vinda dos Estados Unidos que ressuscitou o folk e lhe deu um lado contemporâneo e moderno a que chamam Indie Folk e onde se podem incluir os Bon Iver, de quem gosto muito, me fez despertar a vontade de voltar a ouvir a dupla mas bastou o Miguel Araújo tocar o velhinho "American tune" para ir a correr redescobrir a versão original e os restantes temas desse concerto. E graças a isto, os senhores Paul Simon e Art Garfunkel voltaram a estar em algumas das playlists que me vão acompanhando no meu dia a dia. Aconselho-os em doses moderadas.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Dark side of the moon

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Este disco dos Pink Floyd faz hoje 43 anos que foi lançado. Para mim é um disco muito especial pois foi o primeiro disco que ouvi dos Pink Floyd aind amuito novo, talvez até demasiado novo pois não tinha mais de 10 anos. Foi este disco que me despertou o interesse para descobrir os outros e o que me preparou para os outros que foram contemporâneos da minha geração, especialmente o "The wall" de 79 e o "The final cut" de 83. Confesso que já não é habitual ouvir Pink Floyd mas de vez em quando tenho vontade e este disco mantém-se no top das minhas preferências. Os Pink Floyd juntamente com os Dire Straits, os Supertramp, os Queen e noutra dimensão, o Tom Jobim, o Vinícius de Moraes e a Simone foram os grandes responsáveis pelo início da minha paixão pela música e pela formação dos meus gostos e preferências e, também por isso, fazem parte da minha vida. O tema "Us and them" é um excelente elemento para demonstrar esta minha estória com a música.

terça-feira, 8 de março de 2016

Showzaço

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Confesso que já não consigo contar corretamente o número de shows que já vi do Seu Jorge e só me arrependo dos poucos que falhei quando ele passou por Portugal. Já o vi no Rio, no mítico Circo Voador e também o vimos em Niterói numa noite épica, acabados de chegar à cidade e que deu algumas estórias para contar. No sábado passado lá estivemos outra vez, aproveitando também para fugir à angústia gerada pelo coincidência de estar a decorrer, simultâneamente, o derby de futebol da cidade de Lisboa crítico para o futuro das aspirações do meu Benfica. Confesso que foi o melhor que fiz, em todos os sentidos. Mas u«o melhor deles foi ver um grande show de música de um Seu Jorge em grande forma e muito inspirado, de um Conjuntão Pesadão que está cada vez mais "pesado", tocam horrores os senhores! E a cereja em cima do topo do bolo a voz da Marisa Monte que é sempre um regalo para todos os sentidos do corpo. Dois momentos a realçar, a versão incrível do tema "Bom senso" do Tima Maia que já tinha visto no especial de homenagem do Som Brasil ao Tim e todos os momentos com a Marisa que, mesmo assim, pareceram poucos. Show di bola! Venham mais vezes!

sexta-feira, 4 de março de 2016

"Hoje ela só quer paz"

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"Essa mina é uma daquelas fenomenais
Vitamina, é proteína e sais minerais
Ela é a vida, após a vida
Despedida pros seus dias mais normais
Pra que mais?"
Hoje ela só quer paz - Projota

O nome Projota parece mais adequado para uma organização social ou uma associação de cidadãos mas é o nome artístico do jovem rapper brasileiro José Tiago Sabino Pereira.
Projota é também produtor musical e começõe a sua carreira nas  batalhas de MC's e foi publicando o seu trabalho nas redes sociais YouTube e MySpace. Tem editado, de forma independente, alguns trabalhos desde 2009 e está a lançar o seu novo álbum onde está incluído esta "Hoje ela só quer paz".
Boa onda, grande swing.

terça-feira, 1 de março de 2016

Chegada de Março com Céu

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A Céu está a lançar um novo álbum que se chama "Tropix" e que tem como amostra de estreia esta grande música chamada "Perfume invisível". Por coincidência o céu que nos cobre trouxe um Março luminoso, acolhedor e muito soalheiro.
Esperemos que  tenha arrumado, definitivamente, a chuva e o frio nas gavetas e armários de inverno e que nos ofereça um Março que seja o prenúncio de uma primavera estimulante e deleitável aqui do lado não tropical e mais regelado do Atlântico.