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segunda-feira, 4 de março de 2019

Roteiro de Carnaval numa música

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Segunda feira de Carnaval em Lisboa é momento de nostalgia e saudade danada para quem gosta do Rio de Janeiro e do seu Carnaval. Todos os anos em que eu não estou lá e, infelizmente, são a grande maioria, o coração começa a apertar e as emoções vão ficando cada vez mais à flor da pele parecendo até que a minha masculinidade incorpora uma tpm fantasiosa :). É a maldição de amar tanto aquela cidade e de ter já inúmeras memórias incriveis.
Hoje, eu e a C. estaremos madrugada dentro ansiando pelo desfile da nossa Estação Primeira mas o Carnaval não é só samba, é muito mais do que isso. Curiosamente, enconteri hoje uma música, tema de estreia do músico carioca Danilo Perelló que fala da multiplicidade de emoções que se podem viver nessa fase de folia que vai para além dos tradicionais 3 dias. O tema chama-se "Amor de Carnaval" e visita diversos momentos emblemáticos da animação carnavalesca.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

"Brasil, meu dengo a Mangueira chegou"

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"Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasil que se faz um país de Lecis, Jamelões
São verde e rosa as multidões
(...)
Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês"

Este é o samba enredo da minha querida Verde e Rosa para o Carnaval de 2019. O enredo tenta contar a história do Brasil de forma tão simples como numa história de ninar e é mesmo esse o tema do enredo do desfile da escola este ano, "História pra ninar gente grande". No entanto, o propósito é muito mais ambicioso, o título do samba enredo é, "Eu quero um Brasil que não está no retrato" e a escola pretende contar mais do que a história dos marcos e dos factos formais que já se conhecem, pretende contar a "história que a história não conta", a história do cidadão comum ou mesmo do ostracizado, havendo claramente uma tomada de posição política consciente. Posição que atinge o seu momento de apoteose quando lembra, cita e homenageia a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada a tiro no dia 14 de março de 2018 no Rio, junto com o seu motorista Anderson Gomes.
O Carnaval, apesar de ser uma manifestação cultural e, nesse sentido, uma das maiores do mundo, já esteve diversas vezes ligada a manifestações de posições socio políticas e esta opção da Mangueira só vem realçar o momento que o Brasil atravessa, um país mais do que bipolarizado, partido ao meio com posições diametralmente opostas dos dois lados das trincheiras na grande maioria das temáticas sociais e políticas que são essenciais para a vivência de qualquer sociedade.
Não se deve também esquecer que o samba, entres os vários críticos cotados e personalidades relevantes no Carnaval do Rio, está cotado como um dos melhores deste ano, senão mesmo o melhor. E isso só dá mais valor aos criadores e à escolha corajosa da maior escola de samba do país.
Vai Mangueira!



segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Seu Narciso do Jobi

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Passei várias noites jogando conversa fora com o Sr. Narciso o Sr. Jobi, um homem encantador que tinha saudades permanentes da terrinha mas que amava profundamente o seu Rio de Janeiro. Quando ouvia falar português de Portugal no seu boteco, juntava-se logo à conversa e mostrando o seu orgulho em ser português. Infelizmente, deixou-nos esta semana. Não costumo fazer estas coisas nas redes sociais mas o Sr. Narciso é um dos muitos motivos por eu amar tanto o Rio e sei que vai ser muito estranho é triste voltar ao Jobi e saber que não o vou cumprimentar. Valeu Seu Narciso!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

"Há 60 anos, o samba ganhava uma 'bossa nova'"

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Este é o título da crónica do jornalista Gabriel Saboia para assinalar o 60º aniversário do nascimento de um novo estilo musical na música popular brasileira, uma nova bossa. De facto, esta nova abordagem à música não nasceu isolada mas  foi sim uma evolução nos estilos musicais já existente no panorama vasto e risxco da música que se fazia já no Brasil e ainda com influências assumidas e latentes da música americana e do jazz.
Em 1963, o crítico José Ramos Tinhorão dizia, "Filha de aventuras secretas de apartamento com a música norte-americana - que é inegavelmente a sua mãe - a bossa nova vive até hoje o mesmo drama de tantas crianças de Copacabana: não sabe que é o pai", conforme refere uma crónica que também asssinala a data na Folha de São Paulo.
A data que oficialmente assinala o nascimento da bossa nova é o dia de lançamento do disco "Chega de Saudade" de João Gilberto e que posteriormente foi considerado o marco mais representativo para assinalar o nascimento deste movimento cultural que, por ter nascido fruto da colaboração e partilha espontânea e desiteressada de um vasto número de artistas, compositores e poetas, não teve um nascimento oficial mas, em oposição, uma génese natural, orgânica e florescente fruto do ambiente que o boêmio Rio de Janeiro da altura proporcionou.
A música que dá nome ao disco é uma criação de António Carlos Jobim e do poeta Vinícius de Moraes e a interpretação e o acompanhamento ao violão de João Gilberto, condensa em si uma grande parte da essência desta nova música e muito se deve a estes três a consolidação e a internacionalização até deste estilo, sem desprimor para todos os outros que contribuiram e que com legitimidade também deve ser considerados protagonistas da criação. Sem a voz, os acordes e o dedilhar do violão único de João Gilberto, a cultura musical ao mesmo tempo eclética e erudita de Tom Jobim e a boêmia malanda aliada a uma fé inabalável e ingénua no amor do poetinha seria impossível que este estilo músical reunisse tantas músicas tão cheias de ternura e afetos, com uma simplicidade só digna de génios. Uma música tão incrivelmente intemporal e que nos transporta tão rapidamente para o maravilhoso Rio de Janeiro.


Crónica Globo
Crónica Folha de São Paulo

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Rio de Janeiro, gosto de você!

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Feliz inciativa da organização do Rock In Rio e deste grupo de músicos, uma verdadeira nata da música popular brasileira, que se juntaram para, simultaneamente, homenagearem a cidade maravilhosa e iniciar um movimento que pretende defender e valorizar essa cidade que merece todas as homenagens, amparos, protecções e valorizações. A música escolhida chama-se "Valsa da cidade" e é ela própria uma declaração de amor explícita a essa cidade que, também eu, tanto amo. Bonito aconchego para essa cidade que continua a ser maltratada e agredida pelos seus próprios habitantes, na maioria dos casos.

terça-feira, 20 de março de 2018

Encontro carioca

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Luiza Possi e João Sabiá são os dois naturais do Rio de Janeiro, a Luiza já nasceu no meio artístico pois é filha da, também cantora, Zizi Possi e o João começou muito cedo a frequentar este meio, concorreu a um prigrama de talento, participou em algumas mini-séries e novelas até se fixar na música.
Praticamente da mesma idade, Luiza é mais nova 3 anos, estão a encontrar a maturidade nas suas carreiras, um pouco ao mesmo tempo e, por causa disso ou não, encontraram-se para um doce momento musical de nome, "Me responda".

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Carnaval sem Rio é como samba sem cavaco

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Há um ano atrás, estávamos nos últimos preparativos para mais um carnaval no Rio, o primeiro da C. e o meu terceiro. Confesso que todos os anos em que não estou no Rio por esta altura, além do frio lisboeta, instala-se também uma coceira nervosa, algum desalento e um mar de saudade que não passa até à próxima vez que nos encontramos com essa cidade que tanto amamos. é uma fortuna infinita ter tido a sorte de encontrar e casar com uma mulher que acrescentou tanto na minha vida e que, além disso tudo, ama o Rio tanto como eu.
Este ano vamos, mais uma vez, tentar amenizar estes sintomas de saudade com alguns pequenos efeitos profiláticos, assistir aos desfiles, ouvir um pouco mais de samba e, este ano, não perder a roda de samba dos Sacundeia, grupo de samba criado em Lisboa mas formado por músicos brasileiros e que, por coincidência, um deles esteve na roda de samba que esteve no nosso casamento.
Não é o Rio, não estão 30 graus, Lisboa não tem a folia carioca mas ajuda a serenar a suadade por umas horas.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Saudade boa

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Hoje é dia de samba no meu querido Rio, as escolas saíram à rua e se encontraram em Copacabana e na Praia Vermelha, num cenário incrível, houve ou está ainda havendo uma roda de samba de um bloco de Carnaval maravilhoso chamado Último Gole. 
Vários amigos queridos estão por lá e fizeram questão de partilhar comigo a sua alegria e empolgação. Só quem já viveu e gosta desta cidade e destes momentos consegue perceber que só se é mesmo completamente feliz quando se partilha este entusiasmo e felicidade com quem ama esta cidade da maravilhosa e o que ela nos dá, da mesma forma. Saudades boas foi o que eu senti hoje desde o frio do Inverno de Lisboa. E como, entre os amigos, tem muitos fãs da Portela e ainda por cima em ano de campeonato fica aqui um samba lindo de homenagem a Madureira por um dos seus filhos fervorosos, Roberto Ribeiro.




domingo, 31 de dezembro de 2017

Valeu 2017

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Encerra-se mais um ano, um ano simpático, posso dizê-lo. É sempre positivo quando acordamos todos os dias sentindo-nos felizes e com ganas de viver, com força para enfrentar os desafios e sabendpo que temos quem amamos e quem nos ama à nossa volta. Foi também um ano difícil, com desafios muito complcados e, infelizmente, alguns deles não suplantados.
Mesmo assim e, apesar destes percalços que também compoem o todo, foi um ano especial, um ano de conquistas pessoais saborosas, um ano de novas vidas próximas e doces, o ano em que voltámos ao nosso Rio com amigos queridos e que estivemos juntos pela primeira vez na Sapucaí para desfilar na nossa querida Estação Primeira.
Foi o ano dos 48 e do início dos 49. Valeu 2017.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

20 anos dos Los Hermanos

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No dia 14 de dezembro de 1997, realizou-se o primeiro show de Los Hermanos e é essa a data que o grupo determina como data oficial da criação da banda. Segundo as crónicas da própria banda, foi num bar em Ipanema, no Rio de Janeiro, o Empório. O show recebeu pouco menos de cem amigos e parentes para ouvir treze temas originais. Privilégio para essa centena de fãs, principalmente para quem, como eu, é fã incondicional da banda e nunca os viu ao vivo. Infelizmente, a própria banda admite que não está previsto nenhum reencontro e, consequentemente, nenhuma agenda de concertos para o Brasil. Ou seja, para Portugal é uma hipótese ainda mais remota ou mesmo infinitesimal apesar do Marcelo Camelo ter escolhido Lisboa como casa.
Recordo-me sempre daquela tarde de Setembro de 2005 em que estava a beber uma cerveja de fim de tarde junto ao rio e vou-me apercebendo que estava uma banda a fazer soundcheck numa sala perto dessa esplanada. Era uma sala de concertos minúscula numa zona de bares chamada Jardim do Tabaco que já não existe há muitos anos - acho que se chamava Musicais.
O som que se ia ouvindo era muito bom mas confesso que não reconheci imediatamente quem era, até porque nessa altura, admito também, ainda não estava totalmente enamorado pelo som destes 5 moleques cariocas. Mal eu sabia que estava perante a última (acho) oportunidade de os ver em Portugal. Lá estive eu deliciar-me com o ensaio descontraído da molecada sempre à espera que aparecesse alguém que me mandasse embora dali o que acabou por não acontecer mas o que, infelizmente aconteceu foi que esse deleite acabou depressa. O show era nesse dia e ainda havia bilhetes, pelo que, a oportunidade estava aí à distância de algumas dezenas de euros, poucas, por sinal.
Nesse dia em casa, quando me estava a preparar para sair, apercebo-me que, também nessa noite, havia um show da Mariza junto à Torre de Belém, uma oferta da cantora à sua cidade, numa fase em que a Mariza havia recebido diversas distinções, inclusivamente internacionais, e decidiu agradecer a Lisboa. Mariza iria ser acompanhada pelo maestro Jaques Morelenbaum e pela prestigiada orquestra Sinfonietta de Lisboa.
Lembro-me de ter saído de casa completamente dividido e, mesmo a conduzir, não saber ainda onde iria. Estava e ia sozinho e sabia que a determinado ponto da minha viagem tinha de tomar uma decisão clara e definitiva, ou virava à esquerda e ia ver Los Hermanos, ou virava à direita e ia ver a Mariza. Fui adiando ao máximo essa decisão até que virei à direita. Vi um dos grandes e mais emocionantes concertos que vi em toda a minha vida até hoje. É um concerto que está registado em vídeo e que aconselho a todos. Foi uma noite muito especial para todos os que lá estiveram nessa noite.
Nunca me arrependi da decisão que tomei mas também nunca perdi essa amargura de não poder ser omnipresente, pelo menos nessa noite. Sentimento que foi aumentando na minha vida à medida que me fui apaixonando pela música desta banda.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

"Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal"

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"Pecado é não brincar de Carnaval!"

Em Junho deste ano, estalou a polémica no univreso do samba do Rio de Janeiro. O prefeito Marcelo Crivella anunciou um corte de 50% da subvenção direcionada às escolas de samba. A decisão gerou diversos protestos, obviamente, e a primeira foi executada pela Liesa, que chegou a suspender os desfiles da Sapucaí do Grupo Especial.
A Estação Primeira olhou para essa fragilidade e transformou-a em samba enredo, dando como tema de inpsiração para a criação das candidaturas a samba enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”. Foi a forma mais intelegente e adequada de manter o protesto até à sua génese pois ningém vai esquecer que no próprio desfile o protesto irá estar latente.
O samba enredo escolhido demontra sutilmente essa posição vincada e viva refletido no seu refrão principal "Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal, pecado é não brincar o carnaval!" sendo óbvio que todo o mundo vai saber quem é esse tal de senhor a que o samba se refere. Mas as referências a este cotr não se ficam por aqui, "Com garfo e prato eu faço meu tamborim"; "Sou mestre-sala na arte de improvisar" e "Se faltar fantasia alegria há de sobrar, bate na lata pro povo sambar" são expressões claras de demonstração de superação apesar das vicissitudes criadas por esta estranha decisão que compromete, inclusivamente, o governo central já tão fragilizado na opinião pública.
Com a habitual empolgação, com uma bateria contagiante e a voz poderosa do habitual Tinga, este ano superiormente acompanhado pelo sambista Péricles, a minha Estação Primeira promete causar na Sapucaí. Até porque come se diz lá em terras de vera Cruz, "se não for pra causar, eu nem vou!". Canta Mangueira!

 "Chegou a hora de mudar
Erguer a bandeira do samba
Vem a luz à consciência
Que ilumina a resistência dessa gente bamba
Pergunte aos seus ancestrais
Dos antigos carnavais, nossa raça costumeira

Outrora marginalizado já usei cetim barato
Pra desfilar na Mangueira

A minha escola de vida é um botequim
Com garfo e prato eu faço meu tamborim
Firmo na palma da mão, cantando laiálaiá
Sou mestre-sala na arte de improvisar

Ôôô somos a voz do povo
Embarque nesse cordão
Pra ser feliz de novo
Vem como pode no meio da multidão

Não, não liga não!
Que a minha festa é sem pudor e sem pena
Volta a emoção
Pouco me importam o brilho e a renda
Vem pode chegar
Que a rua é nossa mas é por direito
Vem vadiar por opção, derrubar esse portão, resgatar nosso respeito
O morro desnudo e sem vaidade
Sambando na cara da sociedade
Levanta o tapete e sacode a poeira
Pois ninguém vai calar a estação primeira

Se faltar fantasia alegria há de sobrar
Bate na lata pro povo sambar

Eu sou Mangueira meu senhor, não me leve a mal
Pecado é não brincar o carnaval!"
Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco - Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal Intérprete, Tinga Participação Especial, Péricles

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Luca Argel ou o samba com sotaque do norte

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O Luca Argel é mais um dos integrantes da maravilhosa Orquestra Bamba Social. Uma orquestra de samba com músicos portugueses e brasileiros que tem por base a cidade do Porto, cidade que acolheu os que vieram de Vera Cruz e viu nascer os integrantes lusos. O Luca é um dos brasileiros, nascido e criado no Rio de Janeiro e além de intérprete bamba é também poeta com obra editada no Brasil. Mudou-se para Portugal há alguns anos e este ano lançou o seu disco de originais, "Bandeira". Em boa hora se mudou para Portugal e em boa hora teve a coragem de lançar este seu trabalho. A Orquestra Bamba Social vive agora um estado de graça e de projeção especial devido à participação de um outros dos cantores, o Tiago Nacarato, na edição nacional do The Voice mas o Luca merece todo o destaque pois este seu primeiro disco é de grande qualidade com vários temas bastante fortes ao nível do bom que se faz no samba canção carioca, explorando o encanto de letras simples e cotidianas e melodias que lembram as rodas de samba dos bares da Lapa. "Acanhalhado" é o seu clipe de lançamento.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O aniversário agridoce

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Arlindo Cruz faz hoje 59 anos mas, infelizmente, não irá poder comemorar pois continua hospitalizado desde março, quando sofreu um acidente vascular cerebral. Tem sido incrível a onda de solidariedade que insiste em desejar a rápida e plena recuperação do bamba mais bamba dos bambas. Alô Madureira!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Até sempre Mestre das Neves

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No passado sábado recebi a triste e dolorosa notícia da morte do Mestre Wilson das Neves. Confesso que há muitos anos que tenho uma enorme admiração por este gigante artista. Baterista, cantor, ritmista e compositor, wilson é uma figura de destaque no samba e na na sua escola do coração, a Império Serrano. A sua morte é mais uma grande perda mna música brasileira e, em particular no samba que já perdeu, este ano, Amir Guineto, Luiz Melodia e sofre profudamente com o estado em que se encontra o grande Arlindo Cruz há vários meses. Conheci-o tarde, musicalmente, graças à sua participação na maravilhosa Orquestra Imperial onde o Mestre era, naturalmente, o avó deles todos e, ao mesmo tempo, aquele que denotava ser a maior criança devido ao seu jeito traquina e sempre brincalhão. Consegui conhecê-lo pessoalmente, estive a conversar brevemente com ele duas vezes e cheguei a assistir a um concerto dele aqui em Lisboa onde tirei a foto que está aqui. O Mestre embirrava solenemente com o barulho de conversa nos seu shows e não perdoava, chamava a atenção de quem o fazia e mandava calar com o seu jeito malandro e provocador próprio de quem é carioca da gema e que nunca será mané. Compôs com o seu companheiro de composição, Paulo César Pinheiro, lindos sambas que depois interpretou mas também trabalhou com outros monstros, nomeadamente, Aldir Blanc, Moacyr Luz e tocou, como baterista, na banda do Chico Buarque durante mais de 30 anos, desde 1982. É seu e de Paulo César Pinheiro o lindo samba "O samba é meu dom" que ele próprio popularizou e tinha um hábito nos seus shows que segui escrupolosamente, em cada música que cantava, antes, apresentava os respetivos autores demonstrando um respeito e uma admiração genuína por quem cria coisas bonitas. Sei de diversas estórias hilárias da sua pessoa, o que aumentava ainda mais a sua aura de atração, a última foi-me contada por um amigo próximo que quer muito de reeditar um dos primeiros trabalhos do Mestre como solista, o segundo acho, que se chama "Som quente é o das Neves" e falou pessoalmente com ele para lhe solicitar autorização. Resposta do Mestre, "Meu filho para que é que você vai fazer isso?! Esse disco é uma merda!" Vai deixar muitas saudades mas o seu som quente vai continuar a tocar pois som quente é o seu, Mestre! Mas, infelizzmente, desde sábado, vai ficar faltando você, Mestre Wilson.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

No coração da super bateria - Eu sou Mangueira sim!

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Está quase!
Daqui a uma semana lá estaremos em plena Sapucaí, ajudadndo a querida Estação Primeira conquistar o bicampeonato.
Vamos voltar ao nosso querido Rio e vou voltar a ter a emoção de desfilar na escola mais querida do planeta e, desta vez, acompanhando a estreia da C. nestas andanças e acredito, convictamente, que acabará com a vontade plena de voltar o mais rápido possível a repetir a experiência e com o coração cheio devido ao momento único que irá experienciar.
A Mangueira é, de facto, uma escola especial e, estou certo que há entusiasmo e paixão em todas as outras escolas mas nesta é mesmo diferente e, felizmente, voltou aos seus grandes momentos.
Se há dúvidas é só ver o entusiasmo da sua bateria no esquenta do seu mais recente ensaio geral e a empolgação que se assite nas bancadas. E essa eu garanto, não há empolgação maior nas bancadas do que aquela que se sente e se vê quando a Mangueira entra na avenida.

"(...) Mangueira, eu já benzi minha bandeira
Bati três vezes na madeira
Para a vitória alcançar
No peito patuá, arruda e guiné
Para provar que o meu povo nunca perde a fé
A vela acesa pro caminho iluminar
Um desejo no altar, ou no gongá
Vou festejar com a divina proteção
Num céu de estrelas enfeitado de balão
É verde e rosa o tom da minha devoção
Já virou religião (...)"
Samba Enredo 2017 - Só Com A Ajuda do Santo
G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O fim da MPB FM

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A MPB FM era, até ao final do mês passado, uma rádio do Rio de Janeiro que apenas tocava música brasileira. Era um projecto que, em Portugal diríamos que mais que corajoso, seria utópico e condenado ao fracasso desde o seu início, no entanto, temos a rádio Amália que, mal ou bem, vai sobrevivendo graças, talvez, à legião de fãs incodicionais, essencialmente, a classe de taxista.
Num país com a riqueza cultural e com a diversidade musical como o Brasil, eu diria que este projeto seria um tiro mais que certeiro, um sucesso garantido mas, infelizmente não.
Acabou de encerrar as suas emissões no início deste mês e, agora, apenas está disponível nas plataformas digitais.
Era a rádio que me fazia companhia sempre que eu visito o Rio e conheço, inclusivamente, algumas pessoas que trabalharam aí e que que me confirmaram o espírito de valorização da música popular brasileira que fazia parte do seu ADN
Lamentavelmente, é um sintoma  que denota vários problemas no país irmão, o problema económico mas também uma certa crise cultural que transformou o popular num outro conceito mais próximo do vulgar e do massificado.
Fica o registo da última música tocada, "Quem te viu, quem te vê" de Chico Buarque, numa versão interpretada pelo Zeca Pagodinho e que nem sequer acabou, foi cortada abruptamente para passar para a emissão da rádio que ficou com a frequência. Metáfora forte!

"(...) Brasil, mostra a tua cara
Quero ver quem paga pra gente ficar assim (...)"
Brasil - Cazuza



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Luana, filha do samba

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Luana Carvalho tem na sua genética um código riquíssimo do ponto de vista musical e cultural já que é filha da grande senhora e madrinha do samba, Beth Carvalho.
Talvez, por isso e pela responsabilidade decorrente desse facto, tenha demorado tanto tempo a iniciar o seu percurso na música de uma forma assumida e autónoma.
Aos 17 anos, ela participou na quarta temporada de “Malhação”, na Globo, em 1998 e participou ainda em três novelas, no mesmo canal, já durante entre 2005 e 2007, uma delas a novela "Páginas da vida" que  se retratava estórias da zona sul carioca, especialmente o Leblon, escrita por um dos seus ilustres habitantes e amantes, Manoel Carlos. Reconheço, uma das novelas que segui de forma dedicada.
Participou ainda no primeiro episódio da maravilhosa série Mandrake.
A sua entrada na música aconteceu ainda antes de se iniciar como atriz mas de forma mais discreta, fazendo backing vocals para a sua mãe durante três anos mas nunca, até agora, tinha assumido um papel individual na cena musical brasileira. O momento de maior visibilidade tinha sido quando uma música sua, interpretada pela sua mãe e por Zeca Pagodinho foi nomeada para a categoria Melhor Canção do Prêmio da Música Brasileira de 2012. A música chama-se "Arrasta sandália" e é um samba daqueles que arrasta.
Hoje com 35 anos, acabou de lançar não um mas sim dois discos com músicas da sua autoria e de outros parceiros musicais e produzidos pelo querido Moreno Veloso.
Os discos chamam-se  “Sul” e “Branco”, o primeiro é um disco intimista e o segundo conta com os habituais companheiros de Moreno, Pedro Sá e Domenico.
Este "Invente-me" faz parte do disco "Sul" e é lindo. Mais uma razão para agradecer à madrinha Beth por existir e por fazer tantas coisas boas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Novo fôlego da Vanessa

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A Vanessa da Mata tem nova música e depois de alguma indefenição da sua carreira, esta nova música traz a Vanessa dos seus primeiros discos. Música alegre, com batida dançante que já pede Verão apesar do nosso Inverno cheio de frio e chuva.
Lembro-me do Verão do hemisfério sul de 2006 no Rio de janeiro onde se ouvia em todo o lugar a versão mais beat da música "Ai, ai, ai" e era tão contagiante que mesmo que estivessemos saindo, acabávamos por ficar.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Rio de janeiro, 25 de Janeiro de 1927

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Fez ontem 90 anos que num dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro, o bairro da Tijuca, que nasceu o futuro pianista, cantor, arranjador, guitarrista, compositor e maestro António Carlos Jobim, o maior expoente da música brasileira e um dos fundadores do movimento Bossa Nova. A data redonda pede uma homenagem especial a uma figura que  influenciou de forma determinante o meu gosto musical e, mais que isso, a minha paixão pela música no geral e pela MPB em particular.
Obviamente, contribui também para o meu amor tão grande e tão especial à sua cidade natal, o belo Rio de janeiro.
O maestro Tom Jobim tinha uma qualidade muito particular, a sua paixão pelas suas raízes musicais mais tradicionais  e isso  dava uma amplitude e uma abrangência extraordinária ao seu ecletismo musical. Essa paixão garantiu que desde o início da sua carreira e até ao seu desaparecimento, o seu talento e o seu trabalho nunca se tenha separado dessas raízes, pelo contrário foi sempre usado para enriquecer essa cultura nacional, inclusivamente no estilo mais tradicional da vida carioca, o samba. Lembro-me de um disco que comprei há muitos anos no Rio com temas do Tom Jobim chamado "No Tom da Mangueira", e que incluia, entre outras, a linda "Piano na Mangueira". Era um disco que assinalava o desfile da Mangueira no Carnaval de 1992 em que o samba-enredo foi uma homenagem ao maestro e a todo o seu trabalho. Felizmente, Tom Jobim ainda teve oportunidade de ver essa bonita homenagem e assim é que deve ser, demonstrar o nosso respeito e admiração em vida e, no caso de um samba-enredo esse facto ainda assume uma importância maior pois não há homenagem mais gloriosa que ser tema de uma samba-enredo e nunca se deverá tirar o prazer de assistir a esse momento único na vida.
Salve maestro, como diz o samba, "Se todos fossem iguais a você, que maravilha seria viver"!



"Mangueira vai deixar saudade
Quando o carnaval chegar ao fim
Quero me perder na fantasia
Que invade os poemas de Jobim
Amanheceu, o Rio canta de alegria
Aconteceu a mais linda sinfonia
O sol já despontou na serra,
Molhando o seu corpo sedutor

O mar beija a garota de Ipanema,
a musa de um sonhador
O mar beija a garota de Ipanema,
a musa de um sonhador

É carnaval, é a doce ilusão,
É promessa de vida no meu coração
É carnaval, é a doce ilusão,
é promessa de vida no meu coração (Mas vem ... )

Vem, vem amar a liberdade,
Vem cantar e sorrir, ter um mundo melhor
Vem, meu coração está em festa,
Eu sou a Mangueira em Tom maior
Salve o samba de terreiro, salve o Rio de Janeiro,
Seus recantos naturais

Se todos fossem iguais a você,
que maravilha seria viver"
Se todos fossem iguais a você - Estação Primeira de Mangueira

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Descubra as diferenças

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Ou, por outras palavras, como transformar um hit popular em algo totalmente diferente e cheio de bom gosto. Dois exemplos maravilhosos de reinvenção de duas músicas da rainha do pop carioca, Anitta. A primeira já tem alguns anos e usa a fórmula meio caseira dos vídeos do Youtube que já revelou vários talentos. Usa os códigos da Bossa Nova e da música de chill out e transforma um dos hits dançantes num simples mas harmonioso enredo musical que permite e potencia que as bonitas vozes brilhem. Alguém imaginou que o "Show das poderosas" dava nisso?! A segunda música e versão é mais recente e é um pouco mais elaborada, inclusivamente no videoclip, realizado com extraordinário bom gosto e carregado de criatividade. É uma versão da música "Bang" que também usa o modo meio acústico mas acrescenta pormenores deliciosos de um violoncelo congruente e bastante saliente e, na minha opinião, muda, inclusivamente, a lógica e o enredo da própria música. Gosto deste miúdo.