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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

"Poder da criação"

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Ontem, dia 27 de novembro celebrou-se oficialmente os 100 anos do nascimento do samba, uma riqueza cultural do Brasil que é mais uma a demonstração perfeita da riqueza gerada pela fusão de culturas e de influências de várias partes do mundo. A génese do samba é a génese da própria história do Brasil e mesmo de Portugal e aquilo que provocou a sua chegada e colonização do país.
Os ritmos e os batuques trazidos pelos escravos, o cavaquinho e as violas trazidas pelos portugueses, o pandeiro que surgiu fruto de isntrumentos também trazidos pelos portugueses mas de origem mourisca e até o facto do Rio de Janeiro ser o Berço do samba tem a ver com a conjugação de acontecimentos da história que permitiram a formação deste fenómeno cultural que é agora um dos símbolos da identidade brasileira e, talvez, a maior manifestação popular totalmente transversal às classes sociais, inclusiva e igualitária numa sociedade ainda muito estratificada e discriminatória.
O samba de João Nogueira "Poder da criação" é uma boa representação da essência do samba, algo que parece que tem inspiração divina ou, pelo menos, quer-se pensar que sim mas que se traduz em versos simples que, quase por magia, se transformam em belas canções acerca do cotidiano do povo. E por ser do povo e para o povo, todos as vivem e todos as cantam.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Datas redondas do samba

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Esta primeira quinzena de Maio tem diversas datas redondas de comemoração para a história do samba. No dia 5, a raínha Beth Carvalho comemorou o seu aniversário, 70 anos benditos. Depois de alguns problemas de saúde que, inclusivamente, a levaram ao hospital, esperemos que este aniversário seja uma nova fase e por muitos anos. Há pouco tempo descobri este dueto entre ela e outra das raínhas do samba, interpretando um dos sucesso da Dona Ivone, "Mas quem disse que eu te esqueço".
No dia 8 comemorou-se, em simultâneo os magníficos 80 anos do mestre Wilson das Neves e os 100 anos do samba que deu origem a um evento especial, o Wilsamba, realizado na Lona Cultural Municipal João Bosco, no Rio de Janeiro. Ô sorte!!! Para quem assistiu. O samba é mesmo o seu dom, felizmente para nós. E feliz o dia quando já com 70 anos, resolveu dar uma revirada na sua carreira e, além de baterista, ter decidido virar cantor também.
"O samba é meu dom
Aprendi bater samba ao compasso do meu coração
De quadra, de enredo, de roda, na palma da mão
De breque, de partido alto e o samba-canção
O samba é meu dom
Aprendi dançar samba vendo um samba de pé no chão
No Império Serrano, a escola da minha paixão
No terreiro, na rua, no bar, gafieira e salão
O samba é meu dom
Aprendi cantar samba com quem dele fez profissão
Mário Reis, Vassourinha, Ataulfo, Ismael, Jamelão
Com Roberto Silva, Sinhô, Donga, Ciro e João
O samba é meu dom
Aprendi muito samba
Com quem sempre fez samba bom
Silas, Zico, Aniceto, Anescar, Cachinê, Jaguarão
Zé com Fome, Herivelto, Marçal, Mirabô, Henricão
O samba é meu dom
É no samba que eu vivo
Do samba é que eu ganho o meu pão
E é no samba que eu quero morrer
De baqueta na mão
Pois quem é de samba
Meu nome não esquece mais não"
O samba é meu dom - Wilson das Neves

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Carnaval no Rio, ô sorte!

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A data começa a aproximar-se e todos o anos acontece o mesmo. O desejo de estar lá cresce exponencialmente e a vontade de, pelo menos acompahar o que vai acontecendo na cidade, torna-se verdadeiramente irresistível. Como têm sido os blocos de rua, como estão a decorrer os ensaios técnicos das escolas de samba, em especial a minha Estação Primeira, como está o sol, praia, o Jobi, o Braseiro da Gávea, são perguntas inevitáveis e recorrentes.
A verdade é que o samba é a essência e o pilar imperioso do Carnaval do Rio e de toda a sua história. Essa história que, muitas vezes, se confunde irrmediável e inevitavelmente com a história da própria cidade e até do país. Por isso, lembrei-me deste tema "Os Cinco Bailes Da História Do Rio" que mistura o samba com factos históricos fundamentais quer da cidade, quer do próprio país. Para quem quiser saber os 5 bailes que este samba fala são (segundo o Extra da Globo), 1 - Os 20 anos de fundação da Cidade, em 1585; 2 - A grande festa de mudança de capital do vice-reino do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763; 3 – A aclamação de Dom João VI como Rei de Portugal, Brasil e Algarves, em 1818; 4 - O grande baile da Independência do Brasil, em 1822; 5 - O último baile do Império, ocorrido na Ilha Fiscal, em 1889.
O tema é também, nele próprio, um pedaço importante desta história convergente pois, foi criado para ser samba enredo da escola de samba Império Serrano em 1965, ano ano do quarto centenário do Rio de Janeiro, é interpretado, aqui, por um dos marechais do samba do e da escola Império Serrano, o grão mestre do samba e de todos os carnavais, Wilson das Neves e, além disso, o tema foi popularizado e co-composto por outra imperatriz incondicional  do samba, Dona Ivone Lara e consta do seu disco de homenagem lançado em 2015 e que faz parte da coleção Sambabook.
Salve o samba, todos os bambas e todos os que gostam de samba pois bons sujeitos serão, de certeza. Ô sorte!!!

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Sambabook de João Nogueira com D2

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Marcelo D2 em mais uma incursão no samba e, mais uma vez, com excelentes resultados. O Sambabook é um projeto de coletâneas musicais que homenageia grandes referências do samba convidando outros renomados artistas para interpretarem uma seleção de êxitos do artista homenageado. O Sambabook de João Nogueira, foi lançado em em 2012, ano em que João Nogueira completaria 70 anos e este "Baile no elite" é uma bela amostra do espiríto deste disco em particular e do projeto que já homenageou, além do João Nogueira, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e está agora a ser lançado o da Dona Ivone Lara.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Mestre Wilson

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Faltava aqui uma homenagem ao grande show do Mestre Wilson das Neves no Espaço Brasil. Foi incrível, digno de um crooner à séria, com uma intimidade e uma cumplicidade incrível, além de uma resistência notável para quem já tem 76 anos!
Teve momentos incríveis, apresentou sempre o parceiro de composição de cada música, fazendo questão de os homenagear, contou estórias da sua ligação ao Chico Buarque (é seu baterista há muitos anos) e, com bastante humor e respeito, disse que estava ali para cantar as músicas dele pois se não fosse ele a promover-se não haveria ninguém que o fizesse. Estou certo que, à excepção da inconsciente periguete que pediu para que ele cantasse Zeca Pagodinho, a esmagadora maioria estava ali para ouvir o seu trabalho e ficava mais tempo, ainda, se o mestre quisesse.
Espero voltar a vê-lo mais vezes, ô sorte!
Para fechar cantou uma das duas únicas músicas que não são dele e que eu já não ouvia há muito tempo, ao ponto de não me lembrar dela. E uma vez que me apercebi que, muito injustamente, não tinha nunca feito referência à Dona Ivone Lara neste blog, fica aqui a reparação possível.


"Acreditar.......eu não
Recomeçar.......jamais
A vida foi.........em frente
E você simplesmente
Não viu que ficou pra trás
....... .Não sei se você me enganou
Pois quando você tropeçou
Não viu o tempo que passou
...Não viu que ele me carregava
E a saudade lhe entregava
O aval da imensa dor
E eu que agora moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me trás
E eu que agora......moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me trás"
Acreditar - Ivone Lara e Nilze Carvalho


"O dia em que o morro descer e não for carnaval 
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final 
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu 
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil 
(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval 
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral 
e cada uma ala da escola será uma quadrilha 
a evolução já vai ser de guerrilha 
e a alegoria um tremendo arsenal 
o tema do enredo vai ser a cidade partida 
no dia em que o couro comer na avenida 
se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela 
mostrando a miséria sobre a passarela 
sem a fantasia que sai no jornal 
vai ser uma única escola, uma só bateria 
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria 
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga 
nem autoridade que compre essa briga 
ninguém sabe a força desse pessoal 
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria 
senão todo mundo vai sambar no dia 
em que o morro descer e não for carnaval"
O dia em que o morro descer e não for carnaval - Wilson das Neves