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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Revelação

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Esta música, recentemente, adquiriu um papel muito especial na minha vida. Confesso que já conhecia a versão original, do Grupo Revelação, mas passou meio despercebida durante anos, no entanto, no recente concerto do Caetano Veloso e filhos, esta canção faz parte do alinhamento e é cantada pelo Zeca Veloso. E aí a interpretação delicada de uma samba pagode pelo clã Veloso, conferiu um encanto incotrolável não só a esta versão mas também à versão original. Foi claramente um momento de estupefação, tipo: "mas como é que eu não ouvia esta música todos os dias?!
É um tipico samba de estímulo, de incitação, com uma mensagem simples mas que nos joga para cima, nos dá uma injeção automática de ânimo e esperança.
Neste últimos tempos tem aparecido à minha volta, no meu círculo mais próximo de amigos e de conhecidos vários casos delicados de doença e todos eles implicam uma luta imediata e constante, um enfrentamento direto do problema e uma superação permanente dos momentos menos bons, quer de quem tem o problema mas também dos entes mais queridos e próximos que estão com eles nesta luta. Ontem, tivemos mais uma notícia daquelas que não queremos receber e mais uma vez lembrei-me desta canção que fala de guerreiros que é aquilo que todos têm de ser neste momento,
"Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer"

Para a doce P., para o grande M., para a imparável M., para o tio C. e para todos os que os rodeiam e estão apoiar de forma mais próxima, todos eles guerreiros, cada um à sua maneira, um desejo carregado de otimismo e solidariedade.

"Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar"
Tá escrito - Grupo Revelação



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Tom, Zeca, Moreno, Caetano

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Foi maravilhoso. É verdade que eu sou suspeito, já vi muitas vezes o Caetano Veloso ao vivo, em vários registos e com diferentes estados de espiríto, quer eu, quer ele e sempre amei os seus concertos, nem sempre pelas mesmas razões mas nunca saí fustrado de nenhum, pelo contrário, sempre saí encantado.
Ontem, ia com muito poucas expetativas, o registo era único e recente, Caetano e os seus 3 filhos juntos em palco e sem banda de suporte, interpretando temas, na sua maioria, do progenitor e promotor da ideia mas também algumas criações dos filhos. Moreno jáconheço há muito e conheço bem, o seu trabalho, inclusivamente, as colaborações que já executou com o pai. Dois outros conheço basicamente o que o disco da tournée mostra. E é o disco que já escutei algumas vezes, que me deixou tão de pé atrás, achei um disco competente mas meio sem sal. Um disco que traz um novo alinhamento de canções do Caetano, talvez com músicas que sejam mais especiais para os seus filhos e a única novidade são os temas dos filhos, coisas diferentes mas boas é um facto mas nada mais do que isso. Estou a ser redutor na análise, mesmo assim, reconheço, o alinhamento de temas do Caetano não é um tema irrelevante pois a incrível dimensão do seu repertório permite que ele possa fazer uma tournée por ano sempre diferente da anterior e, o facto do Caetano co-interpretar alguns dos temas dos seus filhos também é facto importante pois, por mais qualidade que os rebentos tenham, nenhum tem uma voz como a do pai e, sempre que ele coloca a sua voz numa música, sem desprimor para ninguém, a verdade é que essa música ganha uma outra dimensão e ganha, automatica intrinsecamente, um upgrade na qualidade.
Mas o disco, apesar de ser um registo fiel do concerto, é unidimensional, não consegue transmitir a dimensão emocional. Não sei como têm sido os concertos nas outras cidades e sei que Caetano Veloso no Coliseu dos Recreios é sempre um marco especial mas ontem foi ainda mais especial :). A energia que pairava no ar do Coliseu era de uma noite singular, talvez o calor da primeira noite de verão do ano tenha também inflamado mais a atmosfera mas o facto era incontornável, a noite ia ser, no mínimo, fantástica.
Depois foi encantador perceber a cumplicidade dos irmãos entre eles e com o seu pai e foi maravilhoso perceber a ansiedade que o mais maduro e experiente membro do clã denotava por estar em palco com os seus filhos, esse Caetano humano, protetor, nervoso e, por vezes até receoso, foi algo que nunca tinha visto e estimulou a uma ainda maior cumplicidade e comunhão do público com eles.
Previsto no alinhamento está um tema maravilhoso do grupo de Pagode, Grupo Revelação, intitulado "Tá escrito" e que encerra a atuação antes dos encores. No disco é interpretada pelo Zeca mas ontem foi pelo Moreno. É a única música que não é de  autoria do clã mas é um excelente hino para a despedida. No nosso caso, tivemos ainda a sorte de, nos encores, ouvir Moreno a cantar Amália Rodrigues, interpretando a marcha lisboeta "Noite de Sto. António" e Caetano a cantar "Amar pelos dois" do Salvador Sobral, gentilezas que contribuiram para que a noite especial se tornasse verdadeiramente inesquecível.
Moral da estória, nunca se recusa um concerto de Caetano e nunca se vai com baixas expetativas. Obrigado aos quatro por me proporcionarem uma noite tão extraordinária.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Clã Veloso junto pela primeira vez

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No final de 2017 foi lançada a primeira amostra de um disco que sairá em 2018 e que reune Caetano Veloso e os seus 3 filhos, Moreno, Zeca e Tom.
A música, composta e interpretada por Zeca, estreou ao vivo na tournée, “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso”, que os quatro realizam juntos pelo Brasil desde outubro.
É um tema lindo e muito inspirado nas tendências indie norte americana onde Zeca recupera o falsete tão característico de seu pai.
O refrão refere uma verdade absoluta, "todo o homem precisa de uma mãe" e como ontem era o aniversário da minha que me deixou há dois anos mas que continua a ser tão necessária, não me lembro de melhor maneira de a homenagear.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Luana, filha do samba

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Luana Carvalho tem na sua genética um código riquíssimo do ponto de vista musical e cultural já que é filha da grande senhora e madrinha do samba, Beth Carvalho.
Talvez, por isso e pela responsabilidade decorrente desse facto, tenha demorado tanto tempo a iniciar o seu percurso na música de uma forma assumida e autónoma.
Aos 17 anos, ela participou na quarta temporada de “Malhação”, na Globo, em 1998 e participou ainda em três novelas, no mesmo canal, já durante entre 2005 e 2007, uma delas a novela "Páginas da vida" que  se retratava estórias da zona sul carioca, especialmente o Leblon, escrita por um dos seus ilustres habitantes e amantes, Manoel Carlos. Reconheço, uma das novelas que segui de forma dedicada.
Participou ainda no primeiro episódio da maravilhosa série Mandrake.
A sua entrada na música aconteceu ainda antes de se iniciar como atriz mas de forma mais discreta, fazendo backing vocals para a sua mãe durante três anos mas nunca, até agora, tinha assumido um papel individual na cena musical brasileira. O momento de maior visibilidade tinha sido quando uma música sua, interpretada pela sua mãe e por Zeca Pagodinho foi nomeada para a categoria Melhor Canção do Prêmio da Música Brasileira de 2012. A música chama-se "Arrasta sandália" e é um samba daqueles que arrasta.
Hoje com 35 anos, acabou de lançar não um mas sim dois discos com músicas da sua autoria e de outros parceiros musicais e produzidos pelo querido Moreno Veloso.
Os discos chamam-se  “Sul” e “Branco”, o primeiro é um disco intimista e o segundo conta com os habituais companheiros de Moreno, Pedro Sá e Domenico.
Este "Invente-me" faz parte do disco "Sul" e é lindo. Mais uma razão para agradecer à madrinha Beth por existir e por fazer tantas coisas boas.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Novas da Gal

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A Gal Costa, uma das mais importantes vozes femininas do Brasil, está de volta com novo disco de nome "Estratosférica". Prestes a completar 70 anos e celebrando cinco décadas de carreira, Gal se aliou a Kassin e Moreno Veloso, dois dos nomes mais inventivos da música brasileira atual, que assinam a produção e também participam como músicos em alguns dos temas. É um álbum contemporâneo onde canta músicas de nomes já consagrados da nova geração da MPB como Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Céu, Criolo, Domenico Lancellotti e Moreno Veloso a que se juntam Caetano Veloso e Marisa Monte e Arnaldo Antunes. É um disco de originais e este "Quando você olha pra ela" é da Mallu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Rio Rio Rio choro e rio rio

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Finalmente está disponível para este lado do Atlântico a música principal da trilha sonora do filme "Rio eu te amo". Esta música faz ainda parte do dvd "Gilbertos Sambas" do Gilberto Gil que se baseia no seu último disco onde ele homenageia João Gilberto. O disco foi produzido por Moreno Veloso e conta ainda com a participação de Domenico.
Ficam aqui as duas versões, o maravilhoso clip oficial com imagens deliciosas do nosso Rio e a versão do show ao vivo.





"Basta avistar o Cristo Redentor
E associar a isto a minha dor
De onde quer que eu esteja, qual seja
Longe ou perto o lugar
De pedra sobre a pedra ele luar

Esta paisagem bela toda cor
Da tela que tanto pintor pintou
Basta avistar o Cristo e a isto
Poder associar
Amor e dor e amar e amar

Rio Rio Rio choro e rio rio e choro
Rio Rio Rio rio e choro choro e rio

Acompanhar-te os passos da paixão
Tem sido em parte a arte da nação
Tantos poetas tantos cantores traçando teus perfis
E olhos do mundo inteiro pro teu nariz

Ontem nos deste um jeito de dançar
Hoje eu trago no peito o teu penar
Eta cidade imensa quem pensa poder te entender
Que entenda e venha me dizer

Rio Rio Rio choro e rio rio e choro
Rio Rio Rio rio e choro choro e rio"
Rio eu te amo - Gilberto Gil

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Doce azul

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Em 1999, a Marisa Monte produziu e participou num disco de homenagem à escola de samba Portela e especialmente à sua Velha Guarda chamado Tudo Azul. Um dos pilares dessa escuola foi o cantor, compositor e panderista Argemiro Patrocínio. Agora, a Marisa volta a produzir um disco de homenagem ao samba da Portela que honra este bamba portelense. Participam nomes do samba como Zeca Pagodinho, Teresa Cristina, Moreno Veloso e o rapper mais bamba do Rio Marcelo D2. A Marisa Monte particvipa também cantando "Dizem que o amor" que é um momento marcante do disco.

"Dizem que o amor
faz a gente sofrer
sem meu grande amor
não poderei viver

Se eu disser que sim
e ele disser que não
é uma parte perdida
que teve na vida
no meu coração

Se o amor traz sofrimento
vou sofrer até o fim
minha vida será um tormento
se ele não disser que sim

O amor que lhe dedico
é uma obsessão
imploro por favor
não digas não

Dizem que o amor..."
Dizem que o amor - Marisa Monte

terça-feira, 13 de maio de 2014

Novo disco de Moreno Veloso

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Chama-se "Coisa Boa" e tem a participação dos seus velhos companheiros de Orquestra Imperial e de discos antigos, Rodrigo Amarante, Domenico Lancellotti, Kassin e Pedro Sá.
O clip da música que dá título ao disco foi publicado hoje no Youtube e é uma canção de embalar ou de ninar, como o próprio Moreno a descreve.
A música não é propriamente nova, aliás há uma interpretação do António Zambujo no concerto único que Os da Cidade realizaram em 2011.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Abraçaço

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Está a chegar o novo álbum do Caetano. Sem grande alarde e com pouca divulgação comercial, a maioria dos meios soube porque ele decidiu divulgar a capa do disco na sua conta de Instagram. Segundo a Rolling Stone do Brasil, "O curioso nome do álbum foi justificado pelo músico como algo “bonito de ver”, como se a digitação estivesse errada, e ele também gosta da terminação “aço” para dar o sentido aumentativo às palavras. Então, o nome do disco seria algo como "abração". Ao todo são 11 faixas, que devem encerrar a trilogia em parceria de Caê com Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo), dois últimos da banda neo-tropicalista Do Amor. Foi ao lado deles, sob o nome de Cê, que Caetano lançou seus dois outros discos de estúdio.Cê, de 2006, e Zii e Zie. (...) A produção do disco ficou a cargo do próprio filho do cantor, o também músico Moreno Veloso, do guitarrista da Cê, Pedro Sá." Lista de músicas de Abraçaço: 1 - A Bossa Nova É Foda 2 - Um Abraçaço 3 - Estou Triste 4 - Império Da Lei 5 - Quero Ser Justo 6 - Um Comunista 7 - Funk Melódico 8 - Vinco 9 - Quando O Galo Cantou 10 - Parabéns 11 - Gayana

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tranquilo

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Kassin, Domenico e Moreno são os membros de uma banda bastante peculiar, temas muito especiais, postura única e mudam de nome de acordo com a liderança que cada um assume na produção de cada álbum. Moreno+2, Domenico+2 e Kassin+2 são, consecutivamente, os nomes assumidos para os álbuns que lançaram até agora. Moreno é filho de Caetano Veloso e, juntamente com os outros dois, são membros fundadores da Orquestra Imperial.
Esta música é do último álbum e a sua pureza e simplicidade agarraram-me. Existe também uma versão muito boa da Bebel Gilberto no seu álbum "Momento". Tranquilo é um atributo imprescindível na personalidade carioca e, não só mas também por isso, é um estado fundamental para mim, principalmente nesta fase.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Orquestra Imperial!!!!!!

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Fim de semana do Delta Tejo, foi também fim de semana da Orquestra Imperial, final de semana mesmo!!! Concerto no sábado à noite e direito a encore na tarde de domingo, intercalado pelo Festival Panda que me fez perder o encore do grande mestre Wilson das Neves mas que me presenteou com mais uma tarde magnífica com o meu incrível sobrinho. Sábado foi o dia formal mas com direito a conversa e provocações ao mestre Wilson das Neves e Moreno Veloso, essa instituição! O domingo deu para tentar acompanhar o samba do grande Moreno Veloso, o cara samba pra c...! Domingo foi dia de quebrar todas as convenções e foi um fim de tarde perfeito.