quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Nova Lisboa é um Mundu Nôbu

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"Mundu Nôbu" é o título do novo trabalho do cantor português Claudino de Jesus Borges Pereira nascido em Quarteira. Parece que não faz sentido nenhum, certo? Mas a verdade é que nesta frase está muita desta nova nova miscigenação que enriquece tanto a cultura de língua portuguesa e que permite um poder de atração nunca antes visto que ultrapassa finalmente as fronteira da língua e do segundo plano reservado à música étnica. Étnica ou, comumente, intitulada como world música que, apesar de mundial, nunca chega ao mainstream das massas e, consequentemente, nunca ganhou escala.
Ora o Claudino é mais conhecido por Dino D'Santiago e, apesar de natural de Quarteira, os seus laços umbilicais estão em Cabo Verde e na sua cultura. Este disco dele, o segundo LP, não só vem confirmar o seu talento mas também alavancar esta emancipação generalizada da cultura de língua portuguesa, para além do contributo brasileiro que foi até hoje e muito legitimamente o embaixador natural desta cultura.
 O nome do disco e este tema "Nova Lisboa" demonstra tudo o que já foi referido relativo à transformação dinâmica e muito positiva que estamos a assistir à nossa cultura em geral e a Portugal em particular.
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A surpresa Carolina

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Não tinha noção, até há bem pouco tempo da qualidade da Carolina Deslandes, qualidade musical e também como compositora. Nõ achava muita piada à música mais escutada e mais associada a ela, a "Para a vida toda", tenho alguma simpatia pela "Avião de papel" principalemnete pela participação do Rui Veloso mas ficava por aí. Foi preciso uma emissão da Rádio Comercial onde ela e o Zambujo improvisaram dois temas, para me fazer ir investigar mais e ficar muito srpreendido com o seu disco de estreia. O dueto com o Zambujo é maravilhoso, chama-se "Coisa mais bonita" e é perfeito para os dois. O tema "A miúda gosta" é delicioso, é uma bossa inocente sem pretensões, com um poema encantador e descobri que a Carolina a fez para o Zambujo. Era um tema mais que perfeito para ele, é incrível como é a cara dele em termos musicais e no próprio poema como ele admitiu mas ele não gravou a música e a versão da Carolina é linda. mais um belo contributo para a riqueza da música de língua portuguesa.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Do avesso

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"Do avesso" é o nome do novo trabalho do António Zambujo, depois de quatro anos muito ativos, volta a lançar um disco de originais e a música "Sem palavras" é a primeira amostra já disponível e vem confirmar o progressivo afastamento do zambas ao fado tradicional - nesta música em especial nem aparece a guitarra portuguesa que tem sido sua fiel companheira mesmo nos temas menos "fadísticos" do seu repertório. É um tema que me aprece estar mais perto do pop jazz melódico do Jamie Cullum (que curiosamente também tem novidades recentes), por exemplo, do que das raízes fadista e tradicionais que estiveram sempre presentes nos seus discos anteriores e, também por isso, deixa no ar muita curiosidade para a revelação do disco no seu todo que está previsto para o próximo dia 23 de Novembro. Entretanto, o Coliseu do Porto está já marcado para o próximo dia 23 de Fevereiro para o primeiro concerto de revelação deste novo trabalho.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A Márcia volta com "Vai e vem"

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Linda e grande música, Márcia e António Zambujo, dois dos diversos belos exemplos da vitalidade atual da música portuguesa. O dueto "Vai e vem" faz parte do novo disco com o mesmo nome e este vídeo tem apenas a Márcia a interpretá-la mas o Zambas é fundamental na versão original. A Márcia tem uma capacidade de fazer coisas encantadoras e envolventes e este novo disco parece uma doce confirmação desse facto. E já são 4.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Seu Narciso do Jobi

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Passei várias noites jogando conversa fora com o Sr. Narciso o Sr. Jobi, um homem encantador que tinha saudades permanentes da terrinha mas que amava profundamente o seu Rio de Janeiro. Quando ouvia falar português de Portugal no seu boteco, juntava-se logo à conversa e mostrando o seu orgulho em ser português. Infelizmente, deixou-nos esta semana. Não costumo fazer estas coisas nas redes sociais mas o Sr. Narciso é um dos muitos motivos por eu amar tanto o Rio e sei que vai ser muito estranho é triste voltar ao Jobi e saber que não o vou cumprimentar. Valeu Seu Narciso!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Verão a sul

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Está quase. Com muito sal e muita música como esta do Orlando Santos, grande voz do soul que está a preparar o seu segundo trabalho. Enquanto não aparece nunca é demais ouvir este maravilhoso "For real".

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Tom, Zeca, Moreno, Caetano

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Foi maravilhoso. É verdade que eu sou suspeito, já vi muitas vezes o Caetano Veloso ao vivo, em vários registos e com diferentes estados de espiríto, quer eu, quer ele e sempre amei os seus concertos, nem sempre pelas mesmas razões mas nunca saí fustrado de nenhum, pelo contrário, sempre saí encantado.
Ontem, ia com muito poucas expetativas, o registo era único e recente, Caetano e os seus 3 filhos juntos em palco e sem banda de suporte, interpretando temas, na sua maioria, do progenitor e promotor da ideia mas também algumas criações dos filhos. Moreno jáconheço há muito e conheço bem, o seu trabalho, inclusivamente, as colaborações que já executou com o pai. Dois outros conheço basicamente o que o disco da tournée mostra. E é o disco que já escutei algumas vezes, que me deixou tão de pé atrás, achei um disco competente mas meio sem sal. Um disco que traz um novo alinhamento de canções do Caetano, talvez com músicas que sejam mais especiais para os seus filhos e a única novidade são os temas dos filhos, coisas diferentes mas boas é um facto mas nada mais do que isso. Estou a ser redutor na análise, mesmo assim, reconheço, o alinhamento de temas do Caetano não é um tema irrelevante pois a incrível dimensão do seu repertório permite que ele possa fazer uma tournée por ano sempre diferente da anterior e, o facto do Caetano co-interpretar alguns dos temas dos seus filhos também é facto importante pois, por mais qualidade que os rebentos tenham, nenhum tem uma voz como a do pai e, sempre que ele coloca a sua voz numa música, sem desprimor para ninguém, a verdade é que essa música ganha uma outra dimensão e ganha, automatica intrinsecamente, um upgrade na qualidade.
Mas o disco, apesar de ser um registo fiel do concerto, é unidimensional, não consegue transmitir a dimensão emocional. Não sei como têm sido os concertos nas outras cidades e sei que Caetano Veloso no Coliseu dos Recreios é sempre um marco especial mas ontem foi ainda mais especial :). A energia que pairava no ar do Coliseu era de uma noite singular, talvez o calor da primeira noite de verão do ano tenha também inflamado mais a atmosfera mas o facto era incontornável, a noite ia ser, no mínimo, fantástica.
Depois foi encantador perceber a cumplicidade dos irmãos entre eles e com o seu pai e foi maravilhoso perceber a ansiedade que o mais maduro e experiente membro do clã denotava por estar em palco com os seus filhos, esse Caetano humano, protetor, nervoso e, por vezes até receoso, foi algo que nunca tinha visto e estimulou a uma ainda maior cumplicidade e comunhão do público com eles.
Previsto no alinhamento está um tema maravilhoso do grupo de Pagode, Grupo Revelação, intitulado "Tá escrito" e que encerra a atuação antes dos encores. No disco é interpretada pelo Zeca mas ontem foi pelo Moreno. É a única música que não é de  autoria do clã mas é um excelente hino para a despedida. No nosso caso, tivemos ainda a sorte de, nos encores, ouvir Moreno a cantar Amália Rodrigues, interpretando a marcha lisboeta "Noite de Sto. António" e Caetano a cantar "Amar pelos dois" do Salvador Sobral, gentilezas que contribuiram para que a noite especial se tornasse verdadeiramente inesquecível.
Moral da estória, nunca se recusa um concerto de Caetano e nunca se vai com baixas expetativas. Obrigado aos quatro por me proporcionarem uma noite tão extraordinária.