E assim se juntam duas gerações de talento bem distantes a criar uma peça linda e a demonstrar que quando os talentos se juntam acontece magia. Sou da opinião que deveriam acontecer muito mais momentos destes na música portuguesa, aí temos muito a aprender com os nossos irmãos brasileiros que têm uma atitude muito mais descomprometida e colaborativa.
Carolina Deslandes e Rui Veloso num desses momentos mágicos.
Há um ano atrás, estávamos nos últimos preparativos para mais um carnaval no Rio, o primeiro da C. e o meu terceiro. Confesso que todos os anos em que não estou no Rio por esta altura, além do frio lisboeta, instala-se também uma coceira nervosa, algum desalento e um mar de saudade que não passa até à próxima vez que nos encontramos com essa cidade que tanto amamos. é uma fortuna infinita ter tido a sorte de encontrar e casar com uma mulher que acrescentou tanto na minha vida e que, além disso tudo, ama o Rio tanto como eu.
Este ano vamos, mais uma vez, tentar amenizar estes sintomas de saudade com alguns pequenos efeitos profiláticos, assistir aos desfiles, ouvir um pouco mais de samba e, este ano, não perder a roda de samba dos Sacundeia, grupo de samba criado em Lisboa mas formado por músicos brasileiros e que, por coincidência, um deles esteve na roda de samba que esteve no nosso casamento.
Não é o Rio, não estão 30 graus, Lisboa não tem a folia carioca mas ajuda a serenar a suadade por umas horas.
Todos anglo-saxónicos para compor o ramalhete e, todas elas, músicas lançadas já este ano.
Tom Misch o jovem DJ, produtor, cantor e escritor de canções tem novo disco depois do seu excelente álbum de estreia em 2015, cool jazz misturado com eletrónica e funk. Depois, o regresso da eterna Tracey Thorn, vocalista dos Everything But The Girl, a piscar novamente o olho à eletrónica e que bem que ela sempre faz isso.
Para acabar, duas grandes malhas de dois ótimos exemplos deste movimento contemporâneo chamado indie rock, os escoceses Franz Ferdinand e os londrinos The Vaccines.
Mistura boa para ouvir com volume no máximo.
No final de 2017 foi lançada a primeira amostra de um disco que sairá em 2018 e que reune Caetano Veloso e os seus 3 filhos, Moreno, Zeca e Tom.
A música, composta e interpretada por Zeca, estreou ao vivo na tournée, “Caetano Moreno Zeca Tom Veloso”, que os quatro realizam juntos pelo Brasil desde outubro.
É um tema lindo e muito inspirado nas tendências indie norte americana onde Zeca recupera o falsete tão característico de seu pai.
O refrão refere uma verdade absoluta, "todo o homem precisa de uma mãe" e como ontem era o aniversário da minha que me deixou há dois anos mas que continua a ser tão necessária, não me lembro de melhor maneira de a homenagear.
Hoje é dia de samba no meu querido Rio, as escolas saíram à rua e se encontraram em Copacabana e na Praia Vermelha, num cenário incrível, houve ou está ainda havendo uma roda de samba de um bloco de Carnaval maravilhoso chamado Último Gole. Vários amigos queridos estão por lá e fizeram questão de partilhar comigo a sua alegria e empolgação. Só quem já viveu e gosta desta cidade e destes momentos consegue perceber que só se é mesmo completamente feliz quando se partilha este entusiasmo e felicidade com quem ama esta cidade da maravilhosa e o que ela nos dá, da mesma forma. Saudades boas foi o que eu senti hoje desde o frio do Inverno de Lisboa. E como, entre os amigos, tem muitos fãs da Portela e ainda por cima em ano de campeonato fica aqui um samba lindo de homenagem a Madureira por um dos seus filhos fervorosos, Roberto Ribeiro.
Encerra-se mais um ano, um ano simpático, posso dizê-lo. É sempre positivo quando acordamos todos os dias sentindo-nos felizes e com ganas de viver, com força para enfrentar os desafios e sabendpo que temos quem amamos e quem nos ama à nossa volta. Foi também um ano difícil, com desafios muito complcados e, infelizmente, alguns deles não suplantados.
Mesmo assim e, apesar destes percalços que também compoem o todo, foi um ano especial, um ano de conquistas pessoais saborosas, um ano de novas vidas próximas e doces, o ano em que voltámos ao nosso Rio com amigos queridos e que estivemos juntos pela primeira vez na Sapucaí para desfilar na nossa querida Estação Primeira.
Foi o ano dos 48 e do início dos 49. Valeu 2017.