sexta-feira, 24 de novembro de 2017

As canções de Roberto encontram o fado

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Mais um intérprete português decide homenagear um símbolo da música do brasil aproveitando esta aproximação cultural íntima e, por isso, tão insólita e única na história dos países. mais uma vez, o fado procura a música do Brasil e um dos seus maiores icons, o rei Roberto. Com a participação de Ana Carolina e Caetano Veloso, este último, voltando a interpretar o tema "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", tema composto pelo próprio Roberto Carlos e o seu parceiro Erasmo Carlos em 1971. Este tema foi composto de propoósito para homenagear Caetano quando ele estava exilado em Londres devido à ditadura militar e que Caetano incorporou naturalmente no seu repertório. É fantástica e impressionante este nível de proximidade, respeito e partilha que existe entre músicos no Brasil com estilos musicais que se encontram, muitas vezes, em polos muito distantes mas que isso só os motiva a aproximarem-se mais e a crescerem juntos com as parcerias que criam. Finalmente, esse espírito positivo, está a estabelecer-se em Portugal graças a esta abundante nova geração muito talentosa e descomplicada da música portuguesa. São 14 lindas homenagens com alguns dos grandes sucessos deste intérprete e compositor. O disco é lançado em Portugal hoje e o tema de promoção escolhido foi o grande clássico, "Como é grande o meu amor por você". E como diz Caetano, "Viva Roberto Carlos!"

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Chuva

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Depois de tanto tempo a esperá-la e a desejá-la entre tanta secura, a chuva apareceu em força. Não sabemos se ficará mas, depois de tudo o que se passou, ninguém tem coragem de a maldizer. Mesmo quando nos tempos de abundância e quando nos queixávamos dessa permanente existência nublada, escura e molhada, havia sempre o lado positivo da experiência, a recolha caseira e o usufruto intensivo do sofá, o livro que estava por acabar desde o Verão, os filmes ou séries em atraso que exigem longos períodos de visionamento intervalados por sonecas involuntárias mas inevitáveis e a musica melancólica que nos confere uma pitada adicional de conforto juntamente com o vinho e os enchidos, na versão mais pessoal. Como aqui, essencialmente se fala de música aqui ficam dois ótimos exemplos desse tipo de registo musical, dois cantautores da nova geração folk (espero que me permitam essa classificação) - Father John Misty e James Vincent McMorrow. Bem vinda chuva. espero que fiques uns tempos entre nós.

Outra vez a Bela e Talentosa Sara

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"Brincar de casamento" com Toty Sa'Med

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O aniversário agridoce

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Arlindo Cruz faz hoje 59 anos mas, infelizmente, não irá poder comemorar pois continua hospitalizado desde março, quando sofreu um acidente vascular cerebral. Tem sido incrível a onda de solidariedade que insiste em desejar a rápida e plena recuperação do bamba mais bamba dos bambas. Alô Madureira!

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A melhor notícia dos últimos 15 anos :) Os Tribalistas estão de volta!

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Há uns meses começou a adivinhar-se algo deste género. Nas redes sociais, os três companheiros deste projeto, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, começaram a aparecer juntos apesar da sua intensa agenda individual. E de repente, do nada, fazem um live no Facebook e apresentam os 4 primeiros temas do disco. Este trabalho está em linha com o anterior e, pelo menos desse ponto de vista, não surpreende, no entanto, é um trabalho de grande bom gosto e qualidade que traz muitas emoções a todos os fãs deste maravilhoso projeto. A principal novidade, na minha opinião, tem a ver com Portugal pois inclui a participação da cantora portuguesa Carminho que está cada vez com maior reputação no outro lado do Atlântico. A sua amizade e cumplicidade com a Marisa já tem algum tempo e, depois de lançar um disco interpretando Jobim, nada mais relevante que ser a única outsider a participar neste projeto. Ouçam e façam como eu, ouçam mais vezes.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Até sempre Mestre das Neves

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No passado sábado recebi a triste e dolorosa notícia da morte do Mestre Wilson das Neves. Confesso que há muitos anos que tenho uma enorme admiração por este gigante artista. Baterista, cantor, ritmista e compositor, wilson é uma figura de destaque no samba e na na sua escola do coração, a Império Serrano. A sua morte é mais uma grande perda mna música brasileira e, em particular no samba que já perdeu, este ano, Amir Guineto, Luiz Melodia e sofre profudamente com o estado em que se encontra o grande Arlindo Cruz há vários meses. Conheci-o tarde, musicalmente, graças à sua participação na maravilhosa Orquestra Imperial onde o Mestre era, naturalmente, o avó deles todos e, ao mesmo tempo, aquele que denotava ser a maior criança devido ao seu jeito traquina e sempre brincalhão. Consegui conhecê-lo pessoalmente, estive a conversar brevemente com ele duas vezes e cheguei a assistir a um concerto dele aqui em Lisboa onde tirei a foto que está aqui. O Mestre embirrava solenemente com o barulho de conversa nos seu shows e não perdoava, chamava a atenção de quem o fazia e mandava calar com o seu jeito malandro e provocador próprio de quem é carioca da gema e que nunca será mané. Compôs com o seu companheiro de composição, Paulo César Pinheiro, lindos sambas que depois interpretou mas também trabalhou com outros monstros, nomeadamente, Aldir Blanc, Moacyr Luz e tocou, como baterista, na banda do Chico Buarque durante mais de 30 anos, desde 1982. É seu e de Paulo César Pinheiro o lindo samba "O samba é meu dom" que ele próprio popularizou e tinha um hábito nos seus shows que segui escrupolosamente, em cada música que cantava, antes, apresentava os respetivos autores demonstrando um respeito e uma admiração genuína por quem cria coisas bonitas. Sei de diversas estórias hilárias da sua pessoa, o que aumentava ainda mais a sua aura de atração, a última foi-me contada por um amigo próximo que quer muito de reeditar um dos primeiros trabalhos do Mestre como solista, o segundo acho, que se chama "Som quente é o das Neves" e falou pessoalmente com ele para lhe solicitar autorização. Resposta do Mestre, "Meu filho para que é que você vai fazer isso?! Esse disco é uma merda!" Vai deixar muitas saudades mas o seu som quente vai continuar a tocar pois som quente é o seu, Mestre! Mas, infelizzmente, desde sábado, vai ficar faltando você, Mestre Wilson.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Caetano 75

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O Caetano Veloso celebra hoje o seu aniversário e a bonita idade de 75 anos. E foi quase ahá vinte anos que eu o vi pela primeira vez ao vivo e que me apaixonei verdadeiramente pela sua música. Apesar de já gostar há muito do seu trabalho este concerto na Expo 98 em Lisboa foi um momento extremamente marcante na minha vida e lembro-me dessa noite como se fosse hoje, as filas horríveis para chegar, o caos e inferno que foi encontrar um lugar para estacionar, as filas para entrar no recinto, o mar de gente ali ao lado do Rio Tejo na antiga Praça Sony, uma noite de Verão quente e acolhedora e um concerto magnífico que, todos os que estávamos a assistir, desejávamos que nunca acabasse. Era a tournée após o lançamento do disco de originais "Livro", trabalho muito elogiado pela crítica especializada e que foi, posteriormente, indicado para o prêmio "Grammy Latino". Desse disco resultou a tournée "Prenda minha" que deu origem a um disco ao vivo maravilhoso com o mesmo nome. Apesar de acompanhar a sua carreira e gostar de alguns dos seus temas mais populares este concerto e posteriormente o disco foram determinantes para a importância que a música e o trabalho de Caetano passaram a ter na minha vida. A "prenda minha" foi e continua uma prenda constante na minha vida, não posso dizer que seja a minha prenda mas é uma delas e das mais importantes.