segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

"Varanda suspensa"

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Novo clipe do último álbum da cantora Céu do tema "Varanda suspensa", grande som e uma excelente exemplo do estilo desta cantora brasileira.
Tive a sorte de ver o concerto dela na última edição do Mexefest e pareceu-me que houve uma clara evolução em todos os sentidos. Está mais solta e descontraída e isso permite-lhe arriscar mais e levar a sua voz a outro patamar. É uma cantora que tem uma voz versátil e forte e, agora, senti que a explora para além dos limites que tinha estabelecido, se calhar inconscientemente.
O que não mudou, felizmente, é a sua beleza, continua muito gata.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Para acabar a semana mais uma da Elza

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O concerto da Elza marcou-nos.
Como é que uma senhora de tão provecta idade e, infelizmente, tão limitada, presa já a uma cadeira que, apesar de tudo, a ampara e lhe permite continuar a dar shows, faz um concerto quase perfeito e de uma forma tão graciosa, por um lado e, por outro, com uma entrega total e sincera quase esquecendo as suas limitações.
Não deve ser fácil estar presa às suas limitações quando, ainda, há poucos anos atrás era um poço de energia e um completo ciclone em palco, contaminando tudo à sua volta.
Há uns anos atrás (2008) a Elza participou na banda sonora de um filme brasileiro chamado "Chega de saudade", interpretando alguns clássicos da música de gafieira com a Banda Luar de Prata. O filme era sobre uma casa dançante e os encontros e desencontros que iam acontecendo entre os frequentadores mais ou menos solitários que iam passando por aí em busca de emoções e este tema, "Lama", parece que foi feito de propósito para o filme e para a Elza cantar.

Carminho e Tom Jobim

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A música contemporânea portuguesa tem dado umas cantadas à música brasileira e isso está fazendo muito bem à cultura dos dois países. Depois do António Zambujo ter lançado a sua interpretação das canções de Chico Buarque, é lançado oficialmente hoje o novo trabalho da Carminho que decidiu mergulhar no vasto repertório do maestro Anónio Carlos Jobim e demonstrar, mais uma vez, que o fado também sabe cantar bossa nova.
Fico feliz de ver artistas consagrados brasileiros a apadrinhar ativamente estes trabalhos com as suas participações. O filho Paulo Jobim acompanha a Carminho com o seu violão em todas as músicas e há três duetos, no tema "Estrada do sol" com Marisa Monte, Chico Buarque canta "Falando de Amor" e tem ainda Maria Bethânia que partilha a linda "Modinha".

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Os 100 sambas fundamentais

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O jornal O Globo e o seu jornalista Eduardo Rodrigues conduziram uma recolha para a criação de uma lista a que chamaram os 100 sambas fundamentais que pretendem representar as criações mais significativas deste estilo musical que, como já referi noutros posts, acabou de celebrar 100 anos.
Para isso convidou dezenas de cantores, compositores, investigadores e jornalistas, todos eles consagrados e de inquestionável legitimidade para eleger uma lista deste tipo, Podem ver a seleção aqui e os convidados e respetivas votações aqui.
Nem todos votaram da mesma forma e a escolha será sempre arbitrária pois é fruto de critérios muito próprios de que foi desafiado mas não deixa de ser um registo relevante e uma ótima playlist para quem gosta de samba.
Existe já a playlist no Spotify e relativamente a esta não há, no entanto, nenhum comentário acerca do critério de escolha das versões selecionadas para a ilustrar mas aqui está ela e também a lista para quem a quiser explorar.

Vingança – Jamelão
Mora na filosofia – Marlene
Na minha palhoça – Lúcio Alves
Três apitos – aracy de almeida
Apesar de você – Chico Buarque, MPB4, Quarteto em Cy
Tempos idos – Cartola, Odette Amaral
Me deixa em paz – Milton Nascimento, Alaíde Costa
Se acaso você chegasse – Elza Soares
Lenço – Velha Guarda da Portela, Zeca Pagodinho
Samba do grande amor – Chico Buarque
Kizomba, a festa da raça – Luiz Carlos da Vila
Retalhos de cetim – Benito di Paula
Heróis da liberdade – Roberto Ribeiro
Preciso me encontrar – Cartola
Gostoso veneno – Weilson Moreira, Nei Lopes
Batuque na cozinha – Martinho da Vila
Alvorecer – Clara Nunes
Patrão, prenda seu gado – Martinho da Vila
Alguém me avisou – Dona Ivone Lara
Opinião – Zé Keti
Feitiço da Vila – Ney Matogrosso, Francis Hime, Raphael Rabello
O mundo é assim – Velha Guarda da Portela
Alegria – Orlando Silva
Não tem tradução – João Nogueira
Eu vim da Bahia – Gilberto Gil
Na baixa do sapateiro – Gal Costa
Espelho – João Nogueira
Acertei no milhar – Moreira da Silva
Ai que saudades da Amélia – Noite Ilustrada
Brasil Pandeiro – Novos Baianos
Águas de Março – António Carlos Jobim, Elis Regina
Rugas – Nelson Cavaquinho
Desde que o samba é samba – Caetano Veloso, Gilberto Gil
Portela na avenida – Clara Nunes
Agora é cinza – Wilson Simonal
Palpite infeliz – Nelson Gonçalves
Construção – Chico Buarque
Nova Ilusão – Paulinho da Viola
Conselho – Almir Guineto
Morrendo de saudade – Beth Carvalho
Com que roupa? – Noel Rosa
Saudosa Maloca – Adoniran Barbosa
Acontece – Cartola
Pelo telefone – Altamiro Carrilho, Paulo Tapajós
Casa de bamba – Martinho da Vila
Nação – João Bosco
Canta, canta, minha gente – Martinho da Vila
Bebeto Loteria – Grupo Fundo de Quintal
Trem das onze – Adoniran Barbosa
O pequeno Burguês – Martinho da Vila
Vou festejar – Beth Carvalho
Pintura sem arte – Candeia
Meu drama (Senhora Tentação) – Cartola
Agoniza mas não morre – Nelson Sargento, Beth Carvalho
Yaô – Pixinguinha, Clementina de Jesus, João da Bahiana
Apoteose ao samba – Jamelão
Senhora Liberdade – Nei Lopes, Zé Renato, Wilson Moreira
O x do problema – Luiz Melodia, Carlos Lyra
Camisa amarela – Nara Leão
Divina dama – Elton Medeiros, Gaio Preto, Nelson Sargento
Quem te viu, quem te vê – Chico Buarque
O show tem de continuar – Grupo Fundo de Quintal
Filosofia – Chico Buarque
O mundo é um moínho – Cartola
Sorriso aberto – Jovelina Pérola Negra
O mestre sala dos mares – Elis Regina
Vai passar – Chico Buarque
Disritmia – Martinho da Vila
Antonico – Gal Costa
A primeira vez – João Gilberto
Jura – Zeca Pagodinho
Juízo Final – Clara Nunes
Poder da criação – João Nogueira
Coração em desalinho – Monarco
Os cinco bailes da história do Rio – Wilson das Neves
Dia de graça – Candeia
Coisas do mundo minha nega – Paulinho da Viola
O samba da minha terra – Dorival Caymmi
O sol nascerá (A sorrir) – Cartola
Tive sim – Cartola
Além da razão – Luis Carlos da Vila
Saudades da Guanabara – Moacyr Luz
Onde a dor não tem razão – Paulinho da Viola
A flor e o espinho – Nelson Cavaquinho
Chega de saudade – João Gilberto
Pressentimento – Roberto Silva
Luz Negra – Nelson Cavaquinho
Aquele abraço – Gilberto Gil
Aquarela do Brasil – Gal Costa
Falsa Baiana – Roberto Silva
As rosas não falam – Cartola
O bêbado e o equilibrista – Elis Regina
Feitio de oração – Luiz Melodia, Joaõ Nogueira
Conversa de botequim – Moreira da Silva
Se você Jurar  – Ismael Silva
Último desejo – Gal Costa, Marco Pereira
A voz do morro – Zé Keti
Folhas secas – Beth Carvalho
Foi um rio que passou na minha vida – Paulinho da Viola
Aquarela Brasileira – Pires, Neguinho da Beija-Flor, Dominguinhos do Estácio, Rixxa

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

"Poder da criação"

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Ontem, dia 27 de novembro celebrou-se oficialmente os 100 anos do nascimento do samba, uma riqueza cultural do Brasil que é mais uma a demonstração perfeita da riqueza gerada pela fusão de culturas e de influências de várias partes do mundo. A génese do samba é a génese da própria história do Brasil e mesmo de Portugal e aquilo que provocou a sua chegada e colonização do país.
Os ritmos e os batuques trazidos pelos escravos, o cavaquinho e as violas trazidas pelos portugueses, o pandeiro que surgiu fruto de isntrumentos também trazidos pelos portugueses mas de origem mourisca e até o facto do Rio de Janeiro ser o Berço do samba tem a ver com a conjugação de acontecimentos da história que permitiram a formação deste fenómeno cultural que é agora um dos símbolos da identidade brasileira e, talvez, a maior manifestação popular totalmente transversal às classes sociais, inclusiva e igualitária numa sociedade ainda muito estratificada e discriminatória.
O samba de João Nogueira "Poder da criação" é uma boa representação da essência do samba, algo que parece que tem inspiração divina ou, pelo menos, quer-se pensar que sim mas que se traduz em versos simples que, quase por magia, se transformam em belas canções acerca do cotidiano do povo. E por ser do povo e para o povo, todos as vivem e todos as cantam.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Grande música nova da Mayrinha

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Gosto muito da Mayra Andrade, da sua voz quente e envolvente, dos ritmos tropicais que transporta consigo e do seu estilo moderno e contemporâneo mas que não renega a tradição rica, intensa e prodigiosa da cultura de Cabo Verde.
A Mayra tem música nova, uma participação numa música do último trabalho de Branko, um dos elementos da multicultural banda Buraka Som Sistema. A banda acabou mas os seus músicos continuam ativos em diversos projetos e este, felizmente, convidou a Mayra, a música chama-se "Reserva pra dois" e aconselho que reservem vários momentos para a escutarem.
Gosto tanto da Mayra.
   

quinta-feira, 24 de novembro de 2016