quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Edu Mundo

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"Edu Mundo, Márcio Silva no BI (Souls of Fire, Terrakota) aventura-se agora perante o imaginário daqueles que o ouvem. Se o silêncio falasse, certamente só os que não são do mundo ficariam na plateia.
O estúdio tem sido a sua segunda casa, onde prepara o disco de lançamento que contará com algumas participações especiais." Esta é a nota biográfica que Edu Mundo tem na sua página de Facebook.
Confesso que nunca tinha ouvido falar dele apesar de, inconsciente, já o conhecer devido à sua participação na banda de reggae nortenha, de Leça da Palmeira, Souls of Fire. Foi um acaso que me fez descobrir que era ele o autor da música "Pantomineiro" que o António Zambujo incluiu no seu disco de 2014 "Rua da Emenda".
Foi também por acaso mas com enorme prazer que encontrei a sua versão da mesma música e outros exemplos desta sua recente escolha de enveredar por este rumo a solo.
É mais uma excelente demonstração da vivacidade e da indubitável qualidade da música portuguesa da atualidade. Fico a aguardar esse tão ansiado trabalho.
Edu Mundo - (Verão) from OFFICE FOR LOCAL ARTS on Vimeo.
Edu Mundo - Pantomineiro from Cavalo Azul on Vimeo.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Orfeu da Transformação

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Está a assinalar-se no Brasil o sexagésimo aniversário da estreia da peça "Orfeu da Conceição" escrita por Vinícius de Moraes e com música do, então, pianista António Carlos Jobim que, à data, era um jovem com uns imberbes 29 anos.
A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e é uma adaptação em forma de peça musical do mito grego de Orfeu transposto à realidade das favelas cariocas e ao ambiente do carnaval carioca. Além desta dupla virtuosa há ainda a juntar a todo este talento o arquiteto Oscar Niemeyer que foi o responsável pela cenografia da peça. A peça apresentou também um facto bastante arrojado e talvez até controverso para a época, o elenco era inteiramente composto por atores e atrizes de raça negra.
O musical esteve longe de ser um sucesso e teve uma vida muito curta mas o mais importante foi ter sido o motivo e, talvez, a inspiração para uma parceria brilhante e duradoura que gerou dezenas de obras primas dsa música popular brasileira e da bossa nova e que foi um eixo nevrálgico de transformação da música e da cultura popular do Brasil.
O Vinícius não conhecia o jovem Tom que lhe foi aconselhado por um amigo em comum, Lucio Rangel e o encontro aconteceu no ainda existente Bar Villarino no centro do Rio onde Vinícius era visita regular. Conta-se que o jovem Tom Jobim que, na altura vivia da venda de músicas e arranjos para os bares de Copacabana e que "andava sempre atrás do aluguel", perguntou ao já famoso e reconhecido Vinícius quando recebeu o convite, "Tem algum dinheirinho nisso?".
Entre as músicas escritas especialmente para o musical estão os sucessos, "Lamento no morro" e a maravilhosa "Se todos fossem iguais a você" aqui interpretada maravilhosamente pelos mestres.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

"Sou maloqueiro sou"

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Sabotage era o nome artístico do compositor, cantor e ator brasileiro Mauro Mateus dos Santos que morreu em 2003, aos 30 anos assassinado com 4 tiros nas costas e consequência da vida turva e violenta que teve até aí. Foi assaltante e até gerente do tráfico na zona sul de São Paulo mas o seu talento permitiu-lhe uma oportunidade de salvação que infelizmente não foi suficiente. Gravou apenas um disco a solo, "O rap é compromisso" e entrou no marcante filme "Carandiru" onde também participou na banda sonora. Esta incrível música "Mun-Rá" também faz parte de uma banda sonora do filme "Invasor", onde ele também participou, e é mais uma parceria com o projeto Instituto, uma iniciativa que começou como um núcleo de produtores musicais ligados ao rap e à música independente do Brasil e chegou a tornar-se numa banda, formada para fazerem atuações ao vivo. A morte dele continua envolta em polémica pois ele tinha deixado o passado criminosa para trás há mais de 10 anos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Devagar com a louça..."

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Saudades da Orquestra Imperial. Muitas mesmo. Um show da Orquestra é a garantia de umas horas bem divertidas e um motivo irresistível para o nosso corpo incorporar movimentos e reflexos que nunca acharíamos que ele conhecesse e possuísse. Independentemente de não se gostar detodo o cancioneiro que interpretam é absolutamente impossível ficar indiferente e, acima de tudo, parado. Tenho saudades da orquestra Imperial.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Cafuné nordestino

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Música nova da Mariana Aydar chamada "Te faço um cafuné". É uma versão atual e ao estilo da mariana do tema original de Dominguinhos mantendo ainda algum gosto do nordeste.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Era tanta a saudade"

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Já passaram 11 anos do lançamento do disco "Ana & Jorge" que documentou um concerto do Seu Jorge e a Ana Carolina. Foi um momento único, literalmente, pois só realizaram o concerto que deu origem à gravação e, na altura, correu até o boato que se tinham zangado. Boato que nunca foi confirmado e, mais importante do que isso, verdade ou mentira nao condicionou o facto de passados esses anos os dois terem decidido voltar a juntar-se para fazerem uma série de concertos e um deles, felizmente, em Lisboa hoje à noite. O disco é uma pedaço de estória delicioso da MPB que juntou dois intérpretes da pesada numa fase em que estavam os dois em ascensão meteórica. Demonstraram uma quimica impressionante em palco e deram tudo nesse show o que aumentou substancialmente a vontade de ver ao vivo esse registo e criou uma enorme e quase insuportável frustração nos seus fãs, onde eu me incluo, quando nos apercebemos que isso seria impossível de acontecer. Com 10 anos, o entusiasmo amenizou um pouco e a ansiedade tornou-se uma pequena mágoa persistente. Felizmente hoje vai ser o dia em que essa mágoa se transformará em algumas horas de deleite e uma futura boa recordação, é isso aí!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Injuriado

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Depois do lançamento do disco na passada sexta feira, saiu já o primeiro vídeo de apresentação do novo disco de António Zambujo a cantar Chico Buarque. A música escolhida é o "Injuriado" que já tinha sido uma das duas músicas de promoção lançadas previamente nas plataformas digitais. É uma das interpretaçãos que mais gosto apesar de a escolha ser bastante complicada pois o disco está muito homogéneo em termos de qualidade.Todo o disco é divinal e percebe-se esta descontração e cumplicidade retratada neste vídeo que é gravado num excelente e acolhedor restaurante da nova velha Lisboa. A beleza do disco é reconhecida dos dois lados do Atlântico e toca transversalmente todo o tipo de público, desde os meros aficionados de música, como eu, até símbolos da música e da cultura de língua portuguesa como Caetano Veloso que, reforçando a sua já demonstrada admiração pelo António, disse a propósito deste disco, "No timbre e na prosódia lusitana de António as canções de Chico Buarque (escolhidas em períodos diferentes das muitas décadas de composição) parecem postas numa perspetiva que dá ao brasileiro uma tomada de distância – no espaço e no tempo – que o leva às lágrimas, assustado que fica com a nova evidência da sua grandeza". É sempre bonito ver o Brasil a admirar e a encantar-se com um português a interpretar um dos seus maiores representantes da sua música e cultura contemporânea.