quinta-feira, 14 de abril de 2016

"Vou sendo como posso"

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"Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta"
Mistéro do Planeta - Novos Baianos

Foi um dos meus concertos preferidos do ano passado, Rodrigo Amarante mostrando o seu novo disco e com este momento maravilhoso interpretando uma grando música dos Novos Baianos.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

"Não vou pro batente amor, amanhã é sábado!"

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Martinho da Vila e Roberta Sá, uma maravilha. Samba do bom na comunhão de duas gerações.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um dia após o outro

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Tenho andado a precisar de ouvir isto várias vezes ao dia.

"Pra começar
Cada coisa em seu lugar
E nada como um dia após o outro

Pra quê apressar?
Se não sabe onde chegar
Correr em vão se o caminho é longo

Quem se soltar, da vida vai gostar
E a vida vai gostar de volta em dobro"
Tiago Iorc - Um dia após o outro


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Voz tremenda!

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São claras a inspiração e influência soul do também tremendo Tim Maia e das cantoras negras americanas. Chama-se Liniker e o pai queria que ele fosse jogador de futebol, daí o nome mas o erro ortográfico inocente, provavelmente era já o prenúncio de que o destino apontava para uma direção muita contrária aquela que o pai tinha desejado nos seus sonhos.
Liniker se apresenta como "bicha, preta e pobre" e diz que faz MPB, música preta brasileira e compõe uma personagem disruptiva e até provocatória mas também de afirmação e de inclusão.
Uma coisa é certa a sua voz poderosa e a sua postura são profundamente musicais e a qualidade da sua música e da sua voz é inquestionável

terça-feira, 29 de março de 2016

Agora venha o DVD

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Ontem à noite no Porto cumpriram-se os 17 concertos que juntaram o António Zambujo e o Miguel Araújo durante, quase, dois meses entre Lisboa e o Porto. Incrivelmente, parece que esgotaram todos e, porovavelmente, esgotariam mais dois ou três se resolvessem abirir mais datas.
É uma prova feliz de vitalidade desta nova música portuguesa e destes dois artistas que a representam tão bem. Música com qualidade mas sem preconceitos, descontraída mas muito profissional e, no caso deles, com uma cumplicidade singela mas que transformou cada noite em momentos inesquecíveis. Pelo menos nas duas que tivemos a sorte de assistir foi isso que aconteceu.
Já existe uma pequena amostra semi produzida daquilo que foram estas 17 noites e que vai, com certeza, ficar registado em CD e DVD e a música que escolheram, "No rancho fundo", um samba-canção clássico da autoria de Ary Barroso e que foi popularizado por uma dupla sertaneja na trilha sonora da telenovela Tieta, não poderia ser mais bem escolhida pois representa esta dimensão transversal, multi cultural e apátrida que a língua portuguesa possui. E a vontade e o prazer que demonstram a interpretar músicas de outros estilos e de outras geografias é também  um contributo importante para o poder de atração e para o sucesso deles.
Venha o DVD.




quinta-feira, 24 de março de 2016

Hoje o céu está tão lindo, vai chuva!

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Parece que o sol, finalmente, chegou para ficar a este lado do Atlântico, conferindo enfim significado e legitimidade à palavra Primavera e permitindo, assim, que tenhamos justas expetativas na sua versão 2016.
Há muitas primaveras atrás, ela era quase sempre o prenúncio das coisas boas que iríamos concretizar na estação a seguir. Era quase uma ante-câmera para testar vivências e depurar o que iríamos explorar no Verão pois, apesar de 3 meses de férias, o Verão não dava para desperdícios de tempos em atividades que não nos dessem prazer absoluto.
Era também um teaser, um primeiro estímulo ou indução, quase provocatória, de tudo aquilo que estava à nossa espera nos meses seguintes. Tão perto mas, infelizmente, ainda tão longe, no entanto, como se diz do outro lado do Atlântico, algumas vezes, o melhor da festa é esperar por ela e, também por isso, a Primavera tinha esse sabor especial.
Hoje parece um dia desses e véspera de feriado aumenta essa sensação e essa nostalgia, por isso, não vejo melhor razão para cantar É Primavera, junto com o saudoso Tim Maia.



quarta-feira, 23 de março de 2016

A boa música é assim, pelo menos para mim

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Quando dois talentos se encontram e se divertem, geralmente, dá nisto, numa explosão de boa energia e numa música que envolve e nos estimula todas as boas sensações que gostamos de ter e partilhar. Neste caso especial, o facto torna-se ainda mais extraordinário pelo encontro imprevisto, inesperado e até dissonante entre o clássico e o tradicional do fado e o contemporâneo.
É verdade que os novos intérpretes do fado o retiraram das suas barreiras e até prisões dogmáticas e o trouxeram para o cotidiano. Honra seja feita à Mariza, ao António Zambujo e à Carminho, neste caso. Graças à sua descontração e desembaraço é cada vez mais comum ver o fado fora da sua zona de conforto e aventurar-se para novos estilos e ritmos. Este dueto da Carminho com os HMB é excelente exemplo disso, como já tinha sido também o dueto da Carminho com a Marisa Monte ou os duetos da Roberta Sá com o António Zambujo, para referir apenas alguns.
A música também se faz desta partilha quase descomprometida e desinteressada. Com uma forte componente de risco mas com um alto grau de vontade e desejo de se fazer, tal qual o amor de que falam na música. Deve ser assim, pelo menos para eles e também para mim, para nós.

 "Eu não sei se algum dia eu vou mudar
Mas eu sei que por ti posso tentar
Até me entreguei e foi de uma vez
Num gesto um pouco louco
Sem pensar em razões nem porquês"
O amor é assim - HMB e Carminho