sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Samba pra respirar

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"Sei que vou morrer
Não sei o dia
Levarei saudades da Maria
Sei que vou morrer
Não sei a hora
Levarei saudades da Aurora
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba"
Na cadência de um samba - Cassia Eller

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Hugo Gonçalves no seu melhor

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Crónica deliciosa de quem conhece e ama o Rio.

"E o Rio, continua lindo?
Na Rua 3 do Vidigal, a TV no bar do Carlão mostra os jogos internacionais e os moleques suspendem a peladinha sempre que passa um mototáxi, o cheiro da gasolina tornando a humidade e a doçura da clorofila ainda mais pegajosas. O bar do Carlão: um barraco forrado a gordura e ferrugem, que serve hambúrgueres filé-minhau e onde a melodia do comentador desportivo, cantada nas colunas do plasma, parece narrar a peladinha dos moleques como se fosse uma final do campeonato do mundo. Lá em baixo, o mundo além da favela: o areal do Leblon ao Arpoador, o calçadão e a classe média-alta em movimento, uma fluidez erótica protagonizada por quem corre, pedala ou desliza num skate com pernas de caramelo e pele de muitos cremes franceses. Lá em cima: o morro Dois Irmãos, todo pedra e mato, Mordor dos cariocas, onde as nuvens se aninham como a namorada pós-orgásmica num motel. E, claro, um radiozinho a tocar algures em cada casa, quiosque, boteco, ônibus, a banda sonora da cidade entrecortada por buzinas, pregões, xingamentos e cantadas: "Me chama de previsão do tempo e diz que tá rolando um clima."
É tão fácil romantizar o Rio de Janeiro, encaixá-lo na esquadria do cartão-postal onde até adolescentes com metralhadoras na boca de fumo parecem figurantes de uma gigante produção, uma Cinecittà tropical-carnavalesca onde tudo vai dar certo. Mas, ao fim de quatro anos a morar no Rio, eu já não era um espectador embevecido com a exuberância. Mais larva do que borboleta, fui adicionado aos cariocas acostumados a levar porrada da cidade: atropelamentos, ônibus incendiados, falcatruas, má-educação, um polícia ou um bandido de dedo leve no gatilho, políticos que pagam a traficantes para conseguir o voto das populações, os que mandam e os que cumprem protagonizando a versão 2.0 das relações esclavagistas, a ganância e a indiferença fundindo-se num manual de antiajuda.
Henrik Jönsson, correspondente sueco, há dez anos no Rio, chama-lhe brazilian blues, a malária psicológica dos gringos: depois do arrebatamento, o coração machucado. Henrik contou-me como uma amiga estrangeira, com um forte caso de brazilian blues, preferiu fechar-se em casa, refugiando-se na música, atravessando o Brasil de Pixinguinha a Crioulo.
Quando, para mim, o samba se transfigurou em blues, recorri aos livros, os mesmos que tinham contribuído para ficcionar a paixão de viver no Rio: o Centro da infância de Rubem Fonseca, o Carnaval de Ruy Castro, as paixões sanguíneas de Nelson Rodrigues ou todas as possibilidades novelescas das mulheres cariocas de Sérgio Porto. Não que estes autores não tratassem a realidade, mas faziam-no sobre um tempo que deixou de existir, usando um diretor de fotografia e o apuro da ficção. Já dizia alguém: a realidade é um bom sítio para visitar, mas eu não moraria lá.
Só meses depois do regresso a Lisboa voltei a acreditar em Tim Maia quando canta Que Beleza ou em Paulinho da Viola esperando Para Ver as Meninas. Essa reconciliação com o Rio selou-se com a leitura de O Drible, de Sérgio Rodrigues, um romance alegadamente sobre futebol, mas que, sem esquecer a realidade - o racismo, o classismo, a putaria, a família, as rodas dentadas da existência carioca -, me devolve o Brasil pelo qual me enamorei. E não é apenas o magnífico uso de um português tão dilatado como preciso, cheio de entranhas e sinapses, ou as passagens sobre Gleyce Kelly (sic), a empregada de balcão e namoradinha de um dos protagonistas - "rosto bochechudo de Goldie Hawn esquecida no forno (...) tatuagem em seu ombro: um Bob Esponja da cor dos seus cabelos, sorriso débil mental arreganhado". Mais que tudo, é essa ideia de que há certos livros que têm a vida inteira entre a capa e a contracapa, neste caso, e a pretexto do futebol, o Brasil: o colosso complexo, bipolar, viciado em emoção, antes desdentado, agora de aparelho nos dentes, tão rico e tão pobre.
No final da vida, Murilo, personagem central do livro, um ex-cronista de futebol, Dickens carioca, e comedor colecionista de mulheres, procura entender o Brasil como eu sempre tentei, embora, ao contrário de mim, o país inteiro cavalgue no seu sangue épico, trágico e cómico: "Como fazer dessa suprema sacanagem, desse puteiro a céu aberto, um país? Impossível, você diz. Parecia mesmo, parecia? Aí alguém arranjou uma bola (...) outro maluco pegou no microfone e logo estava embelezando as jogadas mais toscas com umas retumbâncias ridículas de retórica. Pronto: metade futebol, metade prosopopeia, estava feito o Brasil."
Não sei se este livro serve como resposta derradeira para tamanha pergunta, mas sei que me apeteceu voltar a dizer, mesmo que saiba do risco da mentira: o Rio, meu irmão, continua lindo."
Hugo Gonçalves - Máquina de escrever
Diário de Notícias
31 de Outubro 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Novas da Roberta Sá

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Novo disco da Roberta Sá, chama-se "Delírio" e é o seu sexto trabalho publicado.
Tem várias participações nomeadamente do António Zambujo e do Chico Buarque e os dois temas em que participam, além de serem dois momentos marcantes deste álbum serão, com certeza, dois temas que deixarão a sua marca na música lusófona. Mais dois duetos que tocam.



sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"Rio você foi feito pra mim"

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"Rio você foi feito pra mim"
trecho da música Samba do avião - Tom Jobim



Uma das principais razões do meu amor pelo Rio de Janeiro é a minha paixão pela música e, consequentemente, pelka música que se faz no Brasil. E o Rio sempre foi um dos núcleos mais importantes de criação de música de qualidade nos mais diversos estilos musicais que caracterizam o Brasil. Foi a origem do samba e do Carnaval das escolas de samba, foi o centro nevrálgico do surgimento da Bossa Nova, foi o berço de muitos dos artistas que revolucionaram a música moderna brasileira a partir dos finais dos anos 70 e, também por isso, foi e ainda é o local onde se realiza um dos festivais de música mais emblemáticos do mundo.
Foi ainda a rampa de lançamento escolhida por muitos artistas doutros pontos do Brasil para o lançamento da sua carreira, tais como os baianos, João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia,  a gaúcha Elis Regina ou mesmo o Chico Buarque que, apesar de ter nascido no Rio passou uma parte da sua infância e toda a sua juventude fora do Rio, primeiro na Europa (Itália) e a partir da adolescência até aos seus vinte e poucos anos em São Paulo.
Há tempos voltei a ouvir esta música "Agamamou" de um grupo com mais de 20 anos, originário da região de São Paulo e que descobri na minha primeira visita ao Brasil, numas férias na região de Recife e que fazem um dueto com um dos mitos da música brasileira e do soul brasileiro, carioca da gem do bairro da Tijuca, Jorge Benjor.
A música brasileira é muito isto, uma festa, uma alegria contagiante mas também uma miscigenação de estilos sem qualquer tipo de preconceitos, onde o brega se junta ao soul ou ao samba para criar música de qualidade e momentos únicos de entretenimento. Há coisa melhor?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Inspirações no outro hemisfério

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Levei dois livros de jovens autores portugueses, "Índice médio de felicidade" do David Machado e "O caçador do Verão" do Hugo Gonçalves, sendo que este último tem fortes ligações ao Rio pois viveu lá durante uma temporada e escreveu várias crónicas maravilhosas desde lá para jornais e revistas de cá. São dois ótimos livros que  me deixaram algumas notas para no subconsciente para as contrastar com a fase que temos vindo a viver.
Tanto uma como outra incluem temáticas negativas, o que pode ser incompatível com o ambiente descontraído de umas férias e podem ainda acentuar as fragilidades que advêm do momento menos bom que temos vindo a enfrentar.
No entanto, tanto num como noutro, há fragmentos que nos podem inspirara e a ver aspetos negativos por outro prisma e isso fez diferença.
Lembrei-me até de uma música que adoro, que se chama "Maneiras" do mestre Zeca Pagodinho e que, curiosamente, ouvimos um dia lá pelos lados de Ipanema e que acaba dizendo:
"Mas digo sinceramente
Na vida, a coisa mais feia
É gente que vive chorando
De barriga cheia"





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Rio eu te amo

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Foi um regresso sentido e emocionado a uma das cidades que, felizmente, já faz parte da minha vida. A espera, desta vez, foi longa, passaram-se mais de 3 anos desde a última vez que esta cidade me acolheu. Essa tinha sido muito especial pois foi a primeira visita ao Rio com a C. e senti um privilégio enorme de ter o exclusivo desígnio de ser o seu "mestre sala" e dar a conhecer esta cidade que tanto amo à minha querida mulher. A cidade recebeu-nos de braços totalmente abertos como é seu hábito e proporcionou-nos, mais uma vez, momentos que irão ficar nas nossas eternas memórias. Não foi uma estada fácil devido ao momento complicado que estamos a atravessar mas não havia melhor cidade para amenizar a inquietação latente que temos vivido nestes últimos meses e para nos dar ânimo para encarar os próximos tempos que se continuam a afigurar difíceis, infelizmente. Foi uma visita especial por tudo isso e também por um facto importante e significativo tendo em conta a paixão que nutro pela música popular brasileira. Pela primeira vez estava no Rio numa data marcante para a história da música brasileira, o aniversário do nascimento de Vinícius de Moraes, o grande poeta ou poetinha, como gostava de ser chamado e como os amigos, carinhosamente, lhe chamavam. Curiosamente, no seu caso, esta alcunha não lhe retirava em nada a sua grandiosidade, pelo contrário, só a aumentava agregando-lhe a dimensão humana e intimista que só os grandes homens possuem e que lhes é reconhecida pelos seus pares. Ficaram muitas coisa para fazer, como ficam sempre, faltou tempo para estar com todos os amigos, faltou força de vontade para correr mais vezes no calçadão (apesar de terem sido mais vezes do que é normal mas menos do que tinha sido planeado) mas isso é só mais um dos motivos que nos fazem ter vontade de voltar e planear a próxima visita. Como diz a letra da música "Samba pra Vinícius":
"Que a vida não gosta de esperar
A vida é pra valer,
A vida é pra levar,"
Foram 12 dias muito especiais que esperamos os dois repetir o mais breve possível e, por isso, queremos os dois agradecer mais esta deliciosa experiência. Obrigado Rio e obrigado aos amigos que sempre nos recebem de braços abertos. Daqui a pouco a gente volta! Rio nós te amamos!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mangueira - sambas candidatos ao Carnaval 2015

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Depois de um processo de seleção com várias etapas foram encontrados os 3 finalistas para o desfile da Estação Primeira no próximo Carnaval. Com um samba enredo que homenageará a cantora Maria Bethânia que fez 70 anos há pouco tempo e que tem como mote "Maria Bethânia, a menina dos olhos de Oyá". Os 3 candidatos têm bastante qualidade é bastante difícil escolher um mas, confesso que estou inclinado para a parceria do Lequinho, apesar de estar muito dividico com a parceria do Alemão do Cavaco. Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão Lequinho, Gilson Bernini, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Flavinho Horta e Igor Leal Pedrinho da Flor, Cosminho, Alex Bousquet, Marcelo Mendes, Wagner Santos e Poeta