Não foi feita para ti mas o Caetano tem destas coisas. Tu és o sol que me anima e o teu ser é essa força e essa alegria que nos tem alimentado e espero que nos energize por muitos mais anos.
Nada é como tu e eu.
"Há flores de cores concentradas
Ondas queimam rochas com seu sal
Vibrações do sol no pó da estrada
Muita coisa, quase nada
Cataclismas, carnaval
Há muitos planetas habitados
E o vazio da imensidão do céu
Bem e mal e boca e mel
E essa voz que Deus me deu
Mas nada é igual a ela e eu
Lágrimas encharcam minha cara
Vivo a força rara desta dor
Clara como o sol que tudo anima
Como a própria perfeição da rima para amor
Outro homem poderá banhar-se
Na luz que com essa mulher cresceu
Muito momento que nasce
Muito tempo que morreu
Mas nada é igual a ela e eu"
Ela e eu - Maria Bethânia
Novo disco ao vivo do Lulu Santos, parece-me a mim que é gravado no épico Circo Voador. É uma falha marcante na minha lista de shows pois nunca vi Lulu ao vivo e a verdade é que acho que as suas músicas ganham uma dimensão vibrante quando tocadas ao vivo e se acrescentarmos a isso a veia inata de performer do Lulu Santos permite que os seus shows tenham, à partida, a garantia incondicional de umas horas muito bem passadas e energicamente dançantes.
Esta "Assim caminha a humanidade" é uma das minhas preferidas e tem, no seu poema, a melhor fórmula para se terminar uma relação. Fórmula cheia de jeitinho carioca, claro.
"Não vou dizer que foi ruim
também não foi tão bom assim
Não imagine que te quero mal
Apenas não te quero mais..."
Faleceu ontem o cantor principal da escola de samba Estaçaõ Primeira de Mangueira. Foi a ele que coube a pesada responsabilidade de substituir o consagrado Jamelão, pilar fundamental do Carnaval da escola durante inúmeros anos. Ainda no último Carnaval saiu consagrado da Sapucaí ao receber o maior prêmio do Carnaval carioca o Estandarte de Ouro do Jornal O Globo.
A sua dedicação, garra e paixão pela sua escola e pelo Carnaval vão faltar no próximo desfile.
O Canal Brasil que pertence à Globo criou um programa onde homenageia grandes cantores e cantoras brasileiras e grandes músicas do vasto universo musical da MPB, utilizando cantoras da nova geração. O programa chama-se "Cantoras do Brasil" e deu, inclusivamente, origem a um disco.
Da temporada de arranque e única, até agora, é imprescindível destacar esta música da grande Elizeth Cardoso não só pela beleza da música em si mas também pela magnífica interpretação da Mallu Magalhães. O tema chama-se "Demais" e, por feliz coincidência, esse título reflete arrasadoramente a magnífica interpretação desta nova coqueluche da música brasileira que nós portugueses também, felizmente, temos vindo a desfrutar de uma forma mais presente graças ao projecto Banda do Mar.
A primeira estrofe desta música do Silva descreve fielmente a minha relação profunda, harmoniosa e quase orgânica com o Rio de Janeiro. Se tudo correr bem, voltarei brevemente a essa cidade que amo depois de 3 anos de ausência e, pela segunda vez, com a companhia da C. o que aumentará, com certeza, esse vínculo profundamente emocional com essa cidade e com tudo o que a compõe.
A descoberta desta banda, Maglore, devo-a inteiramente à C., a minha mulher e cúmplice total nesta minha paixão pela música. E esta foi a música que ela me mostrou. Sempre acreditei que o Nicolau da Viola e os seus criadores, Rui Veloso e Carlos Tê tinham toda razão quando escreveram "não se ama alguém que não ouve a mesma canção".
O poema desta música mostra também como é importante esta cumplicidade permanente e latente que eu espero que se mantenha infinita, pelo menos, enquanto dure.
"A gente tenta e reinventa formas de pensar
Sempre se convencendo que viver é bom
Como um abraço com os olhos fácil de sacar
Como estranhos que viveram um grande amor
E aí vem a condição de pensar
Sempre no "se fosse"
"Se antes não fosse", "se agora fosse"
Mudaria alguma coisa no final?
A gente vai seguindo em frente
A gente ri de si pra não chorar
Como uma dança diferente
Enlouquecendo para se curar
A solidão e os fones das pessoas na estação
E um labirinto pra se livrar da dor
A força imensa dos que ainda podem se alegrar
Guiam de forma branda os seus corações
E aí vem a condição de pensar
Sempre no "se fosse"
"Se antes não fosse", "se agora fosse"
Mudaria alguma coisa no final?
A gente vai seguindo em frente
A gente ri de si pra não chorar
Como uma dança diferente
Enlouquecendo para se curar
A gente vai seguindo em frente
A gente ri de si pra não chorar
Como uma dança diferente
Se esbarrando até se encontrar"
Dança diferente - Maglore
Esta música, "Quem vai chorar sou eu" é da trilha sonora da novela "Malhação" já tem um ano e junta duas gerações do samba do Rio de Janeiro, Zaca Pagodinho e Diogo Nogueira e essa parceria dá sempre bons resultados.
O vídeo, apesar de não ser brilhante, tem um cenário que encaixa sempre bem, o vídeo filmado na praia da Barra da Tijuca e tem, como cereja em cima do bolo, a Pedra da Gávea como cenário de fundo. Sobre as restantes personagens que participam vou abster-me de comentar.