sexta-feira, 22 de maio de 2015

Aos anos que não ouvia isto

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Ouvi esta manhã quando vinha para o escritório e é uma música que esteve muito presente numa fase da minha vida. Apesar de haver muitas versões de diversos artistas consagrados de quem gsoto muito, a versão descomplicada, natural e depurada do João Gilberto é a líder destacada. Era uma música muito tocada nos vários bares de música ao vivo que existiam em Lisboa e que apostavam na música brasileira, bossa nova e mpb, nas suas noites mais populares.
Com música e letra do grande Ary Barroso, "Isto aqui, o que é?" é um hino de exaltação ao Brasil, esse Brasil que  seduz e que é pleno de encantos.



"Isto aqui, ô ô
É um pouquinho de Brasil iá iá
Deste Brasil que canta e é feliz,
Feliz, feliz,

É também um pouco de uma raça
Que não tem medo de fumaça ai, ai
E não se entrega não

Olha o jeito nas 'cadeira' que ela sabe dar
Olha só o remelexo que ela sabe dar (Repete)

Morena boa, que me faz penar,
Bota a sandália de prata
E vem pro samba sambar"
Isto aqui, o que é? - João Gilberto

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Buena Vista Lost and Found

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Infelizmente, já nos despedimos das figuras mais icónicas deste fenómeno que, afortunadamente, surgiu nos anos 90 e que voltou a dar projeção mundial à música cubana. Já desapareceram as mãos virtuosas de Ruben Gonzalez, a sacanagem de Compay Segundo, o swing de "Cachaíto" López e, sobretudo a doce e encantadora voz de Ibrahim Ferrer. Durante os últimos anos os membros que ficaram e, especialmente, a cantora Omara Portuondo, o cantor e guitarrista Eliades Ochoa e o guitarrista Barbarito Torres com o seu virtuosismo a tocar alaúde, foram mantendo a chama acesa chegando, inclusivamente a fazer uma tournée de despedida que passou por Portugal no ano passado se não me falha a memória e a que chamaram, simplesmente, "Adiós". Este ano saiu recentemente um disco chamado "Lost and Found" e que, tal como o nome indica, é uma recuperação de temas gravados nas sessões de gravações dos discos anteriores, em 96 e também alguns registos de concertos efetuados nos finais dos anos 90, princípios dos anos 2000. Além da apresentação de uma das músicas do deste álbum não quis deixar de recordar um dos grandes momentos do documentário realizado por Wim Wenders que ajudou a catapultar estes músicos, "Dos gardénias" interpretado por Ibrahim Ferrer. Grande parte do mérito de tudo isto deve-se ao músico Ry Cooder que resolveu recuperar estes músicos que estiveram totalmente esquecidos e até ostracizados durante dezenas de anos. Saudades deles todos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

O Rio que encanta por Hugo Gonçalves

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Para quem não conhece, o Hugo Gonçalves é um jovem escritor português que tem uma paixão pelo Rio, que, quem me conhece sabe, é um sintoma que também me aflige. Durante uns anos viveu no Rio e foi escrevendo crónicas que demonstram a sua vivência e a sua relação emocional e apaixonada com essa cidade. É uma cidade que não deixa ninguém indiferente, para o bem e para o mal e era isso que o Hugo foi refletindo nas suas crónicas. Lembro-me de uma polémica com o escritor Zuenir Ventura por causa de uma crónica em que o Hugo mostrava alguma desilusão devido a todos os problemas que o o país e o Rio de janeiro têm. A crónica chama-se "O Brasil que dói" e demonstra, acima de tudo, um desalento que só se tem por algo ou por alguém de quem se gosta muito.
O Hugo tem dois novos livros, um novo romance e um e-book com as crónicas que escreveu durante os, quase 4 anos que lá passou.
Para mim, prefiro pensar nas coisas boas incomparáveis e únicas que se sentem naquela cidade tão sedutora, como esta crónica que escolhi demonstra.
E mesmo quando se tem de pensar nas coisas mais negativas que lá passam tem sempre uma forma bela de as encarar, como se pode comprovar com a música "Brasis"




"Miúda da Gávea
Não podias ser mais europeia, e, no entanto, existe na voluptuosidade do teu corpo qualquer coisa de índia tupiniquim

Acordas todas as manhãs com os pássaros tropicais da alvorada. Sais na bicicleta, o cabelo a servir-te de capa, como um super-herói, o teu corpo pairando na beira da Lagoa: os morros, o Cristo, a luz revigorante das horas iniciais, o melhor filtro para quem não gostava de manhãs; a paisagem e o clima compensam, por vezes, a aspereza da cidade, tal como a doçura do vigilante que te ajuda a encontrar uma chave perdida na rua, ou o suco de tangerina todos os sábados ao pequeno almoço, ou aquela tarde em que as pessoas na calçada pararam para que uma mãe mico pudesse resgatar do chão o macaquinho bebé e regressasse ao complexo habitacional de pequenos primatas que são as árvores do teu bairro.
Tens a máscara estilizada dos óculos escuros e a bicicleta é o teu descapotável. Moves-te com a sagacidade dos locais, mas tens pinta de gringa - um jeito de ser, uma suspeita na delicadeza da maquilhagem, na roupa, no sotaque, a pequeníssima argola no nariz e uma destreza sensual nas pistas de dança, com a música eletrônica, que jamais conseguirias numa roda samba - tampouco morres de amores por uma cantiga e um violão.
Moves-te com o à vontade dos felinos autosuficientes, seja entre as senhoras devotas que saem da igreja da praça Nossa Senhora da Paz depois da missa, os negrões que bamboleiam o fio dental nas calçadas da Farme de Amoedo ou os camelôs da Uruguaiana.
No final do dia regressas a casa, ao bairro, à bolha de mato e boa vizinhança que é a Gávea. O calor cintila na tua pele, realça a perfeição delicada da armação dos teus ombros, curvas de fazer inveja aos desenhos de Niemeyer e ao bisturi de Pitangui. Não podias ser mais europeia, e, no entanto, existe na voluptuosidade do teu corpo qualquer coisa de índia tupiniquim - a nudez que ajoelhou marinheiros portugueses no areal com juras de ali mesmo se casarem.
Tens uma t-shirt sexy que diz "Carioca", mas, ainda que conheças a gíria, digas bolinho de bacalhau e te espreguices numa cadeira de praia no point da Barraca do Cris; ainda que conheças as ruas de Ipanema e de Copacabana melhor do que, se calhar, conheces alguns bairros de Lisboa, ainda que adores o pão de queijo do Talho Café, a farofa do Braseiro e os biscoitos Globo; ainda que sejas tu cá tu lá com os taxistas cariocas, gostes da velocidade ao subir o morro na garupa de um mototáxi e tenhas pulado carnaval no bloco "Me beija que sou cineasta"; ainda que, friorenta, te enrosques neste clima quente como o teu cão se aninha no sofá; ainda que tenhas assumido o gerúndio, uses as palavras "meu xodó", e sorrias de amor sempre que escutas a Marisa Monte e o Paulinho da Viola cantarem Carinhoso  - a verdade é que perdurará para sempre em ti uma noite na Bica e um mergulho na Praia Grande, uma família em Cascais e os amigos em Lisboa, uma curva na estrada da Serra de Sintra e as escadas que, da Calçada de Santana, se hão de abrir sempre - te garanto, sempre - para a brancura luminosa da nossa praça do Rossio."
Hugo Gonçalves, Visão

"Tem um Brasil que é próspero
Outro não muda
Um Brasil que investe
Outro que suga...

Um de sunga
Outro de gravata
Tem um que faz amor
E tem o outro que mata
Brasil do ouro
Brasil da prata
Brasil do balacochê
Da mulata...

Tem um Brasil que é lindo
Outro que fede
O Brasil que dá
É igualzinho ao que pede...

Pede paz, saúde
Trabalho e dinheiro
Pede pelas crianças
Do país inteiro
Lararará!...

Tem um Brasil que soca
Outro que apanha
Um Brasil que saca
Outro que chuta
Perde, ganha
Sobe, desce
Vai à luta bate bola
Porém não vai à escola...

Brasil de cobre
Brasil de lata
É negro, é branco, é nissei
É verde, é índio peladão
É mameluco, é cafuso
É confusão
É negro, é branco, é nissei
É verde, é índio peladão
É mameluco, é cafuso
É confusão...

Oh pindorama eu quero
Seu porto seguro
Suas palmeiras
Suas feiras, seu café
Suas riquezas
Praias, cachoeiras
Quero ver o seu povo
De cabeça em pé...

Quero ver o seu povo
De cabeça em pé..."
Brasis - Seu Jorge

segunda-feira, 18 de maio de 2015

"Sou do Benfica e isso me envaidece"

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No ano, talvez, mais improvável conquistou-se o bicampeonato, feito que já não se alcançava à 31 anos. Honra seja feita ao presidente que, contra tudo e contra todos, incluindo muitas pressões internas, manteve a visão e a aposta nos pilares que permitiram esta conquista. Nem tudo correu bem neste 6 anos mas, neste momento, isso não interessa nada.
É impressionate ver comemorações em todos os continentes e ver inúmeros antigos jogadores a comemorar este título como se ainda jogassem no Benfica. Acredito que são poucos os clubes no mundo que conseguem este nível de mobilização e paixão.
O Bicampeão voltou!







sexta-feira, 15 de maio de 2015

The King and the thrill is gone

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Há pessoas que deveriam  ser eternas. O B. B. King nunca foi o meu preferido no mundo dos blues mas reconheço que o título que lhe conferiram era inteiramente legítimo, apropriado e merecido. Apagou-se mais uma luz e desta vez foi a luz de um gigante da música mundial.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Neste mood

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A Sharon Van Etten é americana de New Jersey, é cantora e compositora, já vai no quarto disco mas foi o último chamado "Are we there" que me apresentou esta cantora e compositora.
Já esteve cá em Portugal, lembro-me, pelo menos, da última edição do Mexefest.
A música "Afraid or nothing" é a música de abertura deste álbum e marca bem o nível qualitativo do resto do disco.

sábado, 9 de maio de 2015

Lembrei-me desta a caminho de casa

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E acho que ainda não está aqui no blog, apesar de ser uma das músicas da minha vida. Não sei qual a versão que mais gosto, por isso, ficam cá todas de uma vez e fica ainda a faltar a versão da Renata Gebara que também vale a pena.
Honra aos Los Hermanos de quem é a versão original e a Marcelo Camelo, autor da música.

 "Veja bem, meu bem
Sinto te informar que arranjei alguém
Pra me confortar
Este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você
Nestes braços tais

Veja bem, amor
Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver
Viajar sem mim, me deixar assim
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins

Enquanto isso, navegando vou sem paz
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais

E eu nunca vou te esquecer, amor
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz

Veja bem além destes fatos vis
Saiba, traições são bem mais sutis
Se eu te troquei não foi por maldade
Amor, veja bem, arranjei alguém
Chamado "saudade""
Veja bem meu bem - Los Hermanos