quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Parabéns à música e cultura portuguesa!

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Três anos depois do Fado o Cante Alentejano também já é Patrimônio Imaterial da Unesco. Honra seja feita ao António Zambujo que o tem trazido para a ribalta.

António Zambujo - "Pelo toque da viola" from Tiago Pereira on Vimeo.

"Ó luar da meia-noite
Não digas à minha amada
Que eu passei à rua dela
Às quatro da madrugada

Pelo toque da viola,
Já sei as horas que são.
Ainda não é meia-noite,
Já te dei um bom serão!
Já te dei um bom serão,
Vai dormir vai descansar,
Vai dormir vai descansar,
Amor do meu coração!

Suspirava por te ver,
Já matei a saudade,
Uma ausência custa muito,
A quem ama com verdade!"
Pelo toque da viola - António Zambujo



"Fui à fonte beber água
Achei um raminho verde
Quem o perdeu tinha amores
Quem o perdeu tinha amores
Quem o achou tinha sede

Dá-me uma gotinha d’água
dessa que eu oiço correr,
entre pedras e pedrinhas
entre pedras e pedrinhas
alguma gota há-de haver

Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola
Quero cantar como a rola
Como a rola ninguém canta

Debaixo da oliveira
Não se pode namorar
Porque a folha miudinha
Porque a folha miudinha
Não deixa passar o ar

Dá-me uma gotinha d’água
dessa que eu oiço correr,
entre pedras e pedrinhas
entre pedras e pedrinhas
alguma gota há-de haver

Alguma gota há-de haver
Quero molhar a garganta
Quero cantar como a rola
Quero cantar como a rola
Como a rola ninguém canta"
Gotinha de água - António Zambujo e Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ilha de Santiago

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A música "Ilha de Santiago" do disco da Mayra Andrade "Lovely difficult" de 2013 ganhou recentemente um vídeo integralmente filmado nesta ilha de Cabo Verde. E o que posso dizer é que cheira aquela terra seca, sabe a sal e sente-se a plentude da  música e da alegria que Cabo Verde nos oferece. Vale a pena ouvir e ver este vídeo desta linda voz que prestigia a língua portuguesa e a cultura lusófona.



"lha de Santiago
Tem corpinho de algodón
Saia de chita cu cordón
Um par de brinco roda pión

Na ilha de Santiago
Tem nho Mano Mendi, tem Kaká, Nha Nácia Gómi
cu Zezé Nhu Raúl lá di fundo Ruber da Barca

Na Ilha de Santiago
Tem Caetaninho, tem Codé, Nhu Arique
cu Ano Nobo Nha Bibinha lá di fundo Curral de Baxo

Na Ilha de Santiago
Tem Séma Lópi, tem Catchás, Djirga, Bilocas, Ney,
Ntóni Dente d’Oro lá di fundo San Dimingo"
Ilha de Santiago - Mayra Andrade

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Real Combo Lisbonense homenageia Carmen Miranda

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Tenho estado a ouvir o novo disco dos Real Combo que é uma delícia. Uma homenagem surpreendente à portuguesa mais brasileira do Brasil, Carmen Miranda. O disco chama-se "Saudade de você - às voltas com Carmen Miranda e é um belo  exemplo de mais um feliz cruzamento Atlântico. É um disco fresco e alegre cheio de sambinhas e marchinhas que revisita esse inestimável património musical incluindo vários temas de Ary Barroso e Noel Rosa.
Para quem seja ou esteja em Lisboa, aproveito pois o Real Combo Lisbonense apresenta o disco ao vivo no Teatro Ibérico em Lisboa, a 17 e 18 de Dezembro.



"Deitado num trilho de um trem
Estando amarrado e amordaçado
Sabendo que o maquinista
Não é seu parente
Nem olha pra frente
O que é que você fazia?
Eu nesse caso nem me mexia

Sentado, olhando um cachorro
Que da sua mão tirou o seu pão
Sabendo que o seu bilhete
Que está premiado
Também foi roubado
O que é que você fazia?
Eu nesse caso nem me mexia

Se um dia sua sogra bebesse
Um gole pequeno de um grande veneno
E por um capricho da sorte
Ou de algum doutorzinho
Ela ficasse mais forte
O que é que fazia o senhor?
Eu nesse caso matava o doutor
E o que é que a senhora fazia?
Eu nesse caso desaparecia"
O que é que você fazia - Real Combo Lisbonense (Noel Rosa)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Chuva

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Depois de um dia horrível de chuva não deixa de ser irónico ter uma música que fala de chuva para alegrar a noite.
"Chuva no mar" é a belíssima música que junta Carminho e Marisa Monte e que faz parte do novo álbum da fadista portuguesa. Venham mais partilhas e parcerias felizes destas que atravessam e juntam o Atlântico ao mesmo tempo e que nos fazem tão bem.



"Coisas transformam-se em mim,
É como chuva no mar,
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar,
Um corpo sopro no ar
Com um nome p’ra chamar,
É só alguém batizar,
Nome p’ra chamar de
Nuvem, vidraça, varal,
Asa, desejo, quintal,
O horizonte lá longe,
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar,
Te invade sem parar,
Te transforma sem ninguém notar,
Frases, vozes, cores,
Ondas, frequências, sinais,
O mundo é grande demais.
Coisas transformam-se em mim,
Por todo o mundo é assim.
Isso nunca vai ter fim."
Chuva no mar - Carminho e Marisa Monte

Canto

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É este o nome do terceiro álbum da fadista Carminho este tema, "Saia rodada" é o tema escolhido para aprtesentar o disco.
Não ouvi ainda o disco todo mas gostei do que ouvi até agora. destaco o dueto com a Marisa Monte, "Chuva no mar".
O disco conta ainda com diversas colaborações, entre elas o maestro Jaques Morelenbaum.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O primeiro Grammy português

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É hoje que o fadista Carlos do Carmo recebe o primeiro Grammy entregue a um artista português. Não quero, de nenhuma maneira, diminuir e desvalorizar este feito apesar de achar que outros já o tivessem também merecido. Para mim, este reconhecimento tem ainda mais valor por isso, porque representa o reconhecimento não só da carreira individual fantástica do Carlos do Carmo mas também deposita nele e neste reconhecimento uma homenagem a todos os outros que não tiveram oportunidaee de ganhar a mesma distinção.
É uma homenagem também ao fado e a Lisboa pois estas são duas dimensões que se confundem naturalmente com o artista como se não exitissem umas sem as outras.
Por isso escolho o tema "Um homem na cidade" com um poema maravilhosos de mais uma personagem do fado e de Lisboa, Ary dos santos e música de José Luis Tinoco, um compositor marcante da música portuguesa dos últimos 40 anos.
Junto também uma homenagem muito bonita que a Rádio Comercial fez juntando diversos cantores para interpretar outra homenajem do Carlos do carmo à sua e nossa Lisboa, um tesouro inestimável.



"Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem."
Um homem na cidade - Carlos do Carmo



"No castelo ponho o cotovelo
Em Alfama descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
A almofada da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade amor da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas na Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
A aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Refrão:
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos vêem, tão pura
Teus seios sãos as colinas, varina
Pregão que me traz à porta ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa do amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça e amada
Cidade mulher da minha vida"
Lisboa menina e Moça - Carlos do Carmo

terça-feira, 18 de novembro de 2014

É sempre um prazer desfrutar de coisas novas do Jamie

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Novo disco do Jamie Cullum que, segundo dizem, foi gravado em apenas três (3!) dias. É um claro regresso aos seus primeiros discos, ao cool jazz e aos standards. Por mim, tudo bem pois gosto deste rapaz em qualquer registo.
Esta é a música que me tem encantado mais neste novo disco, "Good morning heartache", um clássico popularizado pela Billie Holyday e que, nesta versão, ganha um encanto especial devido à participação da linda voz da Laura Mvula. Não conhecia e reconheço a grande falha.