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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A surpresa Carolina

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Não tinha noção, até há bem pouco tempo da qualidade da Carolina Deslandes, qualidade musical e também como compositora. Nõ achava muita piada à música mais escutada e mais associada a ela, a "Para a vida toda", tenho alguma simpatia pela "Avião de papel" principalemnete pela participação do Rui Veloso mas ficava por aí. Foi preciso uma emissão da Rádio Comercial onde ela e o Zambujo improvisaram dois temas, para me fazer ir investigar mais e ficar muito srpreendido com o seu disco de estreia. O dueto com o Zambujo é maravilhoso, chama-se "Coisa mais bonita" e é perfeito para os dois. O tema "A miúda gosta" é delicioso, é uma bossa inocente sem pretensões, com um poema encantador e descobri que a Carolina a fez para o Zambujo. Era um tema mais que perfeito para ele, é incrível como é a cara dele em termos musicais e no próprio poema como ele admitiu mas ele não gravou a música e a versão da Carolina é linda. mais um belo contributo para a riqueza da música de língua portuguesa.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Do avesso

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"Do avesso" é o nome do novo trabalho do António Zambujo, depois de quatro anos muito ativos, volta a lançar um disco de originais e a música "Sem palavras" é a primeira amostra já disponível e vem confirmar o progressivo afastamento do zambas ao fado tradicional - nesta música em especial nem aparece a guitarra portuguesa que tem sido sua fiel companheira mesmo nos temas menos "fadísticos" do seu repertório. É um tema que me aprece estar mais perto do pop jazz melódico do Jamie Cullum (que curiosamente também tem novidades recentes), por exemplo, do que das raízes fadista e tradicionais que estiveram sempre presentes nos seus discos anteriores e, também por isso, deixa no ar muita curiosidade para a revelação do disco no seu todo que está previsto para o próximo dia 23 de Novembro. Entretanto, o Coliseu do Porto está já marcado para o próximo dia 23 de Fevereiro para o primeiro concerto de revelação deste novo trabalho.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A Márcia volta com "Vai e vem"

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Linda e grande música, Márcia e António Zambujo, dois dos diversos belos exemplos da vitalidade atual da música portuguesa. O dueto "Vai e vem" faz parte do novo disco com o mesmo nome e este vídeo tem apenas a Márcia a interpretá-la mas o Zambas é fundamental na versão original. A Márcia tem uma capacidade de fazer coisas encantadoras e envolventes e este novo disco parece uma doce confirmação desse facto. E já são 4.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Hoje é um bom dia

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Hoje é um bom dia para falar do lançamento do disco que documenta os 28 concertos que o António Zambujo e o Miguel Araújo realizaram nos coliseus do Porto e Lisboa em 2016. Tenho de referir que já não era sem tempo, a espera já se tinha tornado em desalento e até algum receio de que nunca chegassem a editar este momento tão especial e histórico para a música portuguesa. Finalmente saiu e está aí para todos desfrutarmos, para quem foi, recordar a experiência que teve no dia em que assistiu e, para malucos como eu, recordar os três concertos que assisti, dois deles, em dias consecutivos. Tenho de referir de forma incisiva que valeu mesmo a pena.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

A primeira dança do Tiago

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Aí está o primeiro tema do trabalho de estreia do Tiago Nacarato. Não é em brasileiro, é tema que faz lembrar Miguel Araújo e Zambujo e, para primeira amostra, acertou em cheio. Vamos esperar pelo resto do álbum. Mais um novo e feliz razão para a música portuguesa gostar dela própria. Sejas muito bem vindo Tiago e que seja o início de uma carreira cheia de sucessos e alegrias.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Concerto à antiga

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Há cerca de um mês fomos ver o concerto do Miguel Araújo no Coliseu, um dos primeiros desta sua nova tournée de lançamento do seu novo disco "Giesta". Reconheço no Miguel um talento desmesurável, quer com intérprete e músico, quer como autor mas não sou seu fã incondicional e acho este seu último disco demasiado étnico-autobiográfico, a puxar muito à sua história e à música que o influenciou nos primórdios da sua formação musical.
Não quer dizer que não seja bom pois está lá tudo o que o Miguel nos habitou, poemas simples e quase naifs mas cheios de emoção e estórias encantadoras, muita consistência em termos musicais e melódicos, excelentes arranjos, pelo menos uma grande música (para mim a única música que sobressai é o "1987") mas, mesmo assim, pessoalmente, não me encanta.
No entanto, fiquei totalmente rendido ao concerto, mais do que encantado, fiquei assoberbado. Espaço cénico lindíssimo, grandes músicos, uma dinâmica cénica elaborada, com troca de palco e incorporação de músicos a meio. Interpretação irrepreensível mas ao mesmo tempo sem nunca esquecer a capacidade intimista que, pelo menos, nos concertos a meias com o Zambujo, eu senti que era mais um dos seus talentos. Senti, mais uma vez, que podíamos estar na sua casa ou mesmo na casa dos seus avós em Sangemil à volta da lareira, caso exista. Aliás, a já famosa banda dos seus tios, os Kappas, não podia faltar à festa, bem como a outra banda de suporte da família, os Primus que também abrilhantaram a noite.
A noite não podia ficar completa com mais uns amigos, os Azeitonas, que encerraram o set, nesta que foi a primeira digressão do miguel depois de ter decidido abamndonar este seu outro projecto, do qual foi um dos seus progenitores.
Foi uma festa à antiga sem ter deixado de ser um grande momento de música em qualquer parte do planeta e mais uma estória especial que vai ficar para a história desta sala de espetáculos tão emblemática.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Carminho e Tom Jobim

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A música contemporânea portuguesa tem dado umas cantadas à música brasileira e isso está fazendo muito bem à cultura dos dois países. Depois do António Zambujo ter lançado a sua interpretação das canções de Chico Buarque, é lançado oficialmente hoje o novo trabalho da Carminho que decidiu mergulhar no vasto repertório do maestro Anónio Carlos Jobim e demonstrar, mais uma vez, que o fado também sabe cantar bossa nova.
Fico feliz de ver artistas consagrados brasileiros a apadrinhar ativamente estes trabalhos com as suas participações. O filho Paulo Jobim acompanha a Carminho com o seu violão em todas as músicas e há três duetos, no tema "Estrada do sol" com Marisa Monte, Chico Buarque canta "Falando de Amor" e tem ainda Maria Bethânia que partilha a linda "Modinha".

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Edu Mundo

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"Edu Mundo, Márcio Silva no BI (Souls of Fire, Terrakota) aventura-se agora perante o imaginário daqueles que o ouvem. Se o silêncio falasse, certamente só os que não são do mundo ficariam na plateia.
O estúdio tem sido a sua segunda casa, onde prepara o disco de lançamento que contará com algumas participações especiais." Esta é a nota biográfica que Edu Mundo tem na sua página de Facebook.
Confesso que nunca tinha ouvido falar dele apesar de, inconsciente, já o conhecer devido à sua participação na banda de reggae nortenha, de Leça da Palmeira, Souls of Fire. Foi um acaso que me fez descobrir que era ele o autor da música "Pantomineiro" que o António Zambujo incluiu no seu disco de 2014 "Rua da Emenda".
Foi também por acaso mas com enorme prazer que encontrei a sua versão da mesma música e outros exemplos desta sua recente escolha de enveredar por este rumo a solo.
É mais uma excelente demonstração da vivacidade e da indubitável qualidade da música portuguesa da atualidade. Fico a aguardar esse tão ansiado trabalho.
Edu Mundo - (Verão) from OFFICE FOR LOCAL ARTS on Vimeo.
Edu Mundo - Pantomineiro from Cavalo Azul on Vimeo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Injuriado

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Depois do lançamento do disco na passada sexta feira, saiu já o primeiro vídeo de apresentação do novo disco de António Zambujo a cantar Chico Buarque. A música escolhida é o "Injuriado" que já tinha sido uma das duas músicas de promoção lançadas previamente nas plataformas digitais. É uma das interpretaçãos que mais gosto apesar de a escolha ser bastante complicada pois o disco está muito homogéneo em termos de qualidade.Todo o disco é divinal e percebe-se esta descontração e cumplicidade retratada neste vídeo que é gravado num excelente e acolhedor restaurante da nova velha Lisboa. A beleza do disco é reconhecida dos dois lados do Atlântico e toca transversalmente todo o tipo de público, desde os meros aficionados de música, como eu, até símbolos da música e da cultura de língua portuguesa como Caetano Veloso que, reforçando a sua já demonstrada admiração pelo António, disse a propósito deste disco, "No timbre e na prosódia lusitana de António as canções de Chico Buarque (escolhidas em períodos diferentes das muitas décadas de composição) parecem postas numa perspetiva que dá ao brasileiro uma tomada de distância – no espaço e no tempo – que o leva às lágrimas, assustado que fica com a nova evidência da sua grandeza". É sempre bonito ver o Brasil a admirar e a encantar-se com um português a interpretar um dos seus maiores representantes da sua música e cultura contemporânea.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Buarque do Zambujo

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Está quase a sair o novo trabalho do António Zambujo, um disco em que ele interpreta músicas do Chico Buarque e que se chama "Até pensei que fosse minha". É notória e estrutural a influência da música brasileira na sua construção como artista assim como também é óbvia e latente a sua paixão pela obra de diversos nomes que constituem a história da música popular brasileira. O Chico é um dos mais presentes e regulares nos concertos do António Zambujo, a "Valsinha", que estará neste disco, é, felizmente, interpretada com alguma regularidade e, inclusivamente, num show no Brasil, o António convidou a Carminho para um dueto em que interpretaram o tema "Sem fantasia" e a filmagem amadora que vi, tinha sido feita pelo próprio Chico. O tema também está neste disco mas a parceira muda, é a Roberta Sá que partilha a canção desta vez. A Carminho não foi esquecida e participa neste disco na maravilhosa canção, "O meu amor" que faz parte da famosa e brilhante "Ópera do Malandro". O outro dueto que existe no disco é, como não podia deixar de ser, com o próprio Chico Buarque na canção "Joana francesa". O disco possui ainda diversos clássicos tais como, "Injuriado", "João e Maria", "Cálice", "Tanto mar" e "Geni e o zepelim". O disco é lançado no próximo dia 21 de Outubro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Araújo & Zambujo

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Esta é a segunda gravação que o António Zambujo e o Miguel Araújo publicam dos seus concertos a dois que tanto entusiasmaram o Porto e Lisboa e que vão voltar brevemente. Estou com muita vontade que saia o registo destes concertos que, muito provavelmente, sairá lá mais para o Natal.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Triunvirato de luxo

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A música chama-se mesmo "Triunvirato", tem letra e música do talentoso Samuel Úria e junta este com outras duas figuras fundamentais da nossa música atual, António Zambujo e Miguel Araújo.
Faz parte do excelente disco do Samuel de 2013, "O grande medo do pequeno mundo" e tendo em conta as agendas ultra atarefadas, principalmente dos últimos dois, o momento deste clip gravado na Casa da Música deve ter sido uma raridade. A música é uma balada bucólica e encantadora à Samuel Úria e a reunião de tanto talento confere-lhe uma aura virtuosa e envolvente. Gosto muito e não consigo explicar porque é que ainda não fazia parte deste espólio.

terça-feira, 29 de março de 2016

Agora venha o DVD

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Ontem à noite no Porto cumpriram-se os 17 concertos que juntaram o António Zambujo e o Miguel Araújo durante, quase, dois meses entre Lisboa e o Porto. Incrivelmente, parece que esgotaram todos e, porovavelmente, esgotariam mais dois ou três se resolvessem abirir mais datas.
É uma prova feliz de vitalidade desta nova música portuguesa e destes dois artistas que a representam tão bem. Música com qualidade mas sem preconceitos, descontraída mas muito profissional e, no caso deles, com uma cumplicidade singela mas que transformou cada noite em momentos inesquecíveis. Pelo menos nas duas que tivemos a sorte de assistir foi isso que aconteceu.
Já existe uma pequena amostra semi produzida daquilo que foram estas 17 noites e que vai, com certeza, ficar registado em CD e DVD e a música que escolheram, "No rancho fundo", um samba-canção clássico da autoria de Ary Barroso e que foi popularizado por uma dupla sertaneja na trilha sonora da telenovela Tieta, não poderia ser mais bem escolhida pois representa esta dimensão transversal, multi cultural e apátrida que a língua portuguesa possui. E a vontade e o prazer que demonstram a interpretar músicas de outros estilos e de outras geografias é também  um contributo importante para o poder de atração e para o sucesso deles.
Venha o DVD.




quarta-feira, 23 de março de 2016

A boa música é assim, pelo menos para mim

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Quando dois talentos se encontram e se divertem, geralmente, dá nisto, numa explosão de boa energia e numa música que envolve e nos estimula todas as boas sensações que gostamos de ter e partilhar. Neste caso especial, o facto torna-se ainda mais extraordinário pelo encontro imprevisto, inesperado e até dissonante entre o clássico e o tradicional do fado e o contemporâneo.
É verdade que os novos intérpretes do fado o retiraram das suas barreiras e até prisões dogmáticas e o trouxeram para o cotidiano. Honra seja feita à Mariza, ao António Zambujo e à Carminho, neste caso. Graças à sua descontração e desembaraço é cada vez mais comum ver o fado fora da sua zona de conforto e aventurar-se para novos estilos e ritmos. Este dueto da Carminho com os HMB é excelente exemplo disso, como já tinha sido também o dueto da Carminho com a Marisa Monte ou os duetos da Roberta Sá com o António Zambujo, para referir apenas alguns.
A música também se faz desta partilha quase descomprometida e desinteressada. Com uma forte componente de risco mas com um alto grau de vontade e desejo de se fazer, tal qual o amor de que falam na música. Deve ser assim, pelo menos para eles e também para mim, para nós.

 "Eu não sei se algum dia eu vou mudar
Mas eu sei que por ti posso tentar
Até me entreguei e foi de uma vez
Num gesto um pouco louco
Sem pensar em razões nem porquês"
O amor é assim - HMB e Carminho

segunda-feira, 14 de março de 2016

American tune

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A dupla Simon & Garfunkel também já não faz parte das minhas opções musicais há muitos e longos anos. Mas, nos dois concertos que assistimos do Miguel Araújo e do António Zambujo no Coliseu dos Recreios fiquei com vontade de ouvir outra vez a gravação do concerto histórico e memorável que eles fizeram em Nova Iorque, em pleno Central Park para cerca de meio milhão de pessoas em 1981. Estavam já separados há cerca de 10 anos mas aceitaram o desafio da entidade que geria o emblemático parque que é um dos símbolos da cidade. Precisavam de fundos para fazer vários melhoramentos e a dupla aceitou o desafio e fez um concerto de beneficiência para recolher fundos para a manutenção desse grandioso parque. O Miguel Araújo utilizou-os como um dos exemplos da cultura anglo-saxónica que contribuiu para a sua formação musical, afirmando que esta foi a sua raíz cultural lá para os lados de Águas Santas em comparação com as raízes alentejanas e a sua música ancestral que foram fundamentais na formação do António Zambujo. Esta dupla folk nova iorquina, descendente de judeus, também foi muito importante na formação do meu gosto musical, ouvi vezes sem conta este disco na minha pré e plena adolescência. De facto, ouvi tanto que um dia me fartei e passei a ouvir outras coisas completamente diferentes. A partir desse momento, admito, que nos primeiros tempos em que comecei a frequentar bares de música ao vivo, já não tinha muita paciência para ouvir aspirantes a trovadores folk que não dispensavam as músicas desta dupla nos seus sets de covers todas as noites. Confesso que nem mesmo esta nova corrente vinda dos Estados Unidos que ressuscitou o folk e lhe deu um lado contemporâneo e moderno a que chamam Indie Folk e onde se podem incluir os Bon Iver, de quem gosto muito, me fez despertar a vontade de voltar a ouvir a dupla mas bastou o Miguel Araújo tocar o velhinho "American tune" para ir a correr redescobrir a versão original e os restantes temas desse concerto. E graças a isto, os senhores Paul Simon e Art Garfunkel voltaram a estar em algumas das playlists que me vão acompanhando no meu dia a dia. Aconselho-os em doses moderadas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Dia de romaria

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Hoje vamos ver o Zambujo e o Araújo e a rima perfeita dos nomes apetece que não seja uma mera coincidência tal a cumplicidade que têm vindo a demonstrar em todos os momentos que partilham o seu talento e o oferecem a quem os vai ver.
Não será de todo indissociável a amizade longa e, aparentemente, genuína que têm vindo a construir regada e valorizada pela música e pelas canções, paixão que ambos partilham o que permite que cada coisa que façam juntos se torne num momento de celebrtação e de energia positiva.
Não tenho dúvidas nenhumas em dizer que, atualmente, estes são os dois músicos mais celebrados da música portuguesa e isso também contribui para, não só, continuarem mas também para fazerem cada vez melhor. A prova disso é esta maratona de concertos que iniciaram na passada quarta feira e que, entre Coliseu de Lisboa e do Porto, vai durar até final de Março.
Uma das maiores virtudes dos dois é a sua capacidade natural de transformar estórias e experiências do dia a dia em canções que emocionam e nos envolvem quase automaticamente. A outra é o facto de, apesar de todo este suceessso continuar a não se vislumbrar, em nenhum deles, qualquer tipo de indício de celebridade. Pelo contrário, conseguem sempre transformar a experiência num momento quase familiar como se fizéssemos parte do grupo de amigos estivéssemos na sala de jantar de álguém a ouvi-los tocar e contar estórias. Eu gostava.
Vou ter um enorme gosto de voltar a vê-los e a ouvi-los juntos, a ouviar a voz versátil, imprevisível e cheia do seu Alentejo do Zambujo e a pronúncia do norte salpicada de gotas de Rui Veloso e Carlos Tê de um Porto que já não é o sentido dos anos 90 do século 20 mas sim um Porto com auto estima, sofisticado, contemporâneo e orgulhoso por essas conquistas mas que continua, vaidosamente a trocar os "vês pelos bês".

"Por mais duro o serviço
Que a terra peça da gente
Eu não sei por que feitiço
Temos sempre novo alento"
Romaria das festas de Santa Eufémia - Miguel Aráujo e António Zambujo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Que maravilha!

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Sou um fã incondicional do António Zambujo e tam,bém sou um fã incondicional da música brasileira e de Noel Rosa. Não sou sou grande apreciador do Ney Matogrosso e do seu estilo mas este dueto encheu-me as medidas. Tudo está bem feito, a escolha da música que é uma das mais bonitas do Noel Rosa e que o Zambujo escolheu para ter no seu último trabalho, a interpretação dos dois, a guitarra que os acompanha e o ambiente que está e que vibra com este momento. Faltam mais coisas destas mas a verdade é que o António Zambujo tem feito muito para esta mistura da cultura portuguesa e brasileira que deveria ser, aparentemente, natural.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Novas da Roberta Sá

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Novo disco da Roberta Sá, chama-se "Delírio" e é o seu sexto trabalho publicado.
Tem várias participações nomeadamente do António Zambujo e do Chico Buarque e os dois temas em que participam, além de serem dois momentos marcantes deste álbum serão, com certeza, dois temas que deixarão a sua marca na música lusófona. Mais dois duetos que tocam.



terça-feira, 14 de julho de 2015

A Amália continua a encantar

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Vai sair no próximo dia 17 de Julho o disco, "Amália: As vozes do fado", produzido pelo cineasta luso-francês Ruben Alves, autor do filme "A Gaiola Dourada". O Projeto tem associado ainda um documentário sobre o Fado assinado também pelo Ruben Alves e com estreia marcada para o final de 2015.
O disco reúne os fadistas contemporâneos Ana Moura, António Zambujo, Carminho, Camané, Gisela João, Ricardo Ribeiro e as participações especiais de Bonga, Caetano Veloso, Mayra Andrade e Javier Limón.
Além disso, a capa do disco tem por base um trabalho idealizado pelo artista plástico Vhils e executado em parceria com a equipa de calceteiros de Lisboa, autores e zeladores de um dos principais patrimônios iconográficos de Lisboa.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

Este poema é simplesmente maravilhoso

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Há umas semanas atrás tivemos a oportunidade e o prazer de assistir a um concerto / conversa muito descontraído do Miguel Araújo e do António Zambujo.
Para mim são os dois talentos maiores da música portuguesa da atualidade, o Zambujo pela capacidade de criar um estilo próprio e único que conseguiu retirar o fado das correntes da tradição de uma forma absolutamente marcante e percursora. Já muitos tinham tentado mas, na minha modesta opinião, só ele o conseguiu em toda a plenitude. E o resultado está aí, digressões por todo o mundo e o povo mais musical do mundo, o brasileiro, totalmente rendido e apaixonado a este talento cá da terrinha.
O Miguel Araújo não tem esta dimensão, nem sei se algum dia vai ter e, por vezes parece que não é isso que o move. No entanto é um compositor e um letrista talentoso e, se me o enorme Carlos Alberto Gomes Monteiro me permitir, o digno sucessor do galático Carlos Tê. O Zambujo disse-o nesse encontro que o Miguel era um fazedor de sucessos e, eu que nunca tinho visto as coisas por esse prisma, dei-lhe logo toda a razão. Como ele já disse, são cantigas simples que contam pequenas estórias mas a simplicidade é tão difícil e torna-se tão apaixonante nas suas palavras.
São de sua autoria os temas  "Reader's Digest" e "Pica do sete" que o Zambujo gravou em dois dos seus álbuns e este maravilhoso poema que compôs para a Ana Moura, chamado "E tu gostavas de mim". Uma verdadeira delícia.



"Aviões no céu a mil
Banda larga em arganil
Argonautas, foguetões
Fogos factuos e neutrões
Nitro super combustão
Consta em santa comba dão
Dão-se destas situações
Milagres, aparições
Dava-se outro caso assim
E tu gostavas de mim

Pode um rebento em belém
Ser filho mas só da mãe
Multiplicação do pão
O boavista campeão
Automóveis sem motor
Motociclos a vapor
Se não tem divina mão
E acontece tudo em vão
Dava-se outro acaso assim
E tu gostavas de mim

Lei e ordem no brasil
Ciberespaço em contumil
Cães em naves espaciais
Microchips em cães normais
Microsondas em plutão
Dentro da televisão
Situações paranormais
Para nós mais que banais
Não era pedir de mais
E tu gostavas de mim"
E tu gostavas de mim - Miguel Araújo